Como se você comesse uma pedra (Biblioteca Antagonista) -

    W. L. Tochman

    Âyiné
    2019
    265 páginas
    8h 50m
    ISBN-13: 9788592649562
    Português Brasileiro

    «Milhares de comunicados, reportagens, exposições, livros, álbuns, documentários e filmes de ficção sobre a guerra da Bósnia foram produzidos. Mas, quando a guerra acabou (ou, como julgam alguns, ficou interrompida por algum tempo), os repórteres embalaram suas câmeras e imediatamente partiram para outras guerras.» Desde 1996, a antropóloga Ève Klonowski passa seus dias e suas noites se recuperando e tentando identificar os restos dos desaparecidos na Bósnia. É assim que ela pode, então, devolvê-los a seus familiares, que se sentem quase felizes por poderem enterrar seus entes queridos. Passados dez anos da guerra e da limpeza étnica, o autor nos brinda com um depoimento emocionante. Mediante o destino cruzado de várias mulheres corajosas e admiráveis, ele evoca, de maneira oposta à mídia sensacionalista, os traumas e as feridas de um passado que continua presente. O talento do autor e sua sensibilidade excepcional tornam este documento universal e contundente. Será que algo pode nos justificar e tirar dos nossos ombros o fardo da culpa e da vergonha? Talvez apenas a ignorância… Tochman descreve aqui tudo o que a crueldade engendrou. Revela o medo dos executores e das vítimas, sendo o dos executores ainda maior do que aquele das vítimas. Apresenta indivíduos e famílias, criando assim uma imagem da sociedade. A leitura deste livro é fundamental. Trata-se de um relato limpo, sem palavras desnecessárias.

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    Denise Maria Souza João26/06/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Este pequeno livro contém alguns dos relatos mais tristes que eu li sobre guerras. A partir do trabalho da antropóloga forense polonesa Ewa Klonowski [1] na identificação dos restos dos desaparecidos na Guerra da Bósnia, o também polonês Wojciech Tochman[2], jornalista e escritor, colheu histórias de mulheres que perderam alguém no conflito. São fragmentos bem diretos e ao mesmo tempo contados com muito respeito e sensibilidade, o que nos leva ao resultado de todas as guerras: no fim, humanamente, todos perdem. Todos saem dilacerados. A Guerra da Bósnia foi o maior conflito armado na Europa após a 2ª Guerra Mundial, com mais de 100 mil mortos, dois milhões de desabrigados e 20 mil mulheres violentadas. Foi marcada por perseguições étnicas, extrema violência e grandes massacres, inclusive de crianças. Para entender um pouco melhor o conflito e as características da região, recomendo o vídeo da BBC Brasil ‘Como e por que a Iugoslávia se desintegrou’, com a repórter Camilla Veras Mota, disponível no YouTube. Quem não tem o mínimo conhecimento do que houve pode ficar um tanto perdido nesta leitura. PÁGINA. 182 Quando o sol se levanta, eu também me levanto. - De novo, mamãe - me diz o filho -, de novo você rangeu os dentes de noite. - De novo eu trinquei os dentes? Desculpe-me. - Como se você comesse uma pedra. Bebo café, abro a janela, olho. O mundo existe. [1] Ewa Klonowski, seu marido e sua filha estavam em férias no exterior, em dezembro de 1981, quando o general Jaruzelski impôs a lei marcial na Polônia. Involuntariamente refugiada, acabou indo morar na Islândia, onde vive até hoje. Em 1996 o Tribunal Internacional para a ex-Iugoslávia convidou Ewa a participar da exumação e identificação de corpos nas quatro primeiras valas comuns encontradas na cidade de Kalesija, na Bósnia. Ao retornar à Islândia em 1997, ela se voluntariou à Comissão Estatal da Bósnia para Rastreamento de Pessoas Desaparecidas, trabalhando até 2000. Em 2002 era a única mulher prestando serviços para a Comissão Internacional de Pessoas Desaparecidas, criada pelo governo da Bósnia em 1996. Além de receber algumas honrarias, em 2005 seu nome foi adicionado a uma candidatura conjunta ao Prêmio Nobel chamada 1.000 mulheres para o Prêmio Nobel da Paz. [2] W. L. Tochman começou a escrever ainda no Ensino Médio, em 1987. De 1990 a 2004 trabalhou na Gazeta Wyborcza, sendo que de 1996 a 2002 também dirigiu um programa de TV dedicado a pessoas desaparecidas. Em 1999 criou uma fundação para ajudar famílias em busca de parentes desaparecidos. Além de dar aulas de jornalismo na Universidade de Varsóvia, escreveu livros sobre guerras, ataques terroristas, genocídios, refugiados e coletâneas de reportagens. Criou em Nyakinama, Ruanda, o Clube Heban, que funcionou de 2009 a 2016, com o objetivo de auxílio a crianças da região. Também fundou em Varsóvia, em 2009, uma escola de reportagem em sociedade. Foi duas vezes indicado para o Prêmio Nike de Literatura e ganhou o prêmio da Associação Polonesa de Editores de Livros (Polish Book Publishers Association Award). Fontes: Instytutksiazki, Reuters, Vogalizando a História, Wikipedia, WikipeaceWomen.

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