As Assembleias de Deus são mais Brasileiras ou mais de Deus? Com essa provocação característica, Gedeon de Alencar nos apresenta à maior igreja pentecostal brasileira em sua pluralidade e historicidade. Atravessada por diferentes contradições, originária do inusitado encontro de pentecostalismos de ethos sueco, americano e brasileiro, as Assembleias de Deus resistem à classificação fácil: moderna, mas conservadora; feminina, mas machista; urbana, mas periférica; comunitária, mas hierarquizada. Uma igreja híbrida, como o autor prefere. A Matriz Pentecostal Brasileira subsiste em modelos diferentes, estruturas desiguais, disparidades em todos os aspectos: nas formas de implantação, nas alterações dos sistemas eclesiásticos, nas hierarquias, nas músicas, nas liturgias, nas adesões e exclusões dos membros, nos modelos evangelísticos, nos usos ou proibições de meios eletrônicos. De uma pequena comunidade de vinte pessoas em Belém, em 1911, que a partir de uma experiência mística se organiza anárquica e solidariamente, produz um grande espaço de voluntariado, incentiva a leitura e consequentemente o estudo, promovendo, assim, ascensão social. Cem anos depois, se transforma em um grupo de milhões de pessoas.



