The Corrections (Matchbook Classics) -

    Jonathan Franzen

    Fourth Estate
    2019
    672 páginas
    22h 24m
    ISBN-13: 9780008329709

    After fifty years as a wife and mother, Enid Lambert is ready to have some fun. Unfortunately, her husband Alfred is losing his sanity, and their children have long since fled for the catastrophes of their own lives. As Alfred’s condition worsens and the Lamberts are forced to face their secrets and failures, Enid sets her heart on one last family Christmas. Bringing the old world of civic virtue and sexual inhibition into violent collision with the era of hands-off parenting, do-it-yourself mental healthcare and globalised greed, The Corrections established Jonathan Franzen as one of the most brilliant interpreters of the American soul.

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    Tiago Germano02/05/2020Resenhou um livro
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    Tolstói já é uma referência batida quando se fala da literatura de Jonathan Franzen. Sem o pendor estilístico de uma Jennifer Egan ou de um David Foster Wallace (dois representantes de uma certa vertente literária dostoievskiana, para ficarmos no paralelo Rússia – EUA), Franzen prefere capturar o zeitgeist com uma prosa mais tradicional, uma narrativa que muito lembra a do cinema de fluxo, em que “nada parece acontecer”. É este o incômodo e o engodo inicial de “As Correções” (2001), seu terceiro romance, primeiro publicado no Brasil pela Cia. das Letras. Abrindo o livro com as desventuras profissionais e amorosas de Chip, um professor substituto que se envolve num affair com uma de suas estudantes, Franzen parece se colocar também à sombra de uma linhagem rothiana ultrapassada pelo próprio Roth em seus anos finais. Seu foco narrativo se alterna confusamente entre este personagem desinteressante que – claro! – resolve escrever um roteiro sobre o seu drama sexual/acadêmico, para a sua família disfuncional: o pai que começa a sofrer de Alzheimer; a mãe que, à sua maneira, vive também numa espécie de realidade esclerosada, com seus devaneios lúcidos; e os seus dois irmãos. Esta família é o núcleo central da obra, o que constitui seus pilares: quando a voz de Chip começa a se tornar um registro monocórdico e quase autoral, é aí que Franzen nos surpreende irradiando seu foco narrativo ainda mais radicalmente e o pousando agora sobre Gary, o irmão mais velho: casado, pai de dois filhos e materialista, ele é a antípoda emocional do jovem Chip. Mas como um outro molde de argila submetido à mesma fornada, a ordem de sua vida é tão frágil quanto à do irmão do meio, e Gary atravessa uma crise depressiva da qual todos estão a par: sua mulher, seus filhos, menos ele mesmo, que se recusa a admitir a condição. O correr dos capítulos nos oferece ainda outros dois pontos de vista: o da irmã caçula, uma chef de cozinha que foi abusada na adolescência e carrega consigo o drama de ser bissexual numa família com a típica mentalidade do meio-oeste dos EUA; e o dos pais, viajando sozinhos num cruzeiro idílico, tentando lutar contra as intermitências da memória do início do casamento, que agora ameaça sofrer o blecaute da idade. O clímax de tudo isso é a expectativa por um último Natal em família, na residência onde os pais vivem desde que cada um dos filhos deixou o ninho e ganhou o mundo em busca de autonomia. Neste palco, cada personagem entre em cena como um ator cujo drama já é bem conhecido do público, e cada pequeno evento cotidiano é colocado no tabuleiro como um detalhe capaz de construir o painel vigoroso ao qual, desde o princípio, Franzen ambiciona. É preciso fôlego, porém, para chegar até este ponto. São raros os momentos em que Franzen solta a mão e isso resulta em páginas menos caricatas (como a sequência quase farsesca em que Enid, a mãe, se encontra com o médico do cruzeiro) e mais sublimes (como a sequência em que um corpo cai do navio enquanto seus tripulantes se distraem numa palestra). O brilhantismo de Franzen está mesmo na contenção, uma postura que ele assume em meio a todo o caudal de um material de mais de quinhentas páginas: “Falavam de sabor do mesmo modo que marxistas falavam de revolução", ele escreve, descrevendo Denise (a irmã caçula) e seu primeiro marido. Frases como essa são fissuras numa parede que o gênio de Franzen não precisa derrubar para mostrar o que está no outro lado. Uma frase. Só uma. E tudo já está dito sobre os seus personagens.

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