Trabalho escravo contemporâneo - tempo presente e usos do passado

    Angela de Castro Gomes, Regina Beatriz Guimarães Neto

    FGV Editora
    2018
    195 páginas
    6h 30m
    ISBN-13: 9788522520930
    Português Brasileiro

    O livro é uma obra candente sobre uma característica persistente da formação social brasileira: a superexploração do trabalho da força de trabalho e a consequente desigualdade social que dilacera o país. A análise histórica e simbólica dos usos do passado escravista e o reconhecimento da metamorfose daquele passado em novas formas extremadas de exploração, reconhecidas por autoridades jurídicas através da criação da expressão "trabalho análogo ao de escravo", desemboca na construção de um aparato estatal para seu combate, a partir de 1995. A reconstituição, pela História Oral, das narrativas dos agentes de diversas instituições estatais e de militantes de movimentos sociais se alia, neste livro, aos relatos dos próprios trabalhadores sobre suas experiências como vítimas e como agentes de resistência. Tal sistematização adquire força especial na atualidade com as ofensivas patronais pela retomada dessa forma de superexploração; com a tentativa de destruição dos agentes e procedimentos de combate ao trabalho escravo contemporâneo; simultaneamente à nova opressão trazida pelas formas de precarização sancionadas pela reforma trabalhista. José Sergio Leite Lopes

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    Lucas Silva23/02/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Ótimo trabalho realizado pelas pesquisadoras Regina e Ângela. O livro conta com seis capítulos escritos em diferentes momentos e com diversas finalidades, publicados em outros espaços. Entretanto, ambas conseguem amarrá-los com coerência e qualidade. Tratam de questões conceituais, defendendo “trabalho análogo ao de escravidão” como um uma categoria que faz sentido, não anacrônica. Elas tecem bons questionamentos sobre as relações entre passado e presente e a (im)permanência de determinadas relações. As autoras também explanam como o conceito de trabalho escravo é encarado pela legislação brasileira desde a década de 1940, com mudanças expressivas em 2003. Ademais, falam sobre a fragilidade institucional que determinados períodos podem trazer consigo, como ocorreu em 2017, que ofereceu risco à legislação consolidada em relação ao trabalho escravo. Elas não se limitam ao trabalho conceitual e normativo, mas engrandecem o trabalho ao buscar casos em que empresas se valeram do trabalho escrevo no período da ditadura empresarial-militar, com aval do Estado. Trazem também relatos de trabalhadores e pessoas ligadas ao combate dessa prática criminosa, e como esses agentes históricos se valem de diferentes meios para assegurar o mínimo de seguridade.

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