Thomas Hobbes teve muitos interesses na vida, em especial o apreço pela Geometria e pela Física, mas o momento conturbado do seu país natal - a Inglaterra - o levou a escrever sobre Política, assunto pelo qual ele é mais conhecido. A teoria hobbesiana se centra basicamente na ideia de que o homem é egoísta e mau por natureza, vivendo em uma guerra de todos contra todos, e para preservar a própria vida assinou um contrato de formação da sociedade civil e cedeu a sua liberdade a essa sociedade, que pode ser conhecida como Estado, ou por um termo mais hobbesiano ainda: o Leviatã. Porém o termo Leviatã ainda não foi cunhado aqui no ''Do Cidadão'', obra lançada originalmente em latim na França e que teve repercussão no continente, enquanto o Leviatã é uma obra posterior lançada em inglês na Inglaterra.
A função da sociedade civil é primordialmente garantir a segurança dos indivíduos, sendo esse o motivo da sua constituição. É somente na sociedade civil que as pessoas podem usufruir de um desenvolvimento completo de suas vidas. Sem a sociedade, o homem vive desconfiado de tudo e todos, tendo que garantir pela força a sua posição.
Em uma visão voltada para as Relações Internacionais, é fácil perceber porque Hobbes é um dos pilares do Realismo: a sociedade internacional é anárquica e cada Estado deve fazer o máximo possível para garantir a sua sobrevivência, e para isso deve disputar o jogo de poder econômico, militar e político; pois a sua não participação poderá resultar na sua derrota. A teoria hobbesiana é um grande campo de guerra teórico.
Parte que me surpreendi e isso por total desconhecimento prévio da minha parte é que o conteúdo em si do livro pelo qual Hobbes é conhecido não passa de 1/4 da obra. A maior parte do livro é uma justificativa pautada na Bíblia sobre o que está sendo escrito. O prefácio do próprio Hobbes já contem tudo que é estudado dele até hoje. Boa parte do livro, portanto, é ''pulavel''.