Joaquim Mattoso Camara JR
Joaquim Mattoso Câmara Jr. foi um destacado linguista, pesquisador e professor universitário brasileiro.
Formou-se em arquitetura e direito, mas destacou-se no campo da linguística, disciplina na qual fez vários cursos de especialização dentro e fora do Brasil, tendo sido aluno de Roman Jakobson e Georges Millardet, e colega de Claude Levi-Strauss. Foi professor convidado em Lisboa, professor visitante em Washington e em várias outras cidades do mundo, além de exercer vários cargos consultivos.
A obra deixada por Mattoso Câmara no domínio dos estudos de linguística geral, influenciada pelo estruturalismo, além do funcionalismo personificado por André Martinet, tornou-o uma referência nos estudos de linguística portuguesa. Entre suas principais publicações, estão Princípios de Linguística Geral, Problemas de Linguística Descritiva, Estrutura da Língua Portuguesa e Dicionário de Linguística e Gramática.
Em 1942, Mattoso Câmara publicou o primeiro compêndio de linguística geral em língua portuguesa, Princípios de Linguística Geral, à semelhança de linguistas de renome como André Martinet. Em 1943, Mattoso Câmara ganhou uma bolsa de estudos da Fundação Rockefeller que lhe permitiu fazer uma especialização em linguística na Universidade de Nova Iorque, onde foi aluno de Louis Gray e Roman Jakobson. Em 1948, tornou-se pioneiro no ensino da linguística estrutural na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil,[1] embora, só em 1962, a disciplina de linguística tenha sido inserida nos currículos dos cursos de letras por decisão do Conselho Federal de Educação.
Em 1949, Mattoso Câmara concluiu Doutoramento em Letras Clássicas pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil com a tese de título Para o estudo da fonêmica portuguesa, acerca do uso coloquial da variante dialetal falada no Rio de Janeiro. Este trabalho implicava já a assunção do método descritivista de análise das línguas, segundo os princípios do estruturalismo, embora o autor também defendesse a gramática normativa, por considerá-la importante para o ensino escolar da língua. Recebeu, em 1952, o título de professor livre-docente de língua portuguesa com a tese "Para a contribuição da estilística da língua portuguesa." Ao lado do também renomado linguista Aryon Dall'Igna Rodrigues, foi responsável pelo primeiro curso de pós-graduação em linguística do Brasil e, juntos, deram início aos estudos descritivistas das línguas indígenas brasileiras, alicerçados pelos métodos precisos de descrição da linguística moderna à época. Câmara Jr. e Rodrigues, foram pioneiros na criação e atuantes do setor de pesquisa em Linguística, ligado ao já estabelecido setor de Antropologia no Museu Nacional. Mais tarde, lecionou na Universidade Santa Úrsula, na PUC-Rio e na Universidade Católica de Petrópolis.
Mattoso Câmara sempre participou de associações científicas, congressos e simpósios. Integrou o Programa Interamericano de Linguística e Ensino de Línguas (Pilei), a Associação de Linguística e Filologia da América Latina (Alfal) e foi membro fundador da Associação Brasileira de Linguística (Abralin) e da Academia Brasileira de Filologia. Foi também um dos membros fundadores do Círculo Linguístico de Nova York, formado em 1943, como alargamento da École Libre des Hautes Études; participou do 1º Simpósio Luso-brasileiro sobre a língua portuguesa contemporâneo, onde recebeu reconhecimento internacional. Em 1967, foi o único latino-americano a fazer parte dos doze membros do Comitê Internacional Permanente de Linguistas.
Mattoso Câmara teria recebido o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras como homenagem ao seu inequívoco contributo à língua portuguesa, se não fosse a notícia inesperada de sua morte em 5 de fever