Arte Poetica (Tomo I) - Francisco José Freire

    Francisco José Freire

    Oficina patriarcal de Francisco Luiz Ameno
    1759
    255 páginas
    8h 30m
    ISBN-1: 0
    Português

    A Arte Poética de Cândido Lusitano acabou por se constituir como o verdadeiro código estético dos árcades, o que o tornou numa das figuras mais influentes na introdução na literatura portuguesa das ideias estéticas e da poética e retórica neoclássicas. Com fortes ligações ao humanismo da fase inicial do Renascimento europeu, Cândido Lusitano era um defensor acérrimo dos cânones literários e estéticos da Antiguidade Clássica, tomando como modelos Aristóteles, Cícero, Horácio e Quintiliano. Em consequência, a sua obra centra-se na divulgação do pensamento estético-literário dos clássicos, através a sua tradução para a língua portuguesa, e na defesa de uma concepção da poesia como imitação da natureza, na esteira da Poética de Aristóteles. Na mesma senda, Cândido Lusitano, seguindo intelectuais como Ludovico Antonio Muratori e Ignacio de Luzán, explora as relações entre a fantasia e o entendimento na elaboração da obra poética, defendendo a visão aristotélica de uma arte em que estejam presentes o verosímil e uma relação equilibrada entre o útil e o deleitável e entre a natureza e o exercício. Manteve uma acesa polêmica contra o pensamento de Luís António Verney expresso no Verdadeiro Método de Estudar,[carece de fontes] defendendo que é na proporção, na ordem e na unidade é que consiste a beleza poética e que a fantasia e a imaginação eram a alma da poesia, embora devessem ser refreadas através da adoção de cânones que regulassem a relação entre a arte e o juízo. Neste contexto, e alinhando com as ideias de Nicolas Boileau, defendia o predomínio da lógica sobre a estética, afirmando que os antigos chamavam-lhe Juízo e isto é que é propriamente o bom gosto. É proceder com juízo e discernimento nas obras que compomos e não menos nas que lemos. Estas ideias assentam nos princípios da estética e filosofia platônica e augustiniana. Seguindo o pensamento de Ludovico Antonio Muratori e os preceitos do neoclassicismo, Francisco José Freire introduziu na literatura de língua portuguesa a primeira definição canônica de bom gosto, negando a legitimidade da liberdade criativa do barroco defendida, entre outros, pelo filósofo Benito Jerônimo Feijoo.

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