História de vida e projeto: a história de vida como projeto e as "histórias de vida" a serviço de projetos" - Revista Educação e Pesquisa

    Marie-Cristine Josso

    Universidade de São Paulo
    1999
    11 páginas
    22m
    ISBN-8: 15179702
    Português Brasileiro

    Artigo publicado na Revista Educação e Pesquisa, disponível em formato eletrônico no site www.scielo.br

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    Relativizando a "história de vida"

    O referido artigo tem como tema a utilização das histórias de vida, ou melhor, das narrativas autobiográficas em diferentes tipos de projetos, como os de expressão, formação ou reinserção profissional. A autora apresenta a história de vida como uma ferramenta metodológica que busca fazer com que “os autores dos relatos cheguem a uma produção de conhecimento que faça sentido para eles, que se engajem, eles próprios, num projeto de conhecimento que os institua como sujeitos” (p.16). Ao longo do texto, Marie-Christine Josso elabora um histórico da produção teórica sobre o assunto, apresentando diversas obras em que a história de vida foi utilizada como ferramenta de projetos profissionais e de formação. O texto, no entanto, é um pouco truncado, pois em muitos momentos apenas cita autores e trabalhos sem contudo apresentá-los. No que diz respeito a minha tese, não vejo como esta abordagem possa me ajudar muito, pois da maneira que é descrita pela autora, trata-se de uma ferramenta de interversão e não propriamente de pesquisa. No entanto, o texto tem o mérito importante de relativizar a utilização do conceito “historia de vida” em casos em que apenas uma parte da experiência ou vivência do sujeito é abordada. Neste sentido, destaco os seguintes trechos do artigo: “Nesta segunda parte, o termo história de vida vai aparecer entre aspas. Por que? Se é verdade que em certos procedimentos de desenvolvimento de projetos o relato oral ou escrito tenta abranger a totalidade da vida em seus diferentes registros, bem como em sua duração, na maior parte das vezes a história produzida pelo relato é limitada a uma entrada que visa fornecer o material útil ao projeto específico. Nessa última perspectiva, parece-me mais adequado falar de abordagem biográfica ou de abordagem de experiência” (p.18). “Esses relatos bastante heterogêneos em sua natureza e objetivos, ainda que inspirados em minha prática de história de vida em formação, não podem ser considerados como “histórias de vida” propriamente ditas. O que não desvaloriza em nada o trabalho biográfico efetuado a partir de uma entrada baseada na experiência ou da abordagem temática de um itinerário. Ao apontar essa diferença, pretendo destacar que as “histórias de vida”, colocadas a serviço de projetos, são necessariamente adaptadas e restritas ao foco imposto pelo projeto no qual se inserem. Ao passo que as histórias de vida no sentido pleno do termo, para os membros de nossa rede, abarcam a totalidade da vida em todos os seus registros, nas dimensões passadas, presentes e futuras, e, portanto, em sua dinâmica global” (p. 19).

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