Inovador. Especialmente ao lembrar o ano de publicação da obra, esse livro é no mínimo bem elaborado.
O livro começa no velório retratando personagens desconhecidos até então, e em um suave desenrolar, o qual não explícita a transição da situação atual para a narrativa completa, vai sendo apresentada a vida do narrador até a sua morte. Essa transição do velório para o nascimento do protagonista é muito bem estabelecida, propondo, ao longo de toda a história uma fiel continuidade dos fatos.
Um ponto que me fez apreciar ainda mais a obra foram as diversas "referências", nas intertextualidades. Trazer Quincas Borba como integrante da narrativa ou chamar o narrador de Casmurro, relembrando outras obras de Machado de Assis, foram partes que motivaram a leitura.
Entretanto o que, para mim, torna o livro cansativo são as tantas palavras complexas que muitas vezes nem o glossário consegue traduzir. Parar a leitura para tentar compreender determinada palavra causa tamanha perca de foco.
Além disso, acredito que trata certas partes com certa enrolação. Tendo em vista que é um livro resumido, a parte do romance com Virgília, por exemplo, tem mesmas cenas retratadas repetidamente, enquanto outras namoradas/amantes encontraram-se em poucos parágrafos.
A reflexão final sobre a miséria humana é profunda (até um pouco triste), mas necessária, uma "recapitulação" da vida do personagem e o seu triste fim deixa um questionamento na vida do leitor também.
Finalmente, achei genial a proposta do livro, a narrativa por um morto e a transição na linha temporal da história são incríveis. Apesar de amar Dom Casmurro, entendo o reconhecimento desse livro como a maior obra do autor. Recomendo!