A NOVA IDADE DAS TREVAS: A TECNOLOGIA E O FIM DO FUTURO (New Dark Age: Technology and the end of the future, 2018), de James Bridle; tradução Érico Assis.
Em A NOVA IDADE DAS TREVAS, cada capítulo é praticamente um ensaio independente, mas todos eles estão relacionado com o tema central da obra: a tecnologia e a sua cada vez maior onipresença no nosso dia a dia. O que constantemente é alardeado como a solução para grande parte dos problemas humanos acabou nos levando a uma nova série de questionamentos antes inimaginados. Assim, à medida que vão se multiplicando as intervenções envolvendo tecnologias, o entendimento humano sobre essas tecnologias já não alcançará a complexidade de sua lógica e funcionamento. A esse fato, o autor denomina de “a nova idade das trevas”, quando passamos a ser conduzidos às cegas para uma realidade que nos é incognoscível.
Trata-se de uma obra exigente para o seu leitor, principalmente para aquele que não está situado dentro das áreas de conhecimentos específicos tratadas pelo autor. Em alguns casos tive que pesquisar à parte sobre os fenômenos tratados, para poder me localizar e entender melhor o raciocínio conduzido por Bridle. A princípio, algumas das reflexões suscitadas parecem sequer se relacionar com a temática principal. Só depois, conforme o autor vai desenvolvendo sua argumentação, elas começam a fazer sentido. E não coloco isso como um ponto negativo, pelo contrário. O autor não se apressa, ele contextualiza devidamente tudo o que será necessário para ligar e aprofundar as questões tratada naquele capítulo mais adiante.
Foi uma leitura que demandou mais tempo do que o normal. Provavelmente retornarei a ela para rever alguns pontos que não ficaram tão claros. Mas foi desafiador e instigante!