Contos do Nascer da Terra

Contos do Nascer da Terra Mia Couto




Resenhas - Contos do Nascer da Terra


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isa.dantas 29/04/2019

Mia é certeiro quando diz que carecemos de um nascer da terra. Contos curtos, mas não por isso desprovidos de emoção.
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Biblioteca Álvaro Guerra 06/02/2019

Além de ser um dos maiores escritores de língua portuguesa dos nossos dias, recentemente agraciado com o prêmio Camões, Mia Couto trabalhou por alguns anos também como jornalista e contribuiu para diversos veículos de imprensa. A maior parte das histórias que compõem Contos do nascer da Terra foi publicada originalmente em jornais e revistas em 1996, e depois adaptada pelo escritor para este livro, que traz ainda um punhado de contos inéditos. Ao todo são 35 histórias breves que se baseiam no cotidiano quase mágico de Moçambique e exploram a sonora linguagem do português africano, revelando na escrita a identidade de um povo e o domínio muito próprio da cultura e da criatividade literária. Vemos aqui essa África que o Brasil tanto proclama como parte de sua própria matriz surgir na forma de contos que dão conta da diversidade e complexidade do mundo que, começando do outro lado do oceano, está tão presente na alma brasileira.

Livro disponível para empréstimo nas Bibliotecas Municipais de São Paulo. De graça!

site: http://bibliotecacircula.prefeitura.sp.gov.br/pesquisa/isbn/9788535924343
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Claudio 22/04/2017

"Nem tudo se explica, para que se compreenda melhor"

"Insetos sonham em ser olhados pelo sol. Mas só a chama da vela os vela"

"Esse lugar se senta em minha meninice como se o único território fosse o tempo"

"A machice é arrogância dos que têm medo, mais excluídos que emigrantes"

"É do pobre que a terra se alimenta"

"Sou crente só em chuva que cai e esvai sem deixar prova"

"Já perdi escolha doutor: a prisão me mata, a cidade não me deixa viver"
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Samuel.Basso 02/03/2017

Narrativa
Creio que nesse livro Mia se aproxima de uma narrativa próxima a de Guimaraes Rosa, utilizando-se de simbolismo e misticismo na criação dos personagens. É uma leitura muito rica na linguagem e na atmosfera criadas através das imagens, muitas vezes lúdicas, de um mundo metafórico e simultaneamente realista.
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Renata CCS 13/02/2015

Transbordância de palavras
-
Miudádivas, pensatempos (Para Manoel de Barros, meu ensinador de ignorâncias)

“Escuto, depois a enchente.
Longe, a água desobedece a paisagens.
O rio toma banho de troncos,
raízes da água se soltam.
Sigo de catarata, luz encharcada.
E peço desculpa á margem:
desconhecia as unhas de minha transbordância.
Meu sonho está cega para razões.
Sei só escrever palavras que não há.”


Conseguir retratar beleza em poucas linhas é a essência, a alma de uma obra de arte. Ao longo da minha leitura de CONTOS DO NASCER DA TERRA, uma série de ideias surgiu para tentar falar sobre a essência deste livro, mas foi lendo a contracapa que finalmente encontrei a melhor maneira de descrever os contos de Mia Couto que nem mesmo em um momento mais poético, mais íntimo e de elevação espiritual conseguiria equiparar: "Não é da luz do sol que carecemos. Milenarmente a grande estrela iluminou a terra e, afinal, nós pouco aprendemos a ver. O mundo necessita ser visto por outra luz: a luz do luar, essa claridade que cai com respeito e delicadeza. Só o luar revela o lado feminino dos seres. Só a lua revela intimidade da nossa morada terrestre. Necessitamos não do nascer do sol. Carecemos do nascer da terra".

São trinta e cinco histórias que falam de pessoas simples e apaixonantes, de suas raízes, da sua ligação com a terra, que despertam sorrisos e que apaixonam quem lê. Um livro para ir lendo devagar, pois as palavras nos deliciam. É preciso ir degustando cada conto, cada história, sem pressa.


“- Só eu tenho medo é do tempo...
- Que tem o tempo?
- É que o tempo namora com ele próprio. Só finge que gosta de nós...”
(A última chuva do prisioneiro – pg.26)

“Na vida tudo chega de súbito. O resto, o que desperta tranqüilo, é aquilo que, sem darmos conta, já tinha acontecido. Uns deixam a acontecência emergir, sem medo. Esses são os vivos. Os outros se vão adiando. Sorte a destes últimos se vão a tempo de ressuscitar antes de morrerem.”
(A filha da solidão – pg.47)

“Eu quero a paz de pertencer a um só lugar, a tranqüilidade de não dividir memórias. Ser todo de uma vida. E assim ter a certeza que morro de uma só única vez.”
(Falas do velho tuga – pg.112)


E se isso não basta, tem muito mais no lugar de onde esses vieram!
Nanci 13/02/2015minha estante
Que resenha encantadora, Renata - bela homenagem a esse escritor tão querido.


Renata CCS 18/03/2015minha estante
Obrigada, Nanci. Mia é sempre fonte de inspiração!




Rodrigo K.G 24/01/2010

Uma excelente compilação de contos do Moçambicano Mia Couto, com destaque ao conto Dedicado ao poeta Sul-Matogrossense Manoel de Barros.
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