Desde 2018, quando assisti à cinebiografia de Colette, fiquei obcecada pra ler os livros dela. Mas encontrar obras da autora francesa traduzidas pro português não era tarefa fácil. Aos poucos, finalmente consegui começar.
“Claudine na Escola” foi o primeiro livro publicado, mas na época saiu com o nome do seu, Willy. E foi um sucesso absoluto, sendo o primeiro de uma série de livros que acompanha Claudine em diferentes momentos de sua vida.
Nesse primeiro livro acompanhamos a jovem francesa que estuda em um colégio para meninas. Dona de uma personalidade forte, ela leva uma vida bastante livre, criada apenas pelo pai, que não é nada rígido. Inteligente e irreverente, Claudine não tem grandes planos pro futuro, ela só quer viver e aproveitar.
Lendo essa premissa, parece que vamos encontrar só mais uma história juvenil sobre uma garota esperta. Mas não é bem isso. Inspirado nas próprias experiências da autora, o livro vai além das travessuras: aborda o despertar sexual das jovens, seus relacionamentos, e até os assédios que enfrentavam.
E tem mais: a obra traz, de forma bastante ousada para a época, ao abordar relações lésbicas entre professoras e até mesmo alunas, algo que surpreende quando lembramos que o livro foi publicado lá no início dos anos 1900.
O ponto alto, pra mim, é a própria Claudine. É impossível não se divertir com seu jeito sabichão, insolente e totalmente sem filtro. Ela questiona, provoca e constrange quem estiver pela frente, e isso é delicioso de acompanhar.
O livro é curto, e eu achei que devoraria em uma sentada. Mas como a narrativa é feita pela própria Claudine, quase como um diário, a leitura acaba ficando um pouco mais lenta, pelo menos foi assim pra mim.
Apesar de não ter sido uma leitura que amei do começo ao fim, terminei ainda mais encantada por Colette. Fico pensando: como ela escreveu algo tão ousado pra sua época? E ainda assim conquistou tanto sucesso a ponto de deixar todo mundo obcecado por Claudine.
Daqueles livros que você lê para conhecer mais da autora, do que da obra em si.