50 Sonetos

50 Sonetos William Shakespeare




Resenhas - 50 Sonetos


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priscila.wenzel 23/07/2016

50 Sonetos

Esse livro é uma outra coleção com 50 sonetos de William Shakespeare. Alguns se encontram em português, outros em inglês.


“Meus olhos, qual pintor, tua beleza
Retrataram no escrínio de meu peito;
Meu corpo é a moldura em que está presa:
Na arte da perspectiva fui perfeito.
Pois através do artista diligente
Vês onde jaz a tua imagem fina:
Na loja do meu peito está pendente
E teus olhos reluzem na vitrina.
Uma troca de olhares que bem faz:
Meus olhos te pintaram, são os teus
Janelas de meu peito onde se apraz
O sol a te espreitar nos antros meus.
Mas os olhos têm sua restrição:
Pintam o que veem, não o coração.”


“Que eu não veja empecilhos na sincera
União de duas almas. Não amor
É o que encontrando alterações se altera
Ou diminui se o atinge o desamor;
Oh, não! Amor é ponto assaz constante
Que ilesos os bravos temporais deforma.
É a estrela guia do baixel errante,
De brilho certo, mas valor sem conta.
O amor não é jogral do Tempo, embora
Em seu declínio os lábios entorte.
O amor não muda com o dia e a hora,
Mas persevera ao limiar da Morte.
E, se se prova que num errou estou,
Nunca fiz versos nem jamais amou.”
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Lethycia Dias 20/06/2019

50 preciosidades da língua inglesa
Em 2016, comprei um box que incluía este livro, as peças Romeu e Julieta e Hamlet e também - por estranho que pareça - uma seleção de poemas de Bocage. Fazia muito tempo que eu tinha vontade de ler Shakespeare, mesmo em imperfeitas traduções, e fiz uma ótima escolha.
Segundo estudiosos, Shakespeare teria escrito 154 sonetos, que foram publicados sem sua autorização e sobreviveram ao tempo, passando por estudiosos e teóricos da literatura inglesa durante séculos. Assim, chegaram às mãos de Ivo Barroso, que traduziu 50 deles ao longo da vida.
Alguns temas que identifiquei nos poemas são o amor, a beleza, a passagem do tempo, a inevitabilidade da morte. Todos são bem marcados pela "chave de ouro", os dois versos finais com uma frase que os finalize bem. Podendo ler apenas a escrita em português, pois esta é uma edição bilíngue, conheci apenas uma versão, uma face dos sonetos, mas o texto de apresentação garante a tradução mais fiel possível.
Algumas das reflexões trazidas pelos poemas me interessaram muito, especialmente em relação a como nos deixamos levar pelo amor, e como é angustiante saber que a morte virá para todos nós.
Mais interessante que tudo, porém, é o estudo de Nehemias Gueiros no fim do livro, que contempla a história por trás da publicação dos sonetos, a sua forma, um tanto diferente do soneto tradicional como o conhecemos, e as várias teorias sobre o significado que eles podem carregar. Eu, que não imaginava nada disso ao começar a ler o livro, fiquei fascinada.
Se há um significado maior, não sei. Só sei que desejo ler de novo, em Português, e, se um dia eu puder, em Inglês. A edição da Nova Fronteira é bonita, bem diagramada e bem organizada, e com material de apoio maravilhoso.

site: https://www.instagram.com/p/By6UbFhjuZe/
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Paulo Silas 12/01/2020

O livro reúne 50 dos 154 sonetos que foram escritos por Shakespeare, abrangendo assim quase que um terço de toda a produção do escritor nesse estilo de escrita. Trazendo tanto os sonetos em sua versão na língua originalmente escrita, como nas traduções para o português feitas por Ivo Barroso, essa edição permite ao leitor ter o contato e apreciar a forma com a qual Shakespeare trabalhava a composição de seus versos poéticos. É um livro que traz, portanto, a veia poética num estilo próprio de um dos maiores autores da literatura mundial.

A escrita, o amor, o sentimento de pertença, memórias, a morte, alegria, tristeza e a angústia são algumas das questões que aparecem nos versos de Shakespeare, sempre trabalhados com esmero, de maneira reflexiva e tocante. São versos que convidam o leitor a se perder em meio aos sentimentos que deles surgem, a viajar pelos pensamentos que de cada linha se originam, a voar longe pelas abstrações e concretudes que se tornam possíveis pela poesia do autor. Cada soneto acarreta nesse pelo menos mínimo refletir. Veja-se o soneto 12 como exemplo:

"Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir no carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza não questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.
Contra a foice do Tempo é vão combate,
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate"

A edição da obra conta com uma nota introdutória de Ivo Barroso, responsável pela tradução dos sonetos, onde é narrada a pequena história de como se deram as traduções. Há também o prefácio feito por Antônio Houaiss em que se evidencia o primor do trabalho de tradução que foi realizado: "o leitor se comprazerá, por certo, na leitura dos sonetos de Shakespeare na recriação de Ivo Barroso, pois verá que são criaturas - a palavra é perfeita para o caso - que vivem vida vital em língua portuguesa. Mas se comprazerá mais ainda quando se puser a observar os prodígios de correspondências ou compensações isotópicas que foram consumados na transfusão tradutora". Há ainda, logo após os sonetos, para finalizar a obra, um estudo do soneto shakespeariano, assinado por Nehemias Gueiros, que fornece diversas e preciosas informações acerca do universo poético de Shakespeare nos sonetos. Uma edição rica, portanto, que vale a leitura!
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Murasakibara12 20/04/2020

É Shakespeare...
Amor, ódio e traição
Vida e morte
Bucólicos, sensíveis, divertidos... e uma pitada de dor de corno
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