Revolucionário
Peter McLaren propõe que “multiculturalismo” só vira ferramenta real de justiça social quando deixa de ser uma política de celebração da diversidade e passa a ser um projeto crítico, anticapitalista e anti-imperial, capaz de enfrentar as estruturas que produzem desigualdade. Por isso, ele diferencia versões “domesticadas” do multiculturalismo (que cabem confortavelmente no sistema) de um multiculturalismo revolucionário, ancorado em luta de classes, antirracismo e crítica às hierarquias de gênero, articulando cultura e economia como dimensões inseparáveis da dominação. Routledge +2 SAGE Journals +2 O eixo do livro é a educação: McLaren sustenta que a escola e o currículo não são neutros, porque ajudam a organizar “quem pode falar” e “o que conta como conhecimento legítimo”. A tarefa, então, não é apenas “incluir diferenças”, mas produzir pedagogias de dissenso — práticas formativas que ensinem a ler o mundo de forma crítica, identificar relações de poder e construir ações coletivas (na sala de aula e fora dela) com base em movimentos sociais e projetos contra-hegemônicos. Routledge +1 Um ponto forte recorrente é a crítica ao modo como discursos de diversidade podem desviar a atenção de estruturas materiais: McLaren argumenta que o foco político do próximo ciclo não deveria ser só “diversidade”, mas também o descentramento e desmonte de formas históricas de supremacia (por exemplo, a “branquitude” como norma cultural), conectando racismo, exploração e reprodução institucional de privilégios.


