A estória que vou recontar aconteceu igualzinho parecido há muitos séculos e em múltiplos lugares: China, Índia, Portugal, Espanha, França, Itália, Brasil. Foi narrada pela voz do povo em várias línguas. No idioma português foi recolhida por Almeida Garret no "Romanceiro" sob o título de "A Donzela que vai à Guerra", reescrita por Afrânio Peixoto como "Romance da Dona Guiomar" e reinventada por João Guimarães Rosa em "Grande Sertão: Veredas". O tema, com suas variantes, é o da moça vestida de homem que vai à luta: ora uma guerra, ora contra o leão encantado para salvar a filha do rei ou em conflitos entre jagunços nos campos das Gerais. Na história verdadeira houve inúmeras mulheres travestidas e guerreiras. Nem por isso perderam a feminilidade, pois quando abandonaram as tropas, casaram e tiveram filhos. No Brasil, bastaria lembrar as figuras de Dona Úrsula de Abreu e Lancastre, fluminense, Ana de Jesus Ribeiro, a Anita Garibaldi, catarinense e Maria Quitéria de Jesus, baiana. Então, comecemos, pois os espinilhos estão florindo e há o dia luminoso lá fora, batendo nas janelas e nos telhados. A vida humana pulsa - mas a verdade não se apresenta na partida nem na chegada. Ela se encontra no meio da travessia.
Espinilho -
José Fernando Miranda
Sagra
1988
91 páginas
3h 2m
ISBN-10: 8524102136
Português Brasileiro
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