Guerra das Raças - A Caça aos Desertores

    Daniel Jahchan

    Novo Século
    2016
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788542808759
    Português Brasileiro

    "Os séculos se passaram desde a queda dos donmen. Com eles, a Ordem Igualitária das Raças foi destruída. Seis séculos mergulhados na maior guerra da história. Humanos, elfos, orcs e anões, todos são apenas soldados. Apenas peões na guerra entre angeli e daemon pelo poder. A única coisa que importa na guerra é o lado pelo qual se luta. Mas o mal cria, sem saber, o seu maior inimigo. Distante da guerra, a esperança vive. Um casal de irmãos, aos poucos, vai descobrindo a verdade sobre sua origem. Guiados por um ser mágico, que todos acreditavam estar extinto, seriam eles capazes de unir novamente as raças para contra-atacar aqueles que os oprimiram durante séculos? Para os apaixonados por fantasia e mitologia nórdica, Guerra das Raças – A caça aos desertores garante uma ótima leitura. Aventure-se nessa história cheia de contratempos e personagens cativantes."

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    Tamirez Santos21/08/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Guerra das Raças

    Toda vez que eu começo um nacional é sempre uma surpresa e uma insegurança. Essa sensação já tinha desaparecido, mas infelizmente esse ano tive algumas experiências bem complicadas que acabaram trazendo isso a tona novamente. Guerra das Raças é a estreia de Daniel Jahchan e ele nos apresenta o primeiro livro de sua trama fantástica. Em A Caça aos Desertores somos inseridos em um mundo novo e medieval onde duas raças poderosas estão em guerra a séculos. Com criaturas já tradicionais como elfos e anões, o autor insere esses seres em um outro contexto e constrói sua história ao redor deles. História essa que tem uma pegada bem juvenil, fato que acho importante ressaltar para não gerar decepções em leitores mais maduros tanto em idade quanto em profundidade de leitura. Sempre que eu pego um livro que me é oferecido, e não está explícito que é algo diferente do que seria o apropriado para mim enquanto leitora, essa é a expectativa que eu ponho. E, apesar de estar cada vez mais difícil encontrar fantasias adultas, principalmente entre os autores nacionais, eu sigo na esperança. Dessa forma, logo que notei que teríamos um tom mais jovem a trama, já passei a olhá-la com outros olhos e esperar um pouco menos do que viria a frente. O mundo desenvolvido parece muito interessante, apesar de algumas coisas estarem desalinhadas. O primeiro fato é que há quase 600 anos há uma guerra acontecendo e durante nenhum momento as duas raças resolveram atacar os povos além do Deserto de Ossos, porém isso é algo iminente agora, e aparentemente somente uma das duas raças está avançando. É difícil saber a dimensão de tudo, já que esses aspectos são pouco trabalhados. Há toda uma raça que parece ter sido extinta, pois sumiu a tempos, que é cercada de mistério. Os Donmen desapareceram junto com o fim da Ordem Igualitária das Raças, quando toda a batalha começou, mas será que realmente não existem mais? “Eu não teria conseguido atravessar a Floresta Virgem sem saber me esconder, Ikarus.” Outra coisa que precisa melhorar bastante para um segundo livro, na minha opinião, é a construção de personalidade. Os jovens são todos muito inconsequentes, ao mesmo tempo em que falam estar ciente da gravidade do que acontece ao seu redor, tanto sua voz quanto seus atos refletem o contrário. Um fato que me chamou a atenção foi que ao fim do livro, quando a batalha está sobre eles, é dado a essas “crianças” um enorme poder de decisão e de comando, quando há uma série de pessoas mais velhas e experientes entre os povos, como se para dar mais importância a eles, sendo que como já foi estabelecido que eles são os protagonistas e andamos ao seu redor o livro todo, não há nenhuma necessidade, além de soar irreal. As motivações também são duvidosas, como a primeira delas principalmente. Uma garota que eles não conhecem é o suficiente para que eles fujam de casa e vão para a floresta onde muita coisa pode acontecer, onde os inimigos se escondem, para buscar os pais da menina que certamente já estão mortos, pois caso contrário teriam alcançado o vilarejo também. Tudo isso de forma muito simples, sem a criação de um vínculo de amizade ou motivo real para tal. Impulso, apenas. E, claro, onde há adolescentes, há romance. Porém ele é sutil, não toma conta da história (felizmente), mas também ainda não estabeleceu uma posição real entre os personagens. Apesar do mundo ser interessante e de dar vontade de conhecer mais sobre cada um dos povos e suas raças, o livro segue a fórmula tradicional da jornada do herói, com uma trama simples que não arrisca muito. E finaliza o livro no exato momento esperado, sem grandes surpresas ou cliff hangers para a continuação. É claro que algumas perguntas ficam no ar e há personagens cativantes, mas certamente poderíamos ter um desenrolar mais maduro da história. Guerra das Raças parece promissor em um primeiro olhar, mas ainda é preciso aguardar o segundo livro pra saber para onde essa história vai caminhar. Uma trama escrita para jovens também deve ser bem tecida e apresentar complexidade, principalmente para apresentar diferencial. O garoto que descobre algo e sai em uma jornada para impedir que algo ruim aconteça já está mais do que batido e, portanto, firma-se a necessidade de novidade e de frescor no gênero, principalmente entre os nacionais, que parecem ter ainda mais medo de ousar. Acredito que leitores mais novos, iniciantes ou menos exigentes poderão se dar melhor com a história, bem como criar um vínculo maior de identificação com o protagonista, que parece ser um garoto inteligente, mas que flutua muito em sua própria pele.

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