Cecília de Bolso

Cecília de Bolso Cecília Meireles
Cecília Meireles




Resenhas - Cecília de Bolso


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Dirce 28/11/2010

Achados e perdidos.
MANHÃ DE CHUVA NA INFÂNCIA
(...)Eu sou a menina que vai para a escola
Com o seu casaquinho vermelho,
E os seus livros forrados de papel azul (...)

CANÇÃO
Pus o meu sonho num navio
E o navio em cima do mar
-depois, abri o mar com as mãos,
Para o meu sonho naufragar. (...)

RETRATO
(...) Eu não dei por essa mudança
Tão simples, tão certa, tão fácil:
-Em que espelho ficou perdida a minha face?

SONHEI UM SONHO
Sonhei um sonho
e lembrei-me do sonho
e esqueci-me do sonho
e sonhei que procurava
em sonho aquele sonho
e pergunto se a vida
não é um sonho que procurava um sonho

BIOGRAFIA
Escreverás meu nome com todas as letras,
com todas as datas
- e não serei eu.

(...) Somos um difícil unidade,
de muitos instantes mínimos
-isso serei eu. (...)

HUMILDADE
Tanto que fazer!
livros que não se lêem, cartas que não se escrevem,
línguas que não se aprende,
amor que não se dá,
tudo quanto se esquece .(...)

REINVENÇÃO
(...)
Porque a vida, a vida. A vida
só é possível
reinventada

Há pouco fiz uma pequena viagem e, em uma parada ,comprei esse pequeno grande livro. Segui a viagem embalada pela lírica de Cecília. Com ela "“viajei" e reencontrei o que há muito, estava perdido na minha memória: minha infância, sonhos esvaídos, minha juventude, constatações, e o otimismo para seguir em frente. Enfim, encontrei poemas que me pareceu minha fugaz biografia.
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Maria Faria 20/02/2011

Poesia maravilhosa
Os poemas são de uma beleza tão rara que, um único poema pode se multiplicar, variando de acordo com os sentimentos do leitor. O poeta é um artista louvável, já que é capaz de colocar no papel o sentimento que está dentro de cada um. Sempre gostei de poemas, mas nunca tive um livro de poemas. Sempre conheci os grandes autores, como Cecília Meireles, através dos resumos para vestibulares, dos poemas estudados em sala de aula ou através de leituras na internet. “Cecília de Bolso” foi o primeiro livro de poemas que comprei. Não poderia fazer melhor escolha, sempre gostei da forma como Cecília escreveu seus poemas, mas agora estou verdadeiramente apaixonada. O livro reúne 157 poemas e é difícil dizer de quantos gostei, porque amei quase todos. É aquele tipo de livro que começamos a ler e marcamos as páginas onde tem os poemas mais belos e sempre voltamos relendo vários deles.
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Guaranádoamazonasémassa 21/01/2017

Não sei distinguir no céu as várias constelações
Não sei distinguir no céu as várias constelações:
não sei o nome de todos os peixes e flores,
nem dos rios nem das montanhas
caminho por entre secretas coisas,
a cada lugar em que meus olhos pousam,
minha boca dirige uma pergunta.

Não sei o nome de todos os habitantes do mundo,
nem verei jamais todos os seus rostos,
embora sejam meus contemporâneos.

Não, não sei, na verdade, como são em corpo e alma
todos os meus amigos e parentes.
Não entendo todas as coisas que dizem,
não compreendo bem de que vivem, como vivem,
como pensam que estão vivendo.

Não me conheço completamente,
só nos espelhos me encontro,
tenho muita pena de mim.

Não penso todos os dias exatamente
do mesmo modo.
As mesmas coisas me parecem a cada instante diversas.
Amo e desanima, sofro e deixo de sofrer,
ao mesmo tempo, nas mesmas circunstâncias.

Aprendi e desaprendo,
esqueço e lembro,
meu Deus, que águas são estas onde vivo,
que ondulam em mim, dentro e fora de mim?

Se dizem meu nome, atendo por hábito.
Que nome é o meu?
Ignoro tudo.

Quando alguém diz que sabe alguma coisa,
fico perplexa:
ou estará enganado, ou é um farsante
- ou somente eu ignoro e me ignoro desta maneira?

E os homens combatem pelo que julgam saber.
E eu, que estudo tanto,
inclino a cabeça sem ilusões,
e a minha ignorância enche-me de lágrimas as mãos.

1960
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Renata 06/11/2014

Meu primeiro contato com a poesia...
Quando eu era menina achava que poesia era simplesmente fazer rima com algumas palavras bonitas, vivia copiando poemas e fazendo desenhos fofinhos nos meus cadernos...então eu cresci e deixei a poesia no passado.
Porém, esse livrinho de antologia poética da Cecília Meireles me fez trazer a poesia para o presente, me fez perceber que o poema não precisa rimar, não precisa necessariamente ter lógica. Ele precisa tão somente nos fazer sentir, seja melancolia, felicidade, nostalgia, emoção...enfim, é uma experiência.
Não foram todos os poemas que me cativaram, pois acredito que cada um fala pra determinado coração, mas entre os que eu mais gostei estão: Não sei distinguir no céu as várias constelações; Prelúdio da monção; e Conheço a residência da dor. E váaarios outros, rs.
Enfim, recomendo a todos que assim como eu não sabia o que era poesia.
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Pri 15/11/2016

Cecília de Bolso
Hoje venho falar de uma das minhas poetisas preferidas... Cecília Meireles.
Mesmo que você não seja muito chegado a poesias, essa é uma autora que vale a pena conhecer devido a sua grande importância para a literatura.
Esses dias comentei que estava perdendo as esperanças na humanidade e após a leitura de algumas obras, que me puxam violentamente para a realidade nua e crua, fico ainda mais entristecida por perceber toda a crueldade e nojeira que está acontecendo a nossa volta.
As poesias da Cecília, mesmo com toda dor e nostalgia me trazem um fôlego de esperança... não sei explicar ao certo a razão disso... mas devem ser as palavras objetivas, francas e perfeitamente encaixadas em seus poemas.
É uma poesia de fácil compreensão em que o leitor vai junto com o poeta, acompanhando o eu lírico por todos os seus dramas e aventuras.
Essa obra reúne 157 poemas que Cecília escreveu ao longo da sua vida, não constando apenas os poemas narrativos.
Suas poesias são extremamente sensíveis e profundas, visto que a autora sofreu, desde muito jovem, com grandes perdas. Seu pai faleceu três meses antes do seu nascimento, e sua mãe um pouco antes de Cecília completar três anos de idade. Além disso, Cecília foi a única sobrevivente dos quatros irmãos.
Mesmo assim, a autora não se deixou levar pela amargura, e nos agracia com a ternura de suas palavras, a sinceridade de suas emoções e seu comportamento sereno em relação à morte.


“Morrer é uma coisa tão fácil
que todas as manhãs me admiro
de ter o sono conservado
fidelidade ao meu suspiro”

Miséria

Cecília utiliza vários elementos da natureza em sua obra, porém o seu símbolo favorito definitivamente é o mar.
Além de escritora Cecília foi pintora, professora e jornalista. Uma super-mulher!
Essa edição de bolso é ideal para levar na mochila e poder dar aquela lida em qualquer momento do dia... Sabe aqueles momentos em que nossa alma clama por algo a mais, algo distante da superficialidade a que estamos acostumados a conviver... então, é nesse momento que a Super-Mulher Cecília surge para nos encantar.
Um dos meus poemas favoritos é "Motivo", porém como quase todo mundo já conhece vou colocar o trecho de outro que também gosto muito:


“Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces ? - me perguntarão.
- Por não Ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras ? Tudo. Que desejas ? Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra ... )

Quero solidão. ”

Despedida



É difícil falar sobre poesia, pois as sensações variam de acordo com o leitor, sua experiência de vida e o momento pelo qual está passando.
Mas uma coisa é fato, a poesia é sentida e não explicada.
A poesia está em nosso interior e alguns poemas simplesmente fazem ela florescer dentro de nós... outros não.
Beijos literários

site: http://thehouseofstorie.blogspot.com.br/2016/10/cecilia-de-bolso.html
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Léia Viana 10/09/2014

"A vida transborda por todos os cantos."
Tudo o que eu for escrever agora ficará muito pequeno diante do prefácio maravilhoso que Fabrício Carpinejar escreveu neste livro. Fiquei encantada com a poesia de Cecília Meireles, simples e tocante, que mexe com a nossa emoção de uma maneira muito particular, difícil de descrever em palavras.

E meu corpo é minha alma, e o que sinto é o que penso.

Este tipo de leitura deveria ser mais estimulado nas escolas, arte e a cultura, principalmente nacional, o aceso tem que ser mais fácil, precisamos apresentar a esta nova geração os talentos que o Brasil teve, de como transformavam os acontecimentos da época, positivos ou negativos, em belos poemas.

Qualquer palavra que te diga é sem sentido.
Eu estou sonhando, eu nada escuto, eu nada alcanço.
Quem me vê não me vê, que estou fora do mundo.

Leitura recomendada!
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