O Verão Perigoso

O Verão Perigoso Ernest Hemingway




Resenhas - O Verão Perigoso


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Edson Medeiros 12/10/2020

Um homem apaixonado pela vida e atraído pela morte
Para aqueles que desejam ler esta obra, preliminarmente, é importante fixar dois pontos: primeiro, não esperem encontrar algo na linha de "O velho e o mar", não é a proposta do livro, por isso, também não o recomendo para os que ainda não conhecem a obra de Hemingway, já que não reflete o seu melhor, segundo, esta não é uma leitura adequada para aqueles de estômago fraco, sensíveis ao sofrimento animal, ou, que detém o irredutível olhar anacrônico, pois, apenas servirá para estabelecer uma implicância estoica que os impedirá de apreciar a genialidade do autor.

"O verão perigoso" é uma obra de não-ficção, um artigo jornalístico encomendado pela revista Life ao estadunidense Ernest Hemingway, sobre as touradas da temporada de 1959. É o terceiro livro do autor a tratar do duelo mortal entre homens e touros, fechando a trinca com "O sol também se levanta" (1926) e "Morte ao entardecer" (1932).

Ainda que grande parte do texto seja dedicado ao duelo entre os cunhados Luís Miguel Dominguín e Antonio Ordoñez, dois dos maiores toureiros da época, não falta espaço para as descrições das bucólicas e desoladoras paisagens do interior da Espanha e da agitação urbana das "ferias de toros". Durante as viagens entre uma e outra tourada, ao atingir certos locais, Hemingway faz pequenas e silenciosas reflexões sobre sua participação na Guerra Civil Espanhola, ao terminar o livro e sabendo o que ocorreu ao autor em 1961, não pude deixar de pensar em qual proporção as lembranças dolorosas e a constante sensação de iminência de morte nas "corridas de toros", contribuíram para sua fatídica derrocada mental.

O grande segredo de "O verão perigoso" é saber encará-lo por múltiplas perspectivas, já que mantém qualidade tripla: livro-reportagem, diário de viagem e memórias de guerra. Deste modo, seria equivocado lê-lo, unicamente, como relato entusiasmado do audacioso duelo entre dois toureiros, ou, como descrição técnica da dança mortal entre homem e besta, ele é, mais profundamente, uma espécie de fragmento autobiográfico, por isso, primeiramente, é preciso entender os aspectos culturais das touradas, as condições que levaram Hemingway a sua adoração e seu relutante fascínio em voltar à Espanha franquista.

Se "O verão perigoso" pode não ser exatamente uma obra-prima, é, sob a perspectiva correta, o testamento digno de Hemingway ao mundo.
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Julio.Argibay 01/10/2020

Corrida
Corrida

Bom, vamos começar nossa resenha (ou o que seja) do livro: Verão Perigoso de Hemingway. Então vamos lá, começamos informando que, mais uma vez, Papá é o narrador dessa estória, ou seja, é uma obra autobiográfica e ele está acompanhado por uma de suas esposas, neste caso, Mary. Porém, é uma participação bem pequena bem menor que no romance: Verdade ao amanhecer, ambientado na África. Então, deixemos de fofoca e sigamos em frente. Por volta do ano de 1953, Hemingway segue de navio de Nova York com destino a Espanha. Já na terra de Don Quixote, eles passam por Pamplona, Madrid, dentre outras regiões, cidades e vilarejos perdidos da península. Como ele teve algum envolvimento político revolucionário com esse pais, anteriormente (tema abordado no romance: Por quem os sinos dobram). Devido a esse motivo, ele se sente receoso de ser preso pelas autoridades espanholas nessa viagem (mas fiquem frios). A ideia do autor é, após a visita ao país, eles seguirem para Paris, Itália e finalmente ir para a África. Voltando a viajem, ele procurou e reviu alguns amigos, alguns deles toureiros (pois sim, amigos, o tema do romance é a tourada ou corrida. O cara tem uma vida muito boêmia. Que inveja). Vida que segue, depois de uma viagem atribulada passando por diversas regiões eles chegam a Madrid e se hospedam no Hotel Suécia. Já na capital, ele acompanha algumas corridas, que alguns amigos participavam e depois dos eventos eles comentam sobre a performance favorável ou não deles no evento (como são muitos os amigos, achei por bem não citar todos. Preguiça? Talvez). Continuemos... como sempre o autor é chegado a uma birita e boa comida. Assim eles visitam diversos bares e restaurantes das cidades onde passam, conversam com os nativos e vão acompanhar as corridas. Na trama há uma disputa acirrada entre dois dos seus amigos toureiros: Antonio e Luiz Miguel, os dois se ferem com alguma gravidade (os touros não são bestas). Acompanhado desses amigos, Papá segue a sua jornada pelas estradas da Espanha (há um linguajar próprio nesse meio: cornos, corrida, dentre outras). Agora, vamos falar sobre Bill. ele é o motorista do grupo, que os levam pelas estradas montanhosas da região. Ele é um cabra resistente e dirige a noite inteira, se precisar e sem descansar. Depois do último acidente, com um de seus amigos, Papá e comitiva se dirigem a Madrid para visitar os toureiros. É nesse momento que a estória tem seu final. Já? Pois eh, achei uma estória interessante, principalmente para aqueles leitores, que tinham curiosidade de conhecer um pouco mais o modo de vida espanhol mais de perto, ou tenha uma ligação com aquele país. Outra coisa, nesta obra, não há grandes romances, há apenas lugares interessantes, uma cultura local bem tradicional, um modo de vida próprio mediterrâneo, boa comida, boa bebida, bons amigos, bom papo, companheirismo, memórias, isso tudo cercados por uma natureza exuberante, seguindo pelas estradas sinuosas da Península Ibérica. Fim. Até a próxima amigos - e Viva la vida loca.
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Literatura e Autores 11/09/2020

O último trabalho de Hemingway, um tanto melancólico. Tá mais pra um documentário descrevendo as incontáveis touradas e as belas paisagens da Espanha.
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Maiara.Alves 23/05/2020

Contratado pela revista Life para cobrir a temporada de touros de 1959, na Espanha, Ernest Hemingway viu-se no meio de um embate brutal, embora fraternal, entre o jovem toureiro Antonio Ordoñez e seu cunhado Luiz Miguel Dominguín, já veterano e no fim de carreira. 
A crônica das viagens de carro pelas estradas no interior da Espanha é agradavelmente detalhada quanto à paisagem, as cidades e pessoas, confirmando o talento de Hemingway. Mas a narrativa se torna monótona e repetitiva na descrição das touradas, abundantes, daquela temporada. Hemingway toma partido descaradamente de Antonio. E fiquei extremamente desconfortável com as crueldades cometidas com os animais tudo em nome do "divertimento".
Hemingway é um dos meus escritores favoritos e esperava mais desse livro.
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Phelipe Guilherme Maciel 05/11/2018

Um relato jornalístico feito para a revista Life que virou livro
Hemingway era um apaixonado pelas touradas e pela Espanha. Nos anos finais de sua vida, após o grande sucesso de O Velho e o Mar, que lhe rendeu Pulitzer e Nobel de literatura, foi convidado pela revista Life para escrever um grande artigo sobre a temporada de tourada daquele ano na Espanha.
O relato tornou-se um livro, tamanha a devoção de Hemingway pela tourada e pela Espanha.
O livro é escrito em forma de um relato personalíssimo, como se a pessoa estivesse conversando com você enquanto mostra fotos de sua viagem. É uma leitura leve e envolvente.
Hemingway trás todo o universo da tourada e pela sua ótica, toda a beleza do esporte. O matador, quase um Deus, e o touro, uma outra divindade. Nesse embate divino, somente um sairá de pé.
Eu não sou vegano, nem defensor da causa animal, não sou ativista em nenhum sentido, mas acho os maus tratos a animais indefensável. Principalmente para divertir os outros. Rinhas de galos, touradas, caça esportiva, etc, são esportes que não me atraem.
Os relatos de Hemingway geralmente me deixavam com uma cara de asco, as artimanhas que usam para deixar o touro mais manso, para retirar sua defesa natural que são seus chifres, além de doparem touros mais bravos, tudo para facilitar a vida do toureiro, me deram ânsias de vômito.
Hemingway não esqueceu nada. Desde os complexos dos toureiros, seus medos, suas crueldades, ao negócio que envolve a tourada, os agenciadores, os negociadores, os apostadores, os criadores dos touros, etc, até as artimanhas que o público nas arquibancadas ignoram. Está tudo ali descrito.
É um livro agridoce, você percebe nas fotos uma felicidade de Hemingway estar ali na espanha, com amigos queridos, sua esposa, ambientes agradáveis, mas ao mesmo tempo o relato soa triste. Ele estava desconsolado com a vida, e desgostoso de ver que até mesmo a tourada havia perdido os seus tempos de ouro, assim como ele próprio, que se via no ocaso da vida, da criatividade, da virilidade. Antes mesmo do livro "O Verão Perigoso" sair em livro, Hemingway se suicidou com um tiro de espingarda de caça.

É um livro não indispensável, mas altamente recomendável para quem deseja entender um pouco do cruel esporte da Tauromaquia, e da alma do escritor, que foi sutilmente despida nas páginas do livro.
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Dani.Menezes 03/04/2018

Redundante
É um livro bem detalhado sobre como funcionam as touradas, mas é sem ímpetos, muita repetição de história e um certo endeusamento dos "toreros" - claro que devido a admiração do autor.
Interessante para conhecer as touradas e, no meu caso, ter certeza que são abomináveis aos animais. Muito sofrimento desnecessário para exibição humana.
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Gustavo 20/03/2017

Entediante!
O verão perigoso, entra para lista das obras que me decepcionou bastante durante meus anos de leitura. Uma narrativa cansativa, personagens e cenários entediantes, faz da obra de Ernest Hemingway uma leitura indesejável.
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Ana 19/04/2012

Passeando pelas touradas com a companhia de Hemingway
Em "O Verão Perigoso" me reencontrei com Ernest Hemingway e me reconcilei com ele. Sua narrativa constantemente me deixava triste e deprimida, embora muitas vezes se passe em lugares que tenho atração especial como Cuba.

Ernest Hemingway nos levou com ele para as arenas e nos descreveu as lutas entre matadores e touros, nos ensinou um pouco desta arte tipicamente espanhola (ainda que desagrade e revolte a muitos) com sua grande paixão por elas.

Por causa dele me aventurei a assistir uma tourada em Sevilla. A sensação era a de estar no livro, com ele.

http://omundoatravesdoslivros.blogspot.com.br/2011/08/o-verao-perigoso-ernest-hemingway.html
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Daniel 02/10/2011

Narração versus Romance
Meu resumo inicial deste livro é bastante curto. Este livro está longe de O Velho e o Mar.

Ernest Hemingway deveria ter escrito este livro na forma de romance pois a narrativa que fez de sua temporada na Espanha, para acompanhar a temporada de touradas, não conseguiu me prender, ficou um pouco entediante acompanhar as descrições das touradas sempre com as mesmas situações. Um romance sobre este tema seria muito mais interessante, mas ele já escreveu um livro sobre o assunto, O Sol Também se Levanta.

O que mais gostei neste livro foi conhecer um pouco mais sobre as regras da "corrida de toros" e, infelizmente, das trapaças que tornam desiguais os embates entre homem e animal.
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