Nesse nacional vamos conhecer a história de Maria, uma jovem brasileira, negra e pobre. Maria tem muitos sonhos, mas como sonhar quando tudo parece dar errado?
"Todo dia é uma batalha. E eu perco todas. Sempre. É difícil lutar sozinha contra um país inteiro. Todas às vezes em que me ergui para ter uma vida normal, ser feliz, eu fui puxada para baixo."
Hoje Maria se chama Miriam e vive na Alemanha, onde tem o seu emprego e está começando a faculdade. Miriam atualmente não se sente brasileira, mas como ter orgulho de uma nação que só te trouxe sofrimento? Entretanto, Myriam também não se sente alemã, embora ela tenha feito de tudo para esconder as suas verdadeiras raízes.
"Quem sou eu? Eu não sei. Não sou americana. Não sou alemã. Não sou portuguesa e nem espanhola."
A Vira lata não é um livro leve, mas é um livro carregado de manifestações políticas e sociais. É aquele livro que te dá um soco no estômago e te força a sair da sua bolha. Ele me fez refletir muito.
Muitas vezes durante a leitura eu tive que parar para poder respirar e assimilar tudo o que estava lendo. Doeu, doeu lá no fundo do meu coração acompanhar todo o sofrimento da Maria.
E será durante a leitura de A vira lata com capítulos alternados entre passado e presente que vamos acompanhar um pouco a trajetória de vida da Maria. Eu torci para que ela pudesse se reencontrar e perceber que os traços brasileiros dela eram lindos, ter orgulho dela mesma e que ela pudesse ser feliz.
A leitura é bem fluida e rápida, o livro é curto, mas carregado de sofrimento, citações de obras e autores nacionais incríveis e resiliência.
Em minha opinião, o autor poderia se aprofundar mais no presente da Maria e abordar mais detalhes sobre a mudança de país, pois senti falta de algumas informações principalmente quando o livro está quase no fim.