Longe Deste Insensato Mundo

Longe Deste Insensato Mundo Thomas Hardy




Resenhas - Longe Deste Insensato Mundo


15 encontrados | exibindo 1 a 15


Pâm Possani 12/08/2021

Bucólico, meu mocinho lindo e a mocinha... Deixa eu com o Oak, vai
Longe deste Insensato Mundo é um romance de Thomas Hardy e sim,eu já tinha ouvido falar muito do autor, mas nunca tinha me aventurado pelas páginas.

Se eu me apaixonei pelo Oak facilmente na telinha, claro que eu já ia gostar dele logo de cara. Ele é simples, sincero, esforçado, inteligente, empático e é bonzinho. Meu mocinho perfeito dos clássicos, não tem como negar. Bathsheba, ao mesmo tempo que foi muito irritante, bem, eu me vi um pouco nela em alguns momentos, mas certamente ela não é a minha favorita desse livro. Só que eu devo confessar que ela me trouxe muitas surpresas.

Longe Deste Insensato Mundo é uma narrativa bucólica, que traz aquele toque do interior e ao mesmo tempo, traz alguns temas bem atuais: traição, familia, conceito que temos das coisas e das pessoas, a simplicidade da vida.
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Ari Phanie 06/05/2021

Eu queria ter passado Longe deste Insensato Martírio


Longe deste Insensato Mundo estava na minha lista de leitura há anos. Eu quis ler ele bem antes de Tess dos D'Urbervilles, o qual eu acabei lendo primeiro. Depois de assistir ao filme de 2015, as expectativas aumentaram e eu esperava, no mínimo, gostar desse livro tanto quanto do filme. E acabei percebendo que o que fizeram no filme merecia algum tipo de prêmio, porque esse é um dos clássicos mais penosos que já li na vida.

Para começar, Thomas Hardy é um dos grandes romancistas vitorianos da literatura inglesa, e as obras dele são muito características pelo tom pessimista e pela exaltação ao cenário bucólico, que ele descreve com maestria. Meu primeiro contato com o autor no ano passado foi melhor do que eu esperava, e eu nunca imaginei que minha segunda experiência fosse ser tão desagradável. Mas vamos lá para os motivos.

O livro em questão conta a história de Bathsheba Everdene, uma moça que herda uma fazenda e decide administrá-la sozinha. Hardy descreve Bathsheba como inteligente, independente, confiante, e também bastante coquete. E ela é mesmo bem coquete e inicialmente, até independente. Mas a medida que a história avança, fica claro que Bathsheba ‘tá longe de ser inteligente e confiante. Ela é na realidade, mimada, egocêntrica, volúvel e imatura. É uma personagem incrivelmente irritante e foi impossível pra mim criar qualquer vínculo ou ter empatia por ela. Só que o problema pra mim não reside na personagem em si, mas em como Hardy queria retratá-la. Eu não me lembro de ter sentido isso no primeiro livro dele (pelo menos, não a ponto de me incomodar tanto), mas o cara era um misógino de marca maior. Ele passa o livro todo (sério, TODO!) se referindo a mulheres de forma negativa; se utilizando de ideias estereotipadas. Em sua concepção, são todas instáveis, inseguras, fracas, incapazes de fazer algo com consistência. E quando Bathsheba é forte e inteligente, é porque ela é claramente, uma exceção. Não existiam mulheres fortes e inteligentes na época do Hardy, todas eram umas vacas doidas esperando por um guia. E os homens tem de estar sempre lá para fazer o certo e auxiliar essas malucas. É uma concepção tão míope, tão cansativa, tão desagradável que não há como relevar. Ele pode ter sido lá do século XIX, onde as mulheres eram vistas desse jeitinho mesmo que ele descreve, mas Jane Austen anos antes dele, criada na mesma sociedade patriarcal foi lá e descreveu suas heroínas como mulheres reais; indivíduos que tinham mais cores e nuances do que se ousava apresentar. As pessoas podem achar que não é um exemplo justo, já que Jane Austen era uma mulher e conseguia falar sobre seu mundo “feminino” com mais precisão, mas quando ela escreveu os personagens masculinos os fez também em várias camadas, sem se utilizar de estereótipos. Escritor que consegue retratar um gênero (o seu próprio) e faz uma cagada com o outro gênero (porque não é o seu) devia estudar melhor e conhecer melhor o ser humano, antes de escrever.

Como se não bastasse essa problemática, Hardy também escreveu três personagens masculinos intragáveis. Não bastava ter só uma protagonista péssima, para acompanhar precisava dos pretendentes radioativos. Oak era o mais interessante no começo. Sensato, sério, a voz da razão e da honra. Daí pra mim morreu poucas páginas depois. E praticamente sumiu na metade da história, dando mais espaço para o chernoboy Troy, que é a concepção exata do “cara errado”, e que serve para mostrar que Bathsheba é como qualquer outra mulher, né!? Uma tonta quando se apaixona. O terceiro envolvido na história é o INSUPORTÁVEL Boldwood, um homem obcecado que não sabe ouvir “não” e persegue Bathsheba irritantemente. Que personagem chato da porra, mds!

Fora esse “quadrado amoroso”, os outros personagens secundários são irrelevantes e não se destacam por nada. E como se não bastasse, as descrições dos cenários e passagens dos personagens falando coisas irrelevantes que não acrescentam nada à história, cansam num grau...! Enfim, esse é um dos piores clássicos que li ultimamente. Cansativo, machista e esquecível. Mesmo assim, ano que vem lerei O Retorno do Nativo e espero que Hardy me compense por esse martírio.
Evelin.Mayara 24/10/2021minha estante
Não existe interpretação certa e cada leitor tem a sua. Mas a sua visão de Thomas Hardy como um misógino/machista é no mínimo curiosa. Esse é o autor que teve que deixar de ser romancista e terminou seus dias somente como poeta, devido aos escândalos que seus últimos livros causaram na sociedade vitoriana. E um dos motivos disso foi justamente as críticas que ele tecia à hipocrisia da questão de gênero e o quão estrito esses arquétipos eram, ele era e é conhecido por subverter expectativas de gênero e por suas personagens femininas multifacetadas. Essa análise é feita repetidamente por acadêmicos (homens e mulheres) em artigos e ensaios no mundo todo. Esse é o autor que escreveu Tess dos D'Urbervilles em 1891 (censurado e que só consegue sair no ano seguinte), que é provavelmente o primeiro romance a de fato tratar da cultura do estupro e da culpabilização da vítima, no qual ele defende até o fim a pureza moral de sua heroína. Imagino que você não tenha se dado bem com a escrita de Hardy, que não tenha se atentado para o discurso indireto livre e, por isso, confundido o que é a visão do personagem reflexo da sociedade que ele critica e qual é de fato o ponto que o autor queria atingir.


Ari Phanie 24/10/2021minha estante
Oi, Evelin. Então, li Tess. Achei um ótimo livro, inclusive, nunca imaginei que fosse considerar o autor um machista. Mas ele é. Se você ler o livro, vai notar que não interpretei a opinião dos personagens, fiz a leitura do que o Hardy dizia nas entrelinhas e fora delas. Como a história comprova, ele não foi o único autor perseguido por suas opiniões e histórias, e isso, sem dúvida, não o isenta de ser fruto da sociedade e tempo em que foi criado, portanto, ele não está isento do tom paternalista e misógino que usa, está impresso na sua história de forma bastante clara. Se você ou outra pessoa não consegue enxergar isso, beleza, sem problema. Mas eu vejo. Abraços.


Evelin.Mayara 08/11/2021minha estante
Sim, eu conheço o livro bem, inclusive no original. Seria uma aberração de fato se Hardy falasse como um feminista da 4ª onda, todo autor é e deve ser fruto de seu tempo, por mais ''progressista'' que seja considerado. Autores foram perseguidos pela censura desde sempre, porém isso não anula o fato de que este autor específico o foi e o porquê. Creio que não seja justo nem eu nem você dizermos que quem estudou Hardy no original a vida inteira não consiga interpretar algo, tampouco acreditarmos que suas afirmações são dogmas. O que há são diferentes perspectivas e tudo bem. Poderia ser argumentado que nessa obra ele criou uma das personagens femininas mais complexas e resilientes moralmente da literatura em Bathsheba, ocupante de posição profissional inédita (ele afirma que ela é competente nisso e elogia seu traquejo com números, por exemplo), com algumas idiossincrasias tipicamente masculinas, reconhecendo a pressão social e a situando não nos extremos vitorianos do anjo doméstico nem da ''fallen woman''. Em Boldwood vemos uma loucura em moldes de histeria, que outrora só era retratada em mulheres. Em Troy, pseudoaristocrata, temos uma reflexão da inadequação dos traços estereotipados masculinos naquela sociedade. Em Oak percebemos inúmeras características tipicamente femininas (para os vitorianos) como desejáveis e adaptáveis: modéstia, intuição, gentileza, ética do cuidado e empatia, por exemplo. Novas interpretações são saudáveis para um clássico. Respeito a sua visão como tão válida quanto a minha. Abraço!


Ari Phanie 08/11/2021minha estante
Ah, sim, se vc que leu o livro no original e parece ser uma estudiosa do autor, tá falando, quem sou eu para opinar o contrário? Anotado. ?




Allana 21/04/2021

Eu me decepcionei!
O livro conta uma estória que tem um começo bem promissor e satisfatório sobre uma heroína que, embora muito jovem, sabe muito bem o que quer e o que não quer, mas sinto que o autor se perdeu no meio do caminho na construção dessa personagem, que não deixa de ser uma mulher extremamente forte, mas acaba sucumbindo as próprias dificuldades que as mulheres passavam na época, e perde boa parte do seu brilho.
Outro ponto que me decepcionou bastante foi que, na sinopse desse livro, tem a informação de que o autor descreve com extrema sinceridade as relações sexuais da época, então eu passei o livro inteiro procurando essa descrição, esse momento, e simplesmente não existiu, nenhuma relação sexual descrita!
Então se você, assim como eu, for ler esse livro somente com o intuito de saber como eram verdadeiramente as relações sexuais da época, sinto muito, irão se decepcionar também.
Evelin.Mayara 09/11/2021minha estante
A editora não te enganou com a sinopse. Este é um livro vitoriano de 1874, você jamais vai encontrar descrições explícitas de relações sexuais em romances de tal época. Porém, Hardy chegou a ter problemas com a censura justamente por criar personagens femininas que, assim como os homens, estão sujeitas a desejos sexuais. Na maioria da literatura vitoriana, como um reflexo da obsessão com a ''pureza'' feminina, a mulher ou era retratada como anjo do lar infantilizado ou como ''a mulher caída''. Raros são os autores como Thomas Hardy que são realistas com a sexualidade feminina e a hipocrisia social que a cercava. Isso sem dizer que há bastante simbologia sexual nesse livro.




fabio.orlandini 04/04/2021

Clássico
Por que ler um clássico? Além de uma escrita magistralmente elaborada, Thomas Hardy traz uma reflexão importante até os dias de hoje. Vale a pena se esquecer por uma grande paixão? Quais são os limites do verdadeiro amor? Quando ele vira posse? Quando vc deixa de gostar de si mesmo? Lindo, tocante.
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FLOGERI 16/12/2020

Ela quer ser livre
Bom
O livro e um classico sua narrativa e facil de entender não é arrastada. A personagem quer ser a frente de seu tempo mas em uma sociedade machista então e bom para termos uma perspectiva.
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Dayane 27/11/2020

Meu xodó do Thomas Hardy
Lembro que em 2015 quando assisti o filme que lançou naquele ano com o mesmo titulo do livro, eu mal sabia quem era Thomas Hardy, não conhecia o autor e muito menos que Longe Deste Insensato Mundo era um livro. Então assisti ao filme e fiquei pasma com a beleza da história, foi quando descobri o autor e o livro e lembro que na época, não achei o livro em canto nenhum. Até que tive o prazer de ler agora na pandemia em 2020, pela editora Pedra Azul. E mais uma vez, tive as mesmas sensações de quando vi o filme pela primeira vez, que história LINDA! Onde nós conhecemos a Bathsheba Everdene, e seu dilema entre 3 homens tão diferentes um do outro, com defeitos e virtudes e ao mesmo tempo , a sua luta para manter a fazenda que ela herda, em pé e rendendo bons frutos.
Quer saber mais sobre a minha opinião? Então clica no link e veja a vídeo resenha!
#1livroem5minutos

site: https://www.instagram.com/tv/CHz4Otfn-tc/
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Evelin.Mayara 08/09/2020

O sublime na simplicidade bucólica de Thomas Hardy.
Geralmente não faço resenhas no Skoob, todavia aqui estou porque essa obra-prima precisa de mais divulgação entre os leitores no Brasil. A escrita sinestésica de Thomas Hardy te captura nos primeiros parágrafos. Seus personagens estão entranhados na fictícia Wessex como parte da paisagem e são descritos mais como fenômenos da natureza do que como homens e mulheres. Bathsheba Everdene, mulher em uma posição social atípica e admirável para a sociedade vitoriana com tanta força, audacidade, charme e resiliência, mas que por estar inebriada na vaidade da inexperiência não conhece seu próprio coração. Gabriel Oak, um amálgama de lealdade, tenacidade, paciência, doçura e força de caráter, cuja descrição do sorriso cria uma das mais poéticas aberturas literárias que já li. Sargento Troy, sedutor inconstante apaixonado por si mesmo e incrivelmente egocêntrico até mesmo quando é humanizado. Boldwood, um homem que passa por um processo lento de degradação mental e que confunde uma obsessão pelo ser ideal que transfigurou sua visão da existência com amor. São com essas peças, unidas a uma galeria de personagens secundários vivazes e peculiares, que Hardy manipula genialmente a quietude dos acontecimentos ordinários (com seus esforços, mazelas e pequenas glórias) em comunhão com tragédias brutais verossímeis para criar uma narrativa que ressoa como realista e não usual. Ao fazer um desfecho que nos esclarece como o único tipo de amor que sobrevive a intempéries é aquele que tem a base sólida do companheirismo, da contemplação do outro sem disfarces e das experiências compartilhadas, ele desafia a visão do amor romântico como sinônimo de paixão e de posse. Um livro para ser lido e relido.
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Rafaelle 18/05/2020

Longe deste insensato mundo
Este livro foi meu primeiro contato com Thomas Hardy e tenho certeza que escolhi bem o livro por qual começar. Que história incrível!

No livro acompanhamos a história de Bathsheba Everdene, uma mulher bela, independente e que ao herdar uma fazenda de seu tio, decide administrá-la sozinha. Seu maior erro é a vaidade que por muitas vezes a faz buscar aprovação dos homens que a cercam sem pensar nas consequências.

Logo temos três homens disputando pelo amor de Bathsheba. Gabriel Oak, que a conheceu antes dela ser rica e se apaixonou por ela. Por um infortúnio do destino ele perde tudo que tinha e passada a trabalhar como pastor de ovelhas para Bathsheba. Temos também Mr. Boldwood, proprietário da fazenda vizinha à de Bathsheba e o sedutor sargento Troy.

A história se desenrola a partir das escolhas de Bathsheba, seus erros e acertos. Ela é obrigada a aprender a lidar com as consequências de sua impulsividade e a discernir quando seguir seu coração.

Bathsheba é uma personagem forte. Suas escolhas nem sempre são as corretas mas ela lida com as consequências de cabeça erguida. É uma mulher que possui defeitos ao invés de ser a personagem perfeita e talvez por isso seja tão fácil gostar dela.

"Ela era formada da matéria a qual as mães dos grandes homens são feitas. Era indispensável para a alta geração, odiada em festas de chá, temida em lojas e amada nas crises."

Gabriel Oak é outro personagem que se destaca por seu caráter irrepreensível. Mesmo ante as adversidades ele não perde sua bondade. A fidelidade e a forma como ele sempre é verdadeiro me encantaram. Um dos melhores mocinhos literários que já conheci.

Esse é um livro que já entrou para minha lista de favoritos e me fez desejar ler mais de Thomas Hardy.
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Mariana.Scolforo 06/03/2020

Uma leitura culta e fascinante, com romance, drama e disputas. Primeiro livro de Hardy que eu li e gostei muito da leitura!
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Carol 10/02/2020

Impressões da Carol
Livro: Longe deste insensato mundo {1874}
Autor: Thomas Hardy {Inglaterra, 1840-1928}
Tradução: Ellen Bussaglia
Editora: Pedrazul
328p.

"Longe deste insensato mundo" é vendido como a história de Bathsheba Everdene, às voltas com seus três pretendentes. Não bastasse um triângulo, temos um quadrilátero amoroso na era vitoriana, yay!

Mas Thomas Hardy é Thomas Hardy, não é? O livro entrega bem mais que o 'com quem a mocinha vai ficar?'. Amo as descrições de sua ficcional Wessex. A vida rural inglesa, em fins do século XIX: as montanhas, as plantações de trigo, as ovelhas, a igreja, a cervejaria. Um mundo há muito extinto. Lírico, poético e expressivo. Ô homem para escrever bem.

Como constrói personagens memoráveis. Ninguém é totalmente bom ou ruim. Todos estão propensos a cometer uma decisão impulsiva ou um erro na avaliação do caráter de alguém. E, diferentemente de em "Tess dos D'Urbervilles", temos um Hardy mais compassivo, que permite finais felizes.

Bathsheba, dentre tantas personagens vitorianas, é uma das mais independentes. Ao herdar uma grande fazenda, ela decide administrá-la por conta. Por outro lado, sendo jovem e bonita, mostra-se insegura ao buscar a validação dos homens de seu convívio.

O pastor Gabriel Oak, o sargento Troy e o fazendeiro Boldwood. Cada um a atrai por uma razão distinta, cada um com suas falhas e acertos. É gratificante ler sobre as interações entre esses personagens e suas trajetórias.

"Longe deste insensato mundo" foi o primeiro romance de Hardy a alcançar sucesso de público. Dos que li, é o mais solar. Por fim, sendo ousada e anacrônica, afirmo que o casal principal é altamente shippável, rs. Recomendo, com força.?

Ps. Há uma adaptação cinematográfica, lindíssima e bem fiel ao livro, com a Carey Mulligan, de Bathsheba, Matthias Schoenaerts, de Gabriel Oak e Michael Sheen, de William Boldwood.

"Falaram muito pouco de seus sentimentos. Frases bonitas e calorosas seriam, provavelmente, desnecessárias entre eles. O afeto deles era substancial, palpável. Os dois, que foram colocados juntos, conheciam os lados mais sombrios do caráter um do outro." p. 323
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Malu 29/11/2019

O livro é bastante ousado e criativo e gostei muito da lírica que Thomas Hardy empregou nele. Mas achei muito arrastado, os bons momentos demoram pra chegar. No entanto, o final foi apressado. Ainda assim, na minha opinião, vale a pena a leitura, mesmo que ele não tenha virado um dos meus preferidos. A delicadeza das descrições e as personalidades dos personagens fazem de Longe Deste Insensato Mundo uma leitura prazerosa e interessante.
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Flávia Pasqualin 21/03/2019

Bathsheba é uma moça pobre que vê sua vida mudar ao herdar uma propriedade rural. Forte e determina ela ignora os preceitos da época e decide ela mesma tomar conta de tudo sem necessitar de um administrador para isso. Chamando a atenção por seu espírito destemido e autoconfiante ela desperta a cobiça de três homens distintos. Um deles é Gabriel Oak que a conheceu quando ela ainda era pobre; Após perder sua propriedade o destino o leva novamente ao encontro de sua amada Bathsheba. O outro é um fazendeiro rico de meia idade muito respeitado na região, o sr. Boldwood, que depois de uma brincadeira de mau gosto passa a nutrir uma certa obsessão por Bathsheba, insistindo que ela seja sua esposa. Pra finalizar temos o sargento Troy, um homem atraente e sedutor, mas de índole duvidosa por ser conhecido como um conquistador barato. É entre sentimentos conflitantes e homens tão diferentes que Bathsheba ditará o rumo de sua vida, dividida entre o certo a se fazer e o que seu coração realmente deseja.
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Evy 19/12/2017

Caro leitor: Essa não é uma simples resenha, é uma semeadura de amor.

Há livros que conseguem se conectar de tal forma ao leitor que você sabe que ao terminá-lo algo em você será mudado ou acrescentado. Esse livro se encaixa nessa categoria especial destinada a livros da magnitude de uma escrita tão plena.
Lógico, a experiência literária é algo pessoal, não há como prever impactos que livros terão sobre cada um, então esta resenha (ou semeadura de amor) é apenas uma expressão de minha impressão.

Longe Deste Insensato Mundo narra as desventuras e histórias de vida de personagens dentre os quais se destaca: Batsheba Everdene e Gabriel Oak. Tudo o que ocorre na trama está ligado direta ou indiretamente a esses dois, principalmente à Batsheba, pois as inconstâncias de suas ações são em sua maior parte os ditames das ocorrências encontradas neste livro.
Ao começar o livro damos de cara com o ponto de vista de Gabriel Oak narrando as ocorrências de sua vida desde que pôs os olhos em Batsheba; um fazendeiro iniciante, Gabriel logo se encanta por Batsheba (por razões que me foram incompreendidas logo de início), que até então era uma pobre moça cujo o que tinha de mais valor aparente era a beleza, encarei a Batsheba jovem apenas como uma jovem frívola cujo maior defeito, a vaidade, a fazia encarar o mundo com arrogância. E a agorrância pode ser sim um ponto de infelicidade constante.
Eu amei o Gabriel Oak desde a primeira frase do livro (literalmente), este homem de força tranquila consegue causar uma profunda impressão desde o primeiro instante de contato.
“Quando o fazendeiro Oak sorria, os cantos de sua boca estendiam-se até bem perto de suas orelhas, seus olhos se reduziam a fendas estreitas e apareciam rugas em volta deles, espalhando-se por seu semblante como os raios de um desenho rudimentar do sol nascente.”

Apaixonado por Batsheba, Gabriel logo a pede em casamento apenas para ser rejeitado, sua amada parte para longe, mas:
“Deve-se observar que não há um caminho regular para escapar do amor como há para encontrá-lo. Algumas pessoas veem o casamento como um atalho, mas que é conhecido por ser falho. A separação, que era a oportunidade oferecida a Gabriel Oak pelo desaparecimento de Batsheba, embora válida para pessoas de certos temperamentos, no dele intensificou a idealização do ser removido, aumentou a plácida afeição, fê-la constante em sua mente, pois fluiu profunda e demoradamente. Oak pertencia à ordem tranquila da humanidade, e sentia a fusão secreta dele mesmo em Batsheba, queimando numa chama mais fina agora que ela se fora, era isso.”

Com o coração magoado ele passa por outra provação que o faz voltar à estar em contato constante com a Batsheba, agora como seu empregado e ela a rica dona de uma próspera fazenda (os porquês e comos deixo para o próprio livro se explicar), passando a testemunhar as desventuras e aventuras de sua amada.
A partir desse reencontro a narrativa começa a se diversificar nos mostrando o ponto de vista de vários outros personagens, incluindo a própria Batsheba, entramos na mente desta mulher tão complexa para os personagens masculinos desta história e devo dizer que apenas vim enxergar o que homens como Gabriel Oak, Mr. Boldwood e Troy (tão diferentes cada um mas conectados pelo confuso coração de Batsheba), viam em Batsheba para nutrirem tais sentimentos profundos por ela (ou no caso de Troy, uma inclinação mais forte do que com outras), perto do fim. A Batsheba representava o que faltava na vida de cada um destes homens. Do Gabriel, uma companheira de vida. Do Mr. Boldwood, o sentir, o desaparecimento da inércia sentimental. Do Troy, uma consciência (de todas as mulheres na vida do Troy ficou claro que a Batsheba foi aquela que mais teve contato com o verdadeiro Troy).
Foi fascinante, glorificante e significante, embarcar nesta história entre tais personagens tão bem desenvolvidos que lançam um holofote sobre as facetas comportamentais dos seres humanos. Meu propósito aqui não é narrar um pouco sobre a história para despertar a curiosidade de outros por ela, e sim, narrar minhas impressões sobre ela para que germine em quem ler estas palavras, a vontade de conferir esta incrível obra.
Thomas Hardy é um escritor que eu gostaria de ter tido a oportunidade de ter uma conversa. Suas descrições, sua forma narrativa, sua imaginação e sua disposição em conseguir transmitir tudo o que estava propondo com esta história, é digno de admiração. Não são todos os escritores que conseguem esta proeza. Principalmente uma coerência psicológica dos personagens, e nisso Hardy teve total controle.
Mais do que um romance, Longe Deste Insensato Mundo transmite com palavras a visão do comportamento inconstante do coração de uma mulher, e o quanto uma mulher deve estar pronta para aceitar as consequências disso até encontrar o equilíbrio necessário.

Quote favorito:
“(...) Falaram muito pouco sobre seus sentimentos. Frases bonitas e calorosas seriam, provavelmente, desnecessárias entre eles. O afeto deles era substancial, palpável. Os dois, que foram colocados juntos, conheciam os lados mais sombrios do caráter do outro. O romance, agora, cresceria nos intersícios de uma massa da realidade dura e prosaica. Esta boa-comunhão-camaradagem, que geralmente ocorre através da semelhança, é, infelizmente, raramente adicionada na busca do amor entre os sexos, pois homens e mulheres não se associam em seus trabalhos, mas em seus simples prazeres. Onde, no entanto, a feliz circunstância permite o seu desenvolvimento, o sentimento prova ser o único amor que é forte como a morte, o amor que muitas águas não podem apagar, nem os rios afogar, ao lado do qual a paixão normalmente é evanescente como vapor.”
Laís 19/12/2017minha estante
Que resenha!! Eu não li o livro, mas já assisti o filme, e adorei! O filme foi extremamente bem feito, porque essa passagem que você colocou sobre o Gabriel, sobre o sorriso, a sensação é idêntica no filme! Incrível! Os atores pelo jeito foram muito bem selecionados. Agora preciso ler o livro!


Evy 19/12/2017minha estante
Laís, essa passagem sobre o sorriso do Gabriel é a primeira frase do livro e se no filme conseguiram passar isso, se concentraram-se nesses pequenos detalhes tão importantes, com certeza vale a pena a apreciação de ambos. Teu comentário só me fez querer mais ver o filme!


Polly 19/12/2017minha estante
Assisti o filme e amei! Depois da sua resenha vou ler o livro tbm.


Evy 19/12/2017minha estante
Polly, você não vai se arrepender! Se você já amou o filme, o livro só vai incrementar o sentimento *-*


raissa.pinto.9 26/12/2017minha estante
Que resenha é essa? É uma obra prima! Ja encomendei o meu, vai ser uma das metas pro ano que vem! Junto de Little Dorrit


Evy 27/12/2017minha estante
Raissa que maravilhaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Sei, sem sombra de dúvida, que você irá amar.
E lembre de se abastecer com post-its ou marcadores kk, vá por mim que você vai precisar.

Ai Little Dorrit *-------------*
Uma das minhas prioridades para este ano que chega.


raissa.pinto.9 28/12/2017minha estante
Pode deixar! Estou bem animada para essas leituras!


MARYNHA 14/01/2018minha estante
Parabéns pela sua resenha. O filme ficou simplesmente maravilhoso. Agora quero ler o livro. Fico admirada com a sensibilidade destes escritores de tal época. Jane Austen e principalmente um escritor . Este é também um clássico, merecia até uma série de 3 a 4 temporadas bem feitas.


Evy 09/04/2018minha estante
Não se fazem mais aos montes escritores como antigamente rsrs'
A diferença era que eles sabiam tocar o coração, perturbar a paz e trazer profundas reflexões a um leitor.


Gizalyanne 23/06/2018minha estante
Amei sua resenha!!!




Tamires 16/12/2016

Longe deste insensato mundo, de Thomas Hardy
Longe deste insensato mundo é um romance escrito por Thomas Hardy, publicado originalmente em 1874, sendo já nesta época um Best-seller. Neste livro, Hardy usa pela primeira vez o cenário rural que criou para suas histórias, Wessex, retratando o sudeste da Inglaterra, que ele conhecia muito bem.

O livro narra a história de Bathsheba Everdene, uma jovem que no início da história é pobre, mas logo tem sua vida transformada ao receber a herança de um tio, tornando-se dona de uma vasta propriedade rural. Antes de se tornar fazendeira, ela é pedida em casamento por Gabriel Oak, mas recusa-o, pois não se vê feliz ao vislumbrar um casamento. Afirma não amá-lo e dá sinais de ainda não estar pronta para tal compromisso, o que, para época, poderia ser considerado um tremendo disparate.

“‘Farei uma única coisa nesta vida, uma coisa certa, que é amá-la e esperá-la, e continuar a desejá-la até morrer.’ A voz dele tinha uma compaixão genuína agora e suas grandes mãos tremiam perceptivelmente.

‘Parece assustadoramente errado não aceitá-lo quando você tem tanto sentimento!’, disse ela com um pouco de angústia, olhando ao redor sem esperanças de escapar de seu dilema moral. ‘Como gostaria de não ter corrido atrás de você!’ No entanto, ela parecia encontrar um atalho para reencontrar a alegria e ajustou seu rosto para parecer brejeira. ‘Não seria possível, Mr. Oak. Quero alguém que me dome. Sou independente demais. Você nunca conseguiria, sei disso.’” (p. 29)

Assumindo a posição de fazendeira, Bathsheba dá mais sinais de sua personalidade forte e independente, pois, ao demitir o administrador da fazenda por motivo de roubo, decide, ela mesma, cuidar da administração da propriedade. Apesar de ser um romance vitoriano, Hardy não escreveu sua protagonista seguindo os moldes da época. Miss Everdene não é um modelo de candura, e sim uma mulher forte, que comete erros e tem seus momentos de acerto, como todas nós. Encanta, neste livro, o realismo dos personagens, suas declarações e, claro, as belíssimas paisagens da Inglaterra rural.

“‘Agora prestem atenção, vocês têm uma patroa em vez de um patrão. Ainda não conheço o meu poder e meus talentos para a agricultura, mas devo fazer o meu melhor e se me servirem, servirei a vocês. Se houver alguém desleal entre vocês (se houver alguém, mas espero que não) achando que por eu ser uma mulher não entendo a diferença entre mau e bom comportamento.’
‘Não, dona’, disseram todos.
‘Muitíssimo bem observado’, disse Liddy.
‘Acordarei antes de vocês; estarei nos campos antes que cheguem e tomarei o meu desjejum antes que estejam nos campos. Resumindo, surpreenderei todos vocês.’” (p. 68)

Quando a protagonista pensou ter deixado sua antiga vida para trás, eis que surge novamente em sua vida Gabriel Oak. O homem ajudou os funcionários de Bathsheba a salvarem o trigo da fazenda que estava prestes a ser consumido em um incêndio. Tendo perdido sua propriedade, Oak torna-se funcionário de Bathsheba, no cargo de pastor de ovelhas. Com o desenvolvimento da história vemos uma relação de cumplicidade acontecer entre Gabriel e Bathsheba. Ele, mais que um homem apaixonado, dispõe-se a ajudar e a aconselhar a jovem sempre que é preciso. Fiquei encantada com o personagem, modelo de tudo o que uma mulher poderia desejar em um homem.

Miss Everdene, apesar de assumir um posto que demandava muita responsabilidade, era apenas uma jovem, e, como toda jovem, era dona de um coração inconstante. Além de Gabriel, ela despertou os sentimentos do respeitável fazendeiro de meia idade, Mr. Boldwood. A princípio, ele não a havia notado, mas, a partir de uma brincadeira com um cartão de dia dos namorados, ele apaixona-se perdidamente por Bathsheba.

“‘Oh, o fazendeiro Boldwood’, murmurou Bathsheba e olhou para ele enquanto este ia ainda mais rápido. O fazendeiro não virou a cabeça em nenhuma vez, seus olhos estavam fixos num ponto mais distante da estrada, que passou tão inconscientemente e distraidamente como se Bathsheba e seus encantos fossem o mais diluído ar.’” (p. 76)

“‘Sofro – muito – ao pensar’, declarou ele com simplicidade solene. ‘Venho conversar com você pela primeira vez. Minha vida não me pertence mais desde que a vi, Miss Everdene. Venho para pedir-lhe em casamento.’” (p. 103)

Em um esbarrão na mata de abetos, surge o Sargento Troy. Um encontro inusitado, após o entardecer entrelaça, literalmente, o destino dele e de Bathsheba. A roupa dela ficara presa na espada do oficial. Neste incidente, surgem os primeiros diálogos e uma tensão sexual entre os dois, principalmente da parte da jovem.

Troy é um sedutor por natureza, e consegue fazer com que Bathsheba perca o juízo. Nos dias atuais, ele certamente seria um flerte, ou um caso de uma noite só. Mas estamos no século XIX, Inglaterra Vitoriana, então desde a sua primeira aparição não é difícil imaginar o caos que o personagem será capaz de causar na vida da nossa protagonista e dos seus admiradores.

“‘Bathsheba amou Troy da maneira que somente as mulheres autoconfiantes amam quando abandonam sua autoconfiança. Quando uma mulher forte de forma imprudente joga fora sua força é pior do que uma mulher fraca que nunca teve força para jogar para fora. Uma fonte de sua inadequação é a novidade da ocasião. Ela nunca teve prática em fazer o melhor de tal condição. A fraqueza é duplamente fraca por ser nova.’” (p. 152)

“‘E os defeitos de Troy ficavam completamente distantes da visão de uma mulher, enquanto seus encantos estavam bem na superfície, contrastando assim com o humilde Oak, cujos defeitos eram evidentes a um cego e cujas virtudes eram como metais em uma mina.’” (p. 153)

Longe deste insensato mundo foi o primeiro livro que li de Hardy e, certamente, não será o último. Suas descrições na medida certa e seus personagens inconstantes e errantes tornaram-me a mais nova fã de carteirinha do autor. Vi que muitas pessoas criticam sua Bathsheba. Eu a amo justamente por ser uma mulher falha, que aprende com a vida e com as circunstâncias. Um romance inesquecível e uma das melhores leituras do ano.


Além de tudo o que falei acima, que é só uma parte da história para que o leitor da resenha não perca o prazer de surpreender-se com Longe deste insensato mundo, preciso dizer mais uma vez, pois quem me acompanha nas redes sociais já sabe, o quão maravilhoso foi ter esta que é a primeira edição dessa super história, em português, dedicada a mim. Serei eternamente grata à Pedrazul Editora pelo carinho comigo nesta edição.

site: http://www.tamiresdecarvalho.com/resenha-longe-deste-insensato-mundo-de-thomas-hardy/
MARYNHA 14/01/2018minha estante
Excelente, eu vejo o filme um milhão de vezes, tipo Orgulho e Preconceito , este é também um clássico. Quero ler o livro em breve.




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