Um Grão de Trigo

Um Grão de Trigo Ngugi wa Thiong'o




Resenhas - Um Grão de Trigo


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Ananda Sampaio 23/09/2015

Um grão de Trigo, Ngũgĩ wa Thiong'o
Um grão de Trigo (1967) relata o movimento popular que deseja a independência do Quênia – até então colônia britânica. No romance, a rebelião batizada pelos ingleses de Mau Mau, mas que era nomeada pelos nativos de Exército Terra e Liberdade, é recapitulada – entre 1952 e 1960 foi declarado estado de emergência no país, devido a guerra, que matou uma quantidade absurda de quenianos.

Embora o movimento tenha sido massacrado pelos britânicos, mais tarde foi fundamental para a conquista da liberdade do país. O ex-preso político e revolucionário Mugo é o protagonista. Ele sobreviveu às mais terríveis torturas no tempo em que esteve nos campos de concentração e dizem nunca ter delatado nenhum companheiro ou repassado qualquer informação, e, por conta disso, é visto como herói. Entretanto, percebemos um personagem que carrega um sentimento de culpa e que, desde então, vive em total isolamento, não casou, sequer constituiu família e que se esquiva de tocar no assunto.

Kihika, líder da revolução da qual Mugo participou, foi preso devido a uma traição e morto em praça pública. Anos depois, alguns membros do movimento tentam desvendar quem teria sido responsável pela delação. Enquanto se desenrolam os fatos principais, o autor vai nos mostrando a história de cada um dos revolucionário, narrando que motivo levou cada um dos personagens a participar do movimento de independência. Alguns por plena convicção e até por aptidão com as questões políticas; outros, para se autoafirmar dentro de suas aldeias; e outros porque acreditavam nada restar a perder. Humanizando essas pessoas que entram para a História de seu país e que com o tempo adquirem um espírito de bravura indubitável, apesar de, muitos deles, temerem o que os aguarda.

As imposições religiosas, como a implantação do catolicismo no país; a alfabetização, que se dá nas escolas, e na língua inglesa, alimentando assim o desprezo pelas línguas maternas, e, consequentemente, enfraquecendo a cultura africana, muito baseada na oralidade. O desejo do escritor parece convergir para o leitor de forma que este possa conhecer a realidade do Quênia. Ele utiliza a literatura como instrumento de potencial reverberação de sua cultura e de seu país – que se vê relegado à sombra dos colonizadores. E não objetiva apenas atingir o leitor exterior ou estrangeiro, mas sim contar a história para os próprios quenianos, que pouco tinham referências literárias nacionais.

Um livro político, em várias de seus vértices. Seja porque foi o primeiro romance do Ngugi escrito em sua língua materna, gikuyo, ou porque traz em seu enredo a luta do povo por sua autonomia territorial, cultural e econômica. Vemos um país africano que devido à dominação britânica tem dificuldade de se reconhecer como um país de negros e dos negros.

Por: Ananda Sampaio (ananda.sampaio@gmail.com)

Revisão: Ceiça Souza (ceicinhasouza@hotmail.com)




site: http://www.portalodia.com/blogs/coletivo-leituras/um-grao-de-trigo,-ng%C5%A9g%C4%A9-wa-thiongo-248037.html
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Jose.Bueno 01/02/2019

Aprendizado humano, histórico e político
O autor entrelaça aspectos das relações humanas entre os personagens com suas vivências e reminiscências da guerrilha com a percepção cada vez mais forte que a Guerra de Independência não trará resultados para a própria população.

Em um trecho, um ex-guerrilheiro tem dinheiro para comprar parte de uma fazenda de um britânico que irá voltar ao seu país. O ex-guerrilheiro vai a Nairóbi procurar um deputado para ajudar na intermediação para conseguir um empréstimo no banco nacional para conseguir o dinheiro que falta e conseguir comprar a fazenda.
Após conversar com o deputado, volta para sua região. Ao passar em frente à fazenda, 2 ou 3 dias depois, vê uma placa dizendo que a fazenda era propriedade do deputado.
Triste e real.
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Diogo 15/01/2016

Belíssimo romance
É um livro que trata da independência do Quênia das garras do impiedoso colonizador inglês. O romance é complexo e envolve diversos personagens e a compreensão não é simples. Contudo, a maneira como o autor narra a história e penetra na mente do leitor é impressionante.

Uma verdadeira reflexão do nosso mundo e das coisas que nos cercam.

Recomendo!
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