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    Clarice: Uma vida que se conta -

    Nadia Battella Gotlib

    Ática
    1995
    493 páginas
    16h 26m
    ISBN-11: 8508053215
    Português Brasileiro
    4.5
    132 avaliações
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    No mais completo levantamento biográfico sobre Clarice Lispector, o livro oferece um mergulho fascinante no universo dessa extraordinária escritora.

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    Filipe Quevedo picture
    Filipe Quevedo30/09/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Haia, a estrangeira

    <i>- Clarice, se você pudesse roubar alguma coisa, o que roubaria? - Roubaria gente, pessoas, companhia.</i> (1965, entrevista. Clarice Lispector, Jóia, n. 141.) De forma semelhante ao que acontece na biografia de Leonardo, onde a proposta do autor parece ser, além de trazer dados históricos-biográficos, fazer análises das diversas obras do mestre, assim Nádia faz aqui: além das informações biográficas ela faz análises literárias das produções da autora, com um objetivo bem específico: desvendar, a partir delas, a pessoa por trás de tais produções. No Prefácio Nádia elucida sua proposta ao explicar que seu trabalho centra-se em abordagens críticas e <i>"[...]detém-se em certos dados de caráter autobiográfico, desde que tenham eles ligação mais direta com a produção literária, no sentido de que possam contribuir para uma contextualização."</i> O texto acaba sendo bastante similar aos moldes de abordagem clariceanos. Aquilo que Clarice faz com suas personagens, Nádia faz com ela: busca sondar mais a pessoalidade, a intimidade, a interioridade, o subjetivo de Clarice, em detrimento de relatar as ações e os eventos da vida dela. Em outras palavras, o texto tenta entender e esboçar quem era Clarice Lispector, a partir de seus próprios escritos (cartas, crônicas, contos, romances...). O resultado é uma obra bastante intimista. A minha impressão geral é a de que Clarice tinha uma forma muito particular de solidão: não a solidão de quem não tenha relações e contatos, mas a solidão de quem não consegue se conectar profundamente com seres semelhantes por não os encontrar. Ao que parece ela era tão estrangeira que não encontrava pares em lugar nenhum; não se encaixava no mundo; parecia constantemente neblinada; ela era uma sensibilidade transbordante num multidão de engessados. Tinha dificuldades de estabelecer relações por exigir das pessoas tanta profundidade quanto só ela poderia oferecer. Num mundo que cada vez mais caminhava para a liquidez de Bauman, raras eram as pessoas capazes de se dedicar com algo além da superficialidade. E Clarice exigia a alma. <b>CURIOSIDADES:</b> 📌Haia. Este é o nome original de Clarice. 📌Não há exatidão quanto a data de nascimento de Clarice; sequer se sabe ao certo o ano no qual ela nasceu! A própria Clarice foi contraditória ao registrar diversos anos como sendo o de seu nascimento: 1921, 1926, 1927... Inclusive não consta data de nascimento no túmulo da autora, apenas a data do falecimento. 📌A língua presa de Clarice não era um sotaque ou maneirismo dela, mas uma consequência de um defeito fisiológico mesmo. Parece que ela até poderia ter feito uma intervenção cirúrgica para a correção do problema, mas simplesmente não quis. 📌Clarice teve alguns bichos durante a vida. Entre eles um cão chamado Ulisses. Reza a lenda que o Ulisses era um grande fumante. Por vezes ela chamava esse cão de "Efeméride". 📌Alguns livros da autora chegaram a ter títulos diferentes em versões iniciais: A maça no escuro, por exemplo se chamava "A veia no pulso"; Água viva chegou a ser "Atrás do pensamento: Monólogo com a vida"; e Um sopro de vida era simplesmente "Pulsações". (Bastante bonito esse último.)

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    Nadia Battella Gotlib profile picture

    Nadia Battella Gotlib

    Possui graduação em Letras pela Universidade de Brasília (1967), mestrado (1971) e doutorado (1977) em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e livre-docência em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (1993), onde atuou como professora de Literatura Portuguesa (desde 1973), de Literatura Brasileira (de 1979 até 1997, quando se aposentou.). Desenvolveu atividades de pesquisa e ministrou cursos de Graduação e de Pós-Graduação em várias universidades brasileiras e do exterior (Univ. de Oxford, Univ. de Buenos Aires). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira Contemporânea e principalmente nos seguintes temas: conto brasileiro, narrativa de Clarice Lispector, arquivo pessoal, diários, epistolografia e autobiografia. Atualmente está vinculada, como professor colaborador, ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da USP. É Bolsista Sênior do CNPq.

    3 Livros
    5 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Nadia Battella Gotlib