Noite outra vez - Até que as estrelas apareçam ou que seja dia

    Alana Gabriela

    Amazon
    2019
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-10: B07SVJ9QZD
    Português Brasileiro

    Até que as estrelas apareçam ou que seja dia. Depois de se machucar em um acesso de raiva, Caleb passou a evitar o piano, submergindo em dias cada vez mais nebulosos e tão escuros quanto a noite. Para evitar um novo acidente, ele se refugia na casa do avô. Mas mais do que qualquer coisa Caleb quer esconder a verdade violenta por trás do que o fez parar de tocar. Acostumada a ideia de que é uma decepção para seu pai, Gris Stewart tenta se afastar dos sentimentos ruins assistindo a vida através das fotos que costuma tirar. Mas nem sempre é possível, muitas vezes é noite em seus dias. Todos os seus problemas estão ligados a um único evento: o dia do seu nascimento. Há muitas palavras escondidas, verdades não ditas e fantasmas do passado que ela não tem certeza poder lidar. Os caminhos dos dois adolescentes se cruzarão na bela e tranquila cidade no interior da Inglaterra, e eles precisarão decidir entre o caminho da verdade ou do silêncio, da noite ou do dia para seguirem em frente. Noite outra Vez narra uma sinuosa trilha de recomeços, autoconhecimento e amizade.

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    Carolina Cristina21/09/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Resenha postada no @blogacdh

    Hoje trago pra vocês a resenha do segundo livro que leio da nossa autora parceira Alana Gabriela, um nacional chamado Noite Outra Vez. Li a versão digital, mas a obra já foi aprovada por uma editora e logo haverá versão física também! \o/ Quando recebi a notícia desse lançamento, não pensei duas vezes antes de solicitá-lo para resenhar. Nem fiz questão de me ater muito na sinopse, o que é raro pra mim, rs. Isso porque tive uma experiência muito positiva com "Flor de Cerejeira" (tem resenha no blog), outro YA da autora; e esse é um gênero cujas obras ou não me acrescentam em nada e me irritam 😅, ou têm algo de especial e me apego a elas ♥ "Naquele dia olhei para o céu, mas só vi nuvens." Em "Noite Outra Vez", Alana Gabriela provou mais uma vez o talento para contar histórias que merecem ser lidas. Os protagonistas podem ser adolescentes, mas a condução desse enredo consegue ir além do que é costume dos YA's proporcionar... Não se enganem com o título/capa/sinopse, eu mesma imaginei algo diferente do que encontrei! O livro é narrado em primeira pessoa e os capítulos se alternam entre os pontos de vista do Caleb e da Gris, cada um com sua personalidade e arco de evolução distintos, mas que se cruzam em alguns momentos. Parte do desenrolar da trama se ocupa em mostrar suas percepções do cotidiano (em casa, na escola, andando pela cidade...) e em destrinchar seus conflitos internos (temos Caleb e sua relutância em voltar a tocar piano depois de um lamentável incidente, Gris e a culpa que sente pela perda de um ente querido...). Mas Noite Outra Vez também é uma história sobre duas famílias sobreviventes. Sobre como é ser família. E sobre violência. Sobre autodescoberta. Sobre passados que assombram o presente. Sobre amizade. Sobre perdas. Sobre memórias que não podem ser esquecidas e realidades que não podem ser ignoradas. Sobre escolhas. Continuar em silêncio sobre o que se passa no seu interior ou tentar verbalizar esses sentimentos para alguém que possa te ajudar? "Era algo irremediável então, as decepções, não sabia lidar com isso, com o quanto poderia aborrecer as pessoas que mais amava. Senti meu peito doer com essa verdade, mas era assim afinal, a verdade era necessária apesar de não ser misericordiosa." Você vai se familiarizando aos poucos com o clima da história, que posso dizer ter um certo toque de melancolia do início ao fim. Alana é uma autora que consegue entrar muito bem na cabeça dos personagens e nos dizer como eles se sentem, torná-los compreensíveis. Outra característica dela que me agrada é a de explorar ambientações e culturas diferentes em cada livro, aqui no caso, principalmente a da Inglaterra. E esse livro esconde ainda uma outra história, tão importante quanto a de Caleb, Gris e suas famílias no presente: uma história do passado, sobre os irmãos Ghedi e Samir. Uma história que se passa em Mogadíscio (Somália), que envolve guerra civil e lares destruídos, refugiados em busca de esperança, infortúnios e sonhos perdidos... A inspiração real de a autora ter escrito Noite Outra Vez! "Nós vimos a destruição, os corpos mortos, o sangue escuro e a neblina. O fim das nossas vidas como conhecíamos. [...] Mas nós caminhamos de mãos dadas até a nossa pequena casa. Vazia. Silenciosa." Estou dando esse gostinho pra vocês porque é uma parte relevante da trama que a enriquece demaaais, e não tem nem sombra de indicação dela na sinopse, o que considero um erro! Esse tipo de problemática do parágrafo anterior é um para o qual devíamos nos atentar mais, e que é dificilmente discutido na ficção. Acho que valeria a pena reconsiderar e tentar encontrar uma forma de deixar indícios para o leitor de que tal conteúdo está presente nessa obra, claro, sem revelar demais. Enquanto eu ia lendo, confesso que me senti um pouco "no escuro" e em dúvida sobre onde a autora queria chegar com essa mistura de histórias e conflitos; qual era o foco e a mensagem que iria sobressair daquilo tudo. Mas concordei e absorvi quando a própria autora esclareceu sua principal intenção em nota, no final do livro. "Era uma história e devia ser contada, merecia seus próprios créditos e tinha seus méritos." Cheguei a me deparar com alguns errinhos de revisão, mas nada demais que atrapalhasse a leitura. Acho que a capa do livro traz poucos elementos da história, mas seu ar de simplicidade é bonito. Adoro esse tom de azul, e os rabiscados no fundo me remetem aos conflitos na mente dos protagonistas. Falando neles, tive uma conexão maior com Caleb e demorei mais a aceitar o jeito de Gris. Em comparação, acho que a dupla de "Noite Outra Vez" me conquistou um pooouco menos que Yoko e Aidan, os protagonistas de "Flor de Cerejeira", livro este que ainda tem a minha predileção pessoal – apesar de terem recebido a mesma nota de avaliação. Depois de ler esses dois dramas juvenis da Alana, estou muito curiosa para conferir outras duas obras suas de gêneros diferentes: "Coroa de Ferro e Trono de Espinhos" (fantasia) e "Efeito Dominó" (thriller). Achei digno de Noite Outra Vez ser um livro tão sincero e "pé no chão", sabem? #nemtudosãoflores "Esse medo podia parecer estúpido, mas era o que eu sentia e experimentava todos os dias." Por exemplo, talvez para nós leitores, a solução dos problemas de Caleb e Gris pareça simples (tipo, "é só abrir a boca e falar!"), mas na real, quem nunca hesitou? Ou se auto sabotou? Nada acontece magicamente do dia pra noite. Cada pessoa tem seu tempo, e o livro nos leva a ter empatia suficiente para esperar o tempo dos personagens de reagir e escolher mudar o quadro da situação. "E no final cada um é o seu próprio antagonista em proporções variadas e diversas." Pois a verdade é que Caleb e Gris estavam alimentando sentimentos equivocados e incapacitantes (ansiedade, raiva, medo, tristeza, culpa, autopunição), que tornavam seus dias mais escuros do que deveriam – o que costuma parecer um caminho sem volta. Até que, enfim, encontraram a coragem e um jeito de retornar e escapar desse beco sem saída. "E decidi que em meu coração não era noite outra vez, e sim um céu cheio de estrelas." O que eu achei do final do livro??? Foi muito bonito, comovente! ❤ A melhor parte, sem dúvidas. E apenas deixarei um último aviso pra quem costuma ver "romance" em tudo e todos: então, não necessariamente é o caso! rs O livro não se apega a isso para prender o leitor, e tá tudo bem, não há motivo para reclamação! "Tirei uma foto dele, mirando a vida e tudo a sua volta. Se em algum momento minha memória me fizesse esquecer [...] teria um registro, algo gravado que me mostraria quem estava ao meu lado, comigo, vivendo, desfrutando a vida." Vocês me desculpem por não ter entrado em muitos detalhes e por mascarar algumas informações kkk, mas foi necessário! Creio pelo menos ter dado uma noção do que essa leitura reserva... Vocês podem esperar de Noite Outra Vez um livro com uma pegada diferente e uma escrita de qualidade, uma obra realista que se preocupa com temas atuais/de utilidade pública, além de uma trama carregada de emoções e que toma rumos inesperados do que a primeira impressão te leva a crer! "Para encontrar a esperança é necessário ir além do desespero. Quando chegamos ao fim da noite encontramos a aurora." - Georges Barnanos (epígrafe do livro)

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