Se fosse o início de um filme a camera faria uma tomada aérea de um ancoradouro e aos poucos iria fechando para um navio negro de ossos, depois para o deck onde duas pessoas estão a um passo de um confronto.
É assim que comeca The Bone Ships e o confronto em questão é a lideranca do navio Tide Child, entre o então "shipwife" (posicao como comandante da frota) Joron Twine, um jovem de uns 20 poucos anos e Lucky Meas uma mulher enorme, forte, bem nascida e com alguns cabelos grisalhos (única pista para declarar que é uma pessoa já madura).
Sim, o autor simplesmente vai narrando a saga e para mim, esta é a graca deste livro; muitos termos náuticos inventados pelo autor e a narrativa rápida, cheia de termos novos, diálogos afiados e uma jornada de descobertas, amadurecimento, onde não só os protagonistas, mas a tripulacão do Tide Child são preparados a se tornarem realmente uma tripulacao de verdade (os navios negros, são navios mortos onde os condenados a morte são obrigados a servir como tripulacão até o fim de suas vidas miseráveis ... após o confronto, Meas determina que Joron se torne "Deckkeeper" (segundo no comando do navio), uma posicão também muito invejada.
Meas é a autoridade máxima e leva a ferro e fogo o comando do navio, mas também uma mulher que sabe utilizar sua lábia para encantar a todos a sua volta para atingir sua meta final.
Joron que em sua curta vida só teve os ensinamentos do pai como referencia ve em Meas uma figura materna, vejam, ela intuitivamente sabe que Joron é mais que um garoto bobo e investe nele lhe ensinando a ser uma pessoa de autoridade como ela e de certa generosidade, abrindo seus olhos para tudo que está a sua volta, a desmistificacao do fanatismo religioso, as formas de se lidar com pessoas que hierarquicamente estão acima dele para conseguir meios para realizar a grande jornada do Tide Child (suprimentos, armas, guerreiros). É bonito ver um novo Joron surgir de sua casca, mesmo não aceitando totalmente os ideais de Meas e se tornando cada vez mais importante na trama.
"Wake, eat, work, watch, eat, watch, eat, work, eat, sleep, wake, work
and a keyshan off the seaward side", é assim que é marcado a passagem do tempo no livro, e sim, temos um dragão marítimo, o último de sua espécie denominado Keyshan/Arakeesian, um ser mitológico e de onde os ossos são retirados para fazer os valiosíssimos navios desta saga.