Chegou o dia meus amigos. Chegou o dia em que um laureado do Nobel falha com a minha pessoa. Eu aqui achando que já tinha feito a melhor escolha possível quando resolvi priorizar os autores do Nobel, mas nem tudo são flores, e nenhum prêmio pode ser perfeito não é mesmo?! Acontece que nessa de pegar qualquer livro, peguei um não tão aclamado do unânime e querido pela crítica Orhan Pamuk, e acabou não sendo bem o que eu esperava.
Não é que tenha sido o maior lixo da vida, eu estava gostando até o final da primeira metade, e ainda quero ler outra coisa do autor para ter certeza de que ele não é para mim, principalmente seus ensaios, um ponto forte na sua obra e que independe de eu gostar da sua ficção ou não. Mas, caso role uma segunda decepção com o turquinho, vai ser o primeiro autor aclamado criticamente que eu vou passar a não concordar (tem a Joyce Carol Oates também, mas eu acho mais provável eu comprar outro do Pamuk primeiro).
Mas vamos falar da decepção que foi O Livro Negro, começando pela sinopse: Galip é um cara que idolatra seu primo mais velho Celal, um cronista extremamente famoso em Istambul que vive sumindo e se escondendo da sociedade. Quando a sua mulher Ruya, que significa sonho em turco, também some, Galip decide procurar por ambos. Sem avisos à polícia ou aos parentes, ele sai pelas ruas de Istambul , pela literatura de Celal e os arquétipos policiais que sua esposa tanto gosta.
A sinopse na orelha vai um pouco mais longe que essa, e esse já é o problema do livro: ele poderia ser extremamente mais curto do que é. Resolvi ler a orelha depois de terminar a primeira parte e “tomei spoiler”, porque o resumo compreende até mais ou menos a página 400. De 530. É um dos livros mais lentos que existem, e foi feito pertíssimo do século XXI, então o senhor Pamuk já devia estar ligado nos ensinamentos do mestre Calvino para não fazer feio.
O livro também é grande pois os capítulos são intercalados entre a história e crônicas de Celal, que mais parecem contos pelo tamanho (evidenciado também pelo autor) que tem temas variados, mas a maioria é focada na família deles (motivo pelo qual a maior parte da família não gosta do cronista). Galip ama o trabalho do primo e queria ser como ele, e é nisso que mais se concentra a trama: na transformação de Galip como Duplo de Celal. As crônicas são com certeza o que eu mais gostei, algumas como O Olho e Os Três Mosqueteiros são realmente marcantes e boas. O ruim é que nem todas servem para a narrativa e elas geram o problema de não darem espaço para outros escritos de Celal que são constantemente questionados e debatidos dentro da obra, como por exemplo a obsessão por Rumi (grande poeta turco) que é frequentemente debatida mas nunca mostrada, o que me deixou bastante desinteressado pela reflexão de um texto que eu não tive acesso, coisa que acontece muito, já que os personagens debatem toda a obra do cronista, e precisaria de um novo livro só para pegar uma amostra de seu trabalho de mais de 20 anos.
CONFIRA A RESENHA COMPLETA NO BLOG: http://ourbravenewblog.weebly.com/home/o-livro-negro-por-orhan-pamuk