Depois de um excelente início, no terceiro volume de Imperdoável, aconteceu o que eu temia. A história começa a parecer que está se arrastando mais do que deveria. Waid introduz muitos novos elementos e personagens (vilões, alienígenas, traições, revelações), sem que a história saia necessariamente do lugar. Por mais que todas essas adições funcionem dentro da trama, e expandam a mitologia da série, se não existissem, também não mudariam nada na história que vinha sendo contada até então acontecem várias coisas, mas no final parece que tudo culmina pra voltar pro status quo do início da edição. Afinal, o que queremos saber é: o Paradigma conseguirá deter o Plutoniano em definitivo? Há salvação para ele?
Mais do que nunca, a história trabalha com arquétipos dos quadrinhos de herói para avançar com a trama sem muitas apresentações, o que pode incomodar os não familiarizados por conta do ritmo da narrativa e pelo fato de muitos conceitos e personagens serem jogados na trama sem muito desenvolvimento. Você depende um pouco de entender os arquétipos e vícios do gênero de super-heróis para entender mais dos personagens e algumas das situações.
Ainda assim, Waid consegue continuar desenvolvendo outras facetas do protagonista, revelando um lado ainda nunca visto do herói: mesmo depois de tudo que fez, Tony continua apenas querendo ser admirado e respeitado. Apesar de mentalmente instável, o algoz da humanidade daria tudo para voltar atrás e desfazer todas as mortes que causou. Além disso, a revelação sobre as reais motivações de Modeus, o maior vilão deste universo, são intrigantes e perturbadoras. Pode ter certeza que é algo que leitor nenhum espera.
Enfim, apesar de inferior aos volumes anteriores, inclusive na caracterização dos personagens e no desenvolvimento de suas motivações, o roteiro frenético, cheio de ação e plot twists, continua sendo o suficiente para nos prender durante a leitura e nos motivar o suficiente para adquirir os próximos volumes para saber como terminará essa história. O Plutoniano é um personagem intrigante e interessante demais para abandonarmos o barco a essa altura.