Águas que passam - é uma narrativa bastante psicológica- ora literária, ora filosófica; que se passa no Oeste Paranaense e que tem como cenário uma casa simples à beira de um rio. Narrada em primeira pessoa a menina de 10 a 11 anos, vai contando uma história dentro da outra...Muitos personagens rústicos e realistas trazem à tona a questão do preconceito, da vida sem recursos dos idos de 70 e da alegria pura e genuína de vizinhos agricultores e da solidariedade entre aquela gente sem posses. Num enredo que explora o fluxo de consciência dos personagens a menina vai desfiando pensamentos-“ acelerados pensamentos que nunca podiam parar...” e como quem assiste a tudo e a tudo vê mas nada pode falar “ porque criança daqueles tempos não participava de conversas de adulto...mas compreendia... ainda que no jeito de compreender de uma menina pequena da beira de um rio...” a narradora vai contando suas aventuras, suas alegrias pueris, seus medos e seus fantasmas, suas decepções ao descobrir que “uma mãe também podia mentir...” e que “ uma pessoa pode ser mais ou menos aceita dependendo da cor da sua pele...” e ainda “ então as crianças também podem morrer...?!” ou: “como é que se podia viver em uma casa sem uma mãe para vir nos cobrir à noite?...” A narrativa vai se construindo, no dizer da narradora, pela correnteza do rio...é o rio o protagonista companheiro que dá à menina os sonhos e todas aquelas invencionices. É através dele que ela busca a linha mestra e se acaso se perder de uma narrativa á outra e esquecer a principal, será ele o fio condutor que a trará de volta. A história é narrada por uma criança e é, por seu teor filosófico e questionador, um livro para ser lido por gente grande também.
Águas que passam -
Nilva Dematé Zolandek
Editora Autografia
2019
88 páginas
2h 56m
ISBN-13: 9788551819876
Português Brasileiro
Edições (1)
Ver maisEstatísticas
Avaliações
0 / 0- 5 estrelas0%
- 4 estrelas0%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%
