Saia da frente do meu sol

Saia da frente do meu sol Felipe Charbel




Resenhas - Saia da frente do meu sol


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Vinicius 01/10/2023

Fragmentos de uma vida
Que histórias ficarão sobre nós quando não estivermos mais aqui? O quanto se aproximariam de nossa verdadeira identidade?

Felipe Charbel não gosta do termo autoficção, então usemos romance fotográfico especulativo. Isso porque ao encontrar uma caixa com documentos antigos de seus parentes, descobre fotos de um tio-avô solteirão que morou com sua família no quartinho dos fundos durante sua infância.

Sempre tido como rabugento e recluso, era alguém que exigia quais programas de TV seriam vistos numa época em que só existia um aparelho, deslocava-se com dificuldade em função de uma sífilis e não tinha grandes posses.

A grande genialidade da história é recriar este tio não pelo que ele não deixou (filhos, herança, esposa), mas pelo que ele deveria ter sido e a família jamais soube (ou apenas ignorou).

Ao falar do tio, o autor fala de si, daí a importância da escrita. Entre ensaios, conjecturas e pesquisa científica, temos um livro original e muito bem escrito. Terminei com uma sensação estranha, uma espécie de nostalgia por aquilo que nunca existiu... ou que poderia ter existido.
Pandora 01/10/2023minha estante
O tipo de história que me pica. Vou ler.




murilo-1984 17/05/2024

“Não desejo nada de você. Só quero que você não fique aí parado na frente do meu sol, fazendo sombra.”
A sensação que tive era como se alguém estivesse escrevendo uma biografia minha, talvez um dia eu me torne o tio Ricardo, um fardo, um fracasso, um mistério.
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Matheus656 04/08/2023

Eu estava curiosíssimo para ler o ?saia da frente do meu sol?, do felipe charbel - escritor, ensaísta e professor - desde que eu soube que o livro sairia pela @autentica.contemporanea.

na obra, o autor relembra o passado da sua família e foca no seu tio; um homem bonito, desajustado, quase anarquista, que morava de favor no quarto dos fundos na casa da sua mãe.

a partir disso, charbel escreve uma espécie de autobiografia - porque ao falar do tio, ele também fala muito de si mesmo -, contando sobre o seu relacionamento com ele e detendo-se nas memórias que vão sendo exibidas por meio de relatos e de análises de fotografias (através de documentos e de fotos tiradas na época, o autor relembra a juventude do seu tio). um misto de biografia e depoimento pessoal em uma narrativa biográfica, com um estilo alternando entre epistolar e diário.

um dos pontos positivos do texto para mim, é que os relatos são muito íntimos, sinceros e impactantes. é impossível não se identificar e não se comover. me fez refletir sobre vários temas, entre eles: morte, luto, preconceito, sexualidade e auto aceitação. acredito que esse seja um daqueles livros que depois de ler, você não sai a mesma pessoa.

por outro lado, embora a leitura tenha se iniciado bem interessante, aos poucos a história perdeu o apelo pra mim. não sei se pelo fato do tema ser extremamente melancólico - o livro traz uma carga reflexiva enorme - e do texto incomodar um pouco. com um pouco de relutância consegui terminá-lo.

esse foi o meu primeiro do autor. em breve lerei o ?janelas irreais: um diário de releituras?, que muito me chamou a atenção.
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beto 06/11/2023

Um livro curto, rápido, original e que não me prendeu como eu esperava.

Sai da frente do meu sol conta a história de um tio do autor através de fotos e lembranças encontradas em casa, na casa dos avós e através de curtas conversas com a família a respeito do tio que, por ter vivido a vida de uma forma boêmia até certa idade e por outro motivos que não chegamos a saber, não é muito difundido a sua presença na família. Um formato de livro investigativo mas que não aprofunda. Vejo isso como uma realidade mesmo pois as vezes temos a curiosidade sobre pessoas e fatos mas não conseguimos alcançar um desfecho, se é que há um desfecho. Um livro com ótimas fotografias que ilustram muito bem essa investigação mas que não me prendeu. O que fica guardado desse livro em mim é que o tio teve uma vida bem vivida e não lhe interessou guardar isso em fotografias. Um cara esperto e longe dos curiosos!
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olivromefisgou 15/07/2023

Literatura brasileira contemporânea ? então, apesar de ter achado um pouco repetitivo às vezes, acompanhar a reconstituição da vida desse tio-avô ?esquisitão? a partir de fotos achadas no fundo da gaveta é muito prazeroso.
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Gerusa7 03/11/2023

Então...
Alguns livros que não gostamos muito são salvos por frases de efeito, não consegui encontrar nem isso no livro, falta algo. A ideia do livro é legal mas parece mal executada.
O livro parece muito mais especulativo do que uma história bem contada, e tudo bem ser assim, mas não conseguiram fazer isso muito bem. Queria mais dele não obtive.
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Marcus 12/11/2023

Ensaio biográfico especulativo
A história do tio esquecido contado através de uma caixa de fotos e suposições de um sobrinho. O argumento é bem interessante. Eu esperava mais história do tio que sobre o processo construtivo que o autor quis trazer.
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leo 09/08/2023

Existe algo de muito enigmático na escrita de charbel. remontar um passado, construí-lo sob ruínas parece ser uma atividade de descrição densa, mas também de tentativas de reestruturação e de rememória da imponência de um deus, de um closet, de um quarto dos fundos. a fotografia é um recurso estilístico se inserindo como metalinguagem acompanhada do que me parece ser um desvio narrativo a partir da inserção de novos elementos que a fotografia pode proporcionar. devido à ausência de registros, e aqui volto o calibre para o cuidado com os spoilers, o sobrinho-autor des(escreve) a possibilidade de uma vida, o que ela foi, é e será, conjugada em uma trama familiar paradoxal e repleta de tabus. saia da frente do meu sol é também um novo fôlego da literatura brasileira contemporânea, muito bom, bonito e triste!!!! viva o ricardo, os ricardos, viva o meu tio edson que também é um ricardo e continua pulsando muito forte dentro do meu coração.
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Faluz 04/04/2024

Saia da frente do meu sol - Felipe Charbel
Delicioso. Leitura leve e interessante.
Como um relato familiar onde conseguimos pontos de identificação. As dores e delícias de uma família com poucos recursos, suas reuniões e arranjos familiares.
A maneira como as fotos guardadas numa caixa trazem memórias que são ativadas na lembrança e aí o constitui é o define nessa lembrança. O que temos desses nossos familiares? Um lindo fio narrativo.
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Alana 16/04/2024

Foi uma leitura interessante, mas a história do tio avô, Ricardo - que foi o que me chamou atenção para ler o livro, na verdade termina em um segundo plano, porque o autor foca muito mais em detalhar como foi o seu processo de escrita.
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Eduardo Vilalon 05/01/2024

Um olhar hétero sobre alguém possivelmente gay
É interessante ver como um hétero procura entender, a partir de Eve Kosofsky Sedgwick e James Green, um pouco de como pode ter sido a vida do tio.
Gostaria que o autor falasse menos dele e mais do tio. Talvez não houvesse fotos o suficiente para tanto.
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Aline.Silva 26/04/2024

Um livro peculiar, demorei mais tempo que o previsto para terminar a leitura, certamente não é para todos os gostos. Tem uma narrativa melancólica mas ao mesmo tempo desperta interesse para saber mais sobre a história, afinal, todo mundo conhece, ou tem a sensação de conhecer, alguém como o tio Ricardo
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Luana 01/03/2024

Um caminho para lugar nenhum
Felipe Charbel tem uma grande sorte: o tio-avô dele, Ricardo, é uma figura tão interessante que quase compensa a narrativa pouco interessante do autor. Esse inclusive é um dos primeiros grandes defeitos da obra: Ricardo fica quase esquecido no decorrer de uma escrita egocêntrica e que anda em círculos, que nada agrega nem a história daquele que deveria ser o personagem principal nem ao leitor, que acaba arrastado por páginas e páginas que não levam a lugar nenhum. Nada se completa na história do livro, que perde tantas boas oportunidades que chega a irritar quem insiste em terminar a leitura. O meu conselho a quem não teve oportunidade de ler é que se mantenha longe desta obra.
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FellipeFFCardoso 22/12/2023

Quando li ?Triste não é ao certo a palavra?, do Gabriel Abreu, fiquei impressionado com a tentativa de trabalhar a ausência a partir daquilo que muito se sabe sobre o objeto da dor, no caso do livro, a mãe dele. Neste livro do Charbel, ocorre o inverso. Ele fala sobre a presença de alguém que ele conhece, mas não sabe bem quem é e que sua ausência, uma vez que o objeto da obra está morto, passa a ser algo que o instiga, quase como uma rendição de existência, uma validação de identidade para alguém que se deixou apagar (ou esconder) com o tempo (e no caso do autor, uma personagem que perdeu talvez por descaso ou desinteresse). Usar a imagem e promover, a partir dela, uma análise do discurso que cada fotografia traz expande a complexidade de sua tarefa, criando uma biografia especulativa que demandou, penso eu, do autor também uma análise pessoal (e menos especulativa), dando um passo atrás nos vieses estruturais sociais e familiares, assim como a admissão e a aceitação de muitos deles. É um exercício bonito, de certa forma sorumbático, mas de muito afeto, ainda que banhado no sentimento do fracasso que deve existir em somente poder projetar a si mesmo em alguém que poderia ter querido, de alguma maneira e por fim, ser livre nem que fosse pela palavra através da escuta.
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