Uma Loureira - Lara (Machado de Assis)
Publicado sob o pseudônimo Lara pelo periódico Jornal das Famílias em duas partes, uma em maio e outra em junho de 1872. Novamente Machado de Assis publica um conto com uma autoria misteriosa, talvez pelo seu caráter satírico ou realista, ou talvez as duas coisas, mas seu ar romântico ainda está presente nessa obra. Conta-se a história de uma jovem rapariga de 18 anos que está em época de se casar, porém seu pai não parece favorável ao casamento arranjado, como era comum na época, muito pelo contrário, quer que sua filha se case com quem ela de fato ama. Há uma disputa entre dois pretendentes que amam a jovem Luiza e competem por sua mão de forma amigável. Conto bem curto que levanta questionamentos acerca da visão das mulheres da época, Luiza que é bastante comportada, aparentemente, demonstra um caminho bastante cômico, porém trágico, talvez o início de uma nova geração de mulheres que se acham independentes, mas que na realidade estão em busca de olhares do público, em despertar o desejo carnal nos homens ao seu redor; como o próprio título diz, uma loureira. O melhor de tudo isso é que as Luizas ainda estão visíveis em nossa sociedade, até mais do que em 1872, basta olhar para as redes sociais, em que mulheres (e homens) buscam olhares das pessoas, mas não para suas qualidades ou virtudes, e sim para mera aparência, que uma hora definhará e acabará. Machado expõe a futilidade da mulher desesperada por atenção, e que no caso de Luiza, brinca com os sentimentos de dois homens de valor (porém bem tontos e ingênuos), para viver suas aventuras mais picantes, trocar cartas com desconhecidos. O teor do conto é quase que futurista, justamente por conta destes detalhes que ainda perduram no ser humano, ou então o contrário, nós que não evoluímos depois de um século e meio. Recomendo a leitura e a ligação com nossa atualidade, é uma boa narrativa e bastante divertida de se ler, o final fez-me rir.

