O Livro e a Espada

O Livro e a Espada Antoine Rouaud


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Resenhas - O Livro e a Espada


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Hoje é dia de Livro 18/05/2018

Resenha por Hoje é dia de livro
Em um universo onde todo o poder de um Império é ameaçado por uma revolução, um general, fiel a forma de governar de seu imperador, lutará para defender aquilo em que sempre acreditou. Conhecido por muitos e admirado por seus feitos, ele, após quase perder a vida, tomará para si a responsabilidade de treinar seu jovem aprendiz, o mesmo que o salvou da morte certa, para se tornar um renomado e grande cavaleiro e principalmente, para seguir as doutrinas desse Império e lutar por ele. Um laço afetivo nascerá dessa união, entre mestre e aprendiz, porém até onde conhecemos realmente uma pessoa, seus objetivos, mágoas, seu passado? Restará ao general Dun-Cadal descobrir, de modo infeliz, tal resposta.

Como leitora, a maior gratificação ao ler um livro é ser surpreendida por sua história. Adentrar em um universo, pelo qual já se espera determinados acontecimento, mas ao final, ver que na verdade ele ofereceu muito mais, é simplesmente maravilhoso. E foi assim com a obra de Antoine Rouaud, que de "mais um", passou para uns dos quais mais admiro do gênero, ficando junto com àqueles que realmente conseguiram deixar sua marca.

O Livro e a Espada é um livro único, uma história distinta das demais. Nele conhecemos personagens cativantes, que evoluem e ganham nossa afeição a cada página. Tomamos suas dores, seus sentimentos, evoluímos juntos... Queremos estar ali, participando de cada evento, travando batalhas por um bem maior.

Acontecimentos inesperados, que surpreendem e deixam o leitor ávido por sempre mais, são constantes. Fui pega de surpresa em várias partes do livro e como consequência, me vi presa na leitura, até o seu fim. E como finalizar uma história como esta? Foi-se necessário parar em vários momentos para absorver os acontecimentos, pensar naquilo que acabara de ler e principalmente lidar com os sentimentos que jorravam desenfreadamente.

Rouaud ganhou minha admiração ao trazer em sua obra, um universo tão singular, com direito a dragões, magia, batalhas épicas, o velho e bom romance e principalmente a questão de trabalhar as relações humanas, e muito mais! Essa é uma obra que agradará todo leitor, não somente os admiradores de uma boa fantasia, mas qualquer um que busque uma história rica em conteúdo, prazerosa e, novamente, marcante! Fica agora a difícil tarefa de lidar com a espera da continuação, uma muito tarefa complicada, aliás!

site: http://www.hojeediadelivro.com.br/2018/05/resenha-o-livro-e-espada_18.html
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Rogério Augusto | rogerioaugusto_ 09/05/2018

Uma grata surpresa
Eis uma grata surpresa de 2018. O Livro e a Espada é um dos lançamentos da Editora Arqueiro, e até então, pouco divulgado por eles, e pouco falado pelos leitores. Encontrei o livro na única livraria que tem na cidade onde moro, e já que era uma novidade, resolvi arriscar. E ainda bem que arrisquei.

Rouaud nos apresenta Dun-Cadal Daermon, um ex-general de guerra que servia o antigo Imperador Reyes. Mas no presente, Dun é apenas um velho fracassado, que vive de taberna em taberna deixando o álcool consumir as glórias do seu passado, e consequentemente a sua vida.

É nesse contexto que surge a figura da historiadora Viola, uma jovem que está a procura de um velho soldado que, segundo dizem, sabe a localização de uma das maiores relíquias do antigo império, a Espada do Imperador.

?Chega um dia em nossa vida, o cruzamento daquilo que fomos com aquilo que somos e aquilo que seremos. Nesse momento, ao término de tudo, é que decidimos qual será o nosso fim. Com orgulho ou vergonha da trajetória percorrida.?

A forma como a história é contada, me lembrou um pouco As Mentiras de Locke Lamora, mas calma, não estou dizendo que ambos os livros possuem a mesma proposta, apenas que é dividido entre passado (na forma de interlúdios) e o que acontece no presente do velho general. Alguns talvez achem que isso acaba estragando o clímax da trama, mas ao meu ver, o autor soube intercalar isso tão bem que apenas enriqueceu.



O Livro e a Espada é dividido em duas partes, na primeira vemos o encontro da historiadora Viola com Dun, e aos poucos vamos descobrindo como o general conheceu numa região de guerra um jovem chamado Rã, porque o império sofreu seu declínio e como isso interferiu na queda do próprio Daermon. Já na segunda parte, são reveladas algumas partes do passado de Rã, e se na primeira parte, o foco foi pela busca da espada, aqui é exposta a relação que o Livro do Destino, o Lieber Dest, tem com a arma.


O cenário desenvolvido pelo autor, que é francês, lembra em muitos aspectos uma França da Idade Moderna. Além disso, pode-se perceber como Rouaud trabalha a queda de um império para o inicio de uma republica, e o que representa a democracia nesse sistema de governo.

Como uma boa fantasia, aqui o leitor encontrará um sistema de magia, o Sopro. Nada muito complexo, mas ao mesmo tempo encantador, engloba os pulmões e o mundo ao redor do usuário, enchendo de ar e de magia. Conforme fui entendendo como funcionava, não teve como não lembrar do Fus-Roh-Dah, um grito de dragão do jogo Skyrim, da franquia The Elder Scrolls.

?Toda ferida acaba se fechando. Ficam as cicatrizes para nos lembrar de sua existência. E, embora a dor se torne menos intensa, nunca deixa de ser profunda.?

Enfim, quem ler será presenteado com uma história que mostra onde existem glórias passadas, da mesma forma existe muita dor e sofrimento. Muitos autores gostam de mostrar como seus protagonistas se tornaram lendas, aqui você verá como o personagem principal acabou se tornando uma vergonha, uma sombra de si mesmo. Mas além disso, se trata de uma história de identidade, de lutar contra o destino e qualquer dogma, e que quem faz a sua própria vida, é você mesmo.
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Cia do Leitor 07/05/2018

O Livro e a Espada
Viola vai até a cidade de Massália em busca de um ex-soldado chamado Dun. Segundo suas informações, esse soldado saberia a localização da lendária espada do antigo imperador, uma relíquia que se perdeu no meio do caos em que a atual república foi instaurada. Viola é uma historiadora e diz estar apenas interessada no fator histórico que tal espada representa, não por acreditar em seu poder. E tão pouco ela estaria interessada em punir esse ex-soldado, que um dia serviu ao império.

Mas eis que o seu simples soldado, beberrão, na verdade se revela um antigo e famoso general do império. Um homem com um passado glorioso, mas com um presente vergonhoso e um futuro incerto. Dun-Cadal já foi um dos maiores generais que o império teve, com um papel importante em diversas batalhas, incluindo batalhas na época em que o império ainda resistia contra a revolução que criou a república atual. E é por isso mesmo que ele inicialmente não confia em Viola, pois após a implantação da república diversas pessoas ligadas ao império foram executadas no chamado expurgo.

"Não há nenhuma honra em matar, menino. Nenhuma. Pouco importa como você dá o golpe. Não há glória nenhuma em citar uma vida."

Porém de uma forma sutil, Viola consegue fazer com que Dun-Cadal reconte um pouco de seu passado. Com um pouco de incentivo e muito álcool, Viola começa a descobrir mais sobre o glorioso caminho do general. E Dun-Cadal irá narrar tudo que passou desde o início da revolução, mesmo que na época a mesma não passasse de uma revolta bem restrita a uma localização. E conforme ele narra os eventos do passado, nós mergulhamos junto com a sua narrativa, acompanhando todas as batalhas e etapas da guerra que mudou completamente a sociedade. Mas também acabamos descobrindo o lado humano do general, sua história pessoal e não somente da guerra. Pois logo de início um nome já surge em sua narrativa com um enorme peso emocional para o general, um nome que Viola nunca ouviu, quem seria essa misteriosa pessoa do passado de Dun-Cadal?

Entretanto, por mais que o passado seja rico de eventos grandiosos, Viola e Dun-Cadal logo irão descobrir que o presente também exige a atenção deles. Um assassino está a solta em Massália, matando os conselheiros da nova república, homens que no passado também serviram ao império. Esse assassino parece ser uma sombra desse passado sombrio que voltou em busca de vingança contra aqueles que traíram o imperador. E agora o passado irá ser vital para determinar o futuro.

"Lutar com uma espada é fácil. Mas, para vencer os próprios demônios, a lâmina não tem qualquer serventia. Você, que está aí de joelhos, já sem orgulho nenhum, levante-se, mesmo trêmulo, e recobre sua dignidade. Pois ela é de fato a única arma que o protege dos poderosos."

A narrativa desse livro é extremamente envolvente. Ora no passado, ora no presente, no desenrolar da estória vamos vendo como os eventos das duas narrativas estão intricados, como para entender um é preciso conhecer outro. Embora Dun-Cadal conheça o seu próprio passado, esse passado ganha uma nova luz ao ser revisitado. Principalmente com as ações do assassino em Massália, e também pelo fato de que nós não o conhecemos, hahahaha. Desde os primeiros eventos narrados até o presente se passam mais ou menos 20 anos, muito tempo, mas ao mesmo tempo parece ser muito pouco. Tantas coisas acontecem ao longo dessa estória, mas eu fiquei com a sensação fui tudo muito breve. Isso se deve ao fato de haver saltos temporais e de um outro motivo que não posso contar.

Embora a Viola pareça ser importante, nesse livro sua participação é bem modesta. Por mais que ela apareça bastante no início da estória, Dun-Cadal rouba a cena com a sua narrativa da guerra. Eu gostei bastante dos personagens, embora eu tenha tido vontade de bater em alguns, cujo nomes não posso revelar. Outro destaque para o livro é a própria revolução e o antigo império. Como sempre, jogos políticos determinando o futuro do povo enquanto seus governantes tem sua própria agenda secreta, então preparem-se para as conspirações.

"Que ironia… Eu sempre soube dar a morte… mas nunca soube dar a vida…"

O império, em si, um dia foi grandioso. Existe um potencial enorme só em sua história, nesse livro não chegamos nem perto de conhecer tudo. Somos apresentados principalmente a religião e ao exercito que ele possuía, mas mesmo esses não foram muito aprofundados, pois o foco foi principalmente nos personagens e na política. Tenho grandes expectativas referentes aos próximos livros. Quero desbravar mais cidades, cultural e povos, além de mergulhar mais na história que foi introduzida nesse volume.

Enfim, o livro realmente me pegou e me arrastou ao longo das páginas. A edição do livro está ótima, eu adorei a imagem que ilustra a capa. As páginas são amareladas e não tive problemas com o tamanho da fonte, mesmo lendo no ônibus.

"Qualquer que seja o motivo dos seus atos, quer você os justifique ou não, nunca haverá desculpa para ceifar a vida de quem quer que seja."

O engraçado é que eu pensava que o livro era único, então quando me aproximava do final eu comecei a ficar preocupada, porque temia que o livro teria um final abrupto. Mas as últimas páginas não deixam dúvidas de que haverá uma continuação. Não me recordo de ter lidos muitos livros de literatura fantástica franceses, mas esse dúvida se destacou. Eu realmente adorei o livro e sem dúvidas o recomendo, principalmente para quem gosta do gênero.

Resenha de Patricia Paiva no blog Cia do Leitor

site: http://www.ciadoleitor.com/2018/05/resenha-o-livro-e-espada-de-antoine.html
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Julia G 27/04/2018

O Livro e a Espada
A capa sombria de O Livro e a Espada, de Antoine Rouaud, somada aos comentários sobre o livro feitos pelos leitores estrangeiros, levaram-me à curiosidade de conhecer por mim mesma essa história. Ao abrir o volume, deparei-me com uma trama densa e detalhada sobre intrigas, política e traições, mas que vai muito além disso. A obra se diferencia de todos os livros de fantasia que li, por vários motivos que vou detalhar mais à frente e, ao mesmo tempo em que me incomodou em diversos aspectos, a escrita de Antoine Rouaud me fisgou completamente.

O enredo conta a história de Dun-Cadal, um ex-general do Império que era considerado um herói, mas que agora se esconde atrás de canecos de vinho na esquecida cidade de Massália, já em uma época em que prospera a República. Quando Viola, uma jovem historiadora, aparece na cidade à sua procura para tentar recuperar a espada do Imperador, as lembranças daquele tempo afloram e trazem de volta a dor da perda de seu pupilo, Rã.

"- Pensei que estava falando com o grande Dun-Cadal, mas pelo jeito estava errada. Olhe só para o senhor... Não é nem a sombra do que foi um dia. Não passa de uma casca vazia, sem nenhuma dignidade, que só sabe erguer o copo com amargura."

O livro, dividido em duas partes, é narrado em terceira pessoa e alterna, dentro de um mesmo capítulo, passado e presente. Cada cena do presente se interliga a uma do passado, inclusive com ecos de memórias que às vezes se intercalam no mesmo texto. Essa construção é confusa no início, já que não fica claro quanto tempo teria se passado entre os acontecimentos. No decorrer das páginas, porém, o enredo vai ganhando corpo e clareza e, com os detalhes que se juntam para deixar as respostas necessárias ao leitor, logo tudo fica fácil e incrivelmente instigante.

A primeira parte tem como foco Dun-Cadal e mostra, por seu ponto de vista, as guerras e tramas políticas que levaram à queda do Império. Na segunda metade da obra, marcada por uma grande revelação, o foco se volta para outro personagem. É essa segunda parte do livro que guarda as grandes reviravoltas e, diferentemente de muitos leitores que acharam essa parte mais lenta, foi o trecho que mais gostei, visto que Rouaud desconstruiu quase todas as minhas impressões e mostrou que os acontecimentos podem ser bem diferentes se vistos por outros ângulos.

Outro aspecto interessante trazido pelo autor foi a dubiedade de seus personagens. Dun-Cadal, por exemplo, era nitidamente um homem íntegro, tanto quanto se pode ser em uma guerra, mas isso não fez dele um personagem carismático e, por isso, não há uma identificação com o personagem. Da mesma forma, os outros personagens são cheios de camadas e mistérios e não se sabe quem está ou não dizendo a verdade. Page, por exemplo, é um dos maiores mistérios para mim e, mesmo agora que terminei esse primeiro livro, não sei dizer se é ou não confiável.

Para quem gosta também de uma narrativa descritiva, detalhista e bem desenvolvida, este é o livro perfeito, pois o autor não se contenta em mencionar os acontecimentos, mas os demonstra por meio de cenas ricamente construídas. Estão presentes descrições sobre o ambiente em que se passa a história, sobre personagens e sobre os acontecimentos. Tais características tornam a trama bastante densa, tanto que eu, que costumo ler ao menos um livro por semana, precisei de duas semanas para concluir este.

Embora se tratasse de uma fantasia, com dragões e seres míticos, além do uso de magia - o Sopro -, em alguns momentos eu quase me esquecia disso. A batalha e as conspirações políticas ganharam um papel tão central na trama e esses detalhes mágicos eram colocados na história com tanta naturalidade que era fácil embalar na leitura sem se dar conta deles de verdade. Além disso, havia no enredo um toque tão sombrio e tenso - em razão da guerra, da perda e dos arrependimentos - que o livro se distanciou bastante das outras fantasias que já li.

O Livro e a Espada me ganhou por ser uma obra rica e bem desenvolvida, cheia de mistérios e reviravoltas, e eu indico para quem gosta de leituras que fujam à realidade, mas que sejam, ao mesmo tempo, um pouco mais densas. Espero que o segundo volume seja publicado logo, principalmente porque ficou um gancho enorme para a continuação.

site: https://conjuntodaobra.blogspot.com.br/2018/04/o-livro-e-espada-antoine-rouaud.html
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Dhiego Morais | @odhiegomorais 30/03/2018

O Livro e a Espada
Inevitavelmente, ao longo do ano, entre os inúmeros lançamentos sedentos por roubar a atenção do público leitor, um ou outro livro acaba chegando de mansinho, sem qualquer alarde, sem incutir qualquer expectativa. Em certos momentos, pode vir mascarado por uma capa sóbria, ou até mesmo por um título que não diz muito sobre a própria história. De repente, enquanto o leitor desbrava a trama, uma sensação fantástica tende a florescer no seu âmago, sentimento este que, inesperadamente se transforma em surpresa, felicidade e gratidão. Sorrateiramente, esse tipo de livro enlaça o público e permite que as pessoas ali se entreguem à história. O Livro e a Espada pertence a esse grupo seleto.

Seguindo a minha proposta de que em 2018 eu me aventuraria em outros gêneros literários, que não somente literatura fantástica, assim como abriria mais portas para conhecer autores de outras nacionalidades e, principalmente, autoras; enfim, englobando leituras mais representativas, fiquei bastante interessado ao ver o lançamento da editora Arqueiro, escrito por um francês cuja obra havia sido indicada ao prestigiado e cobiçado David Gemmel Awards.

?O destino dos homens nunca passou de um murmúrio dos deuses?.

Em O Livro e a Espada, Rouaud apresenta aos seus leitores a história de Dun-Cadal Daermon, um general que um dia já tivera fama, poder e muita influência na corte do Imperador Reyes, de Massália. Antigamente, o seu nome era adornado de respeito, medo e reverência, porém, hoje, após a queda do Império e a instituição da República, Dun-Cadal não passava de um alcoólatra rabugento, fracassado e amargo. De general sagaz, se convertera a uma sombra infinitesimal do que já fora no apogeu de sua vida.

Viola é uma historiadora do Grão-Colégio de Émeris, que havia partido em uma missão de encontrar a figura de um antigo soldado da época do império, uma pessoa com as informações de que tanto ansiava: a localização da praticamente mística espada do Imperador, Eraed. Junto do Lieber Dest, o Livro do Destino, ambas configuram relíquias imperiais embebidas em contos cheios de misticismo e de um destino implacável, inexorável, cobiçados, claro, pela classe política e religiosa influente.

Ao passo que Dun-Cadal vive cada dia esperando que seja o último, em um tipo de lamento inaudível, de taverna em taverna, Viola representa todo o toque de perseverança, toda a suavidade das palavras e, principalmente, o eixo representativo da amizade e do saber. Viola, a historiadora, traz empatia não apenas à trama, mas diretamente ao leitor, que enxerga nela a ferramenta capaz de contrabalancear a história amarga do general.

Rã é mais uma personagem muito importante e que não deve ser esquecido, afinal, o garoto das Salinas tem um papel essencial em toda a história. Impulsivo, cheio de ira no coração e de um desejo inerente a sua própria alma de se provar para o mundo, o jovem tem um salto no seu desenvolvimento durante a história que poucos escritores conseguem desenvolver com tanta naturalidade ? isso para um livro de 400 páginas, apenas!

?Toda ferida acaba se fechando. Ficam as cicatrizes para nos lembrar de sua existência. E, embora a dor se torne menos intensa, nunca deixa de ser profunda?.



O Livro e a Espada é dividido essencialmente em duas partes, conduzidas e conectadas habilmente pela narrativa envolvente de Antoine Rouaud, que aproxima o leitor à história, tecendo cenários e personagens que definitivamente têm um porquê de estarem ali. Enquanto a primeira parte da obra é centrada principalmente em Dun-Cadal e Viola, a segunda leva ao público todo o dinamismo que poderia ter faltado a alguns leitores. Os últimos 25% do livro são alucinantes, recheados de uma carga dramática poderosa e dotados de diálogos belamente escritos.

Utilizando-se do recurso temporal, o autor reconta, apresenta a história de Dun-Cadal por meio de flashbacks, que, intencionalmente, e agradavelmente, se mesclam com o tempo presente, até que um não prejudique a narrativa do outro. Embora bastante usados, os flashbacks não agridem o enredo, muito pelo contrário, dão sustento, fundamentam o estilo narrativo de Rouaud, que permite a quem lê observar de perto como se sucedeu o declínio do Império, a instauração da República e a fragmentação do ser de Dun-Cadal.

O cenário desenvolvido pelo autor ? Massália, como um todo, e as Salinas e Émeris, mais especificamente ? é bem delineado, ainda que fique em segundo plano quando o assunto é a relação, a conexão entre as personagens. Por outro lado, um ponto ainda mais positivo é o sistema de magia que envolve O Livro e a Espada: o Sopro. Mesmo não sendo um método muito complexo, é evidente que a simplicidade do Sopro, que permeia o mundo e envolve os pulmões, enchendo-os de ar e de traços de magia, fulgura como chama-mestre, como farol, capaz de realimentar o corpo, de norteá-lo, ou ainda mesmo, consumi-lo.

?Chega um dia em nossa vida, o cruzamento daquilo que fomos com aquilo que seremos. Nesse momento, ao término de tudo, é que decidimos qual será o nosso fim. Com orgulho ou vergonha da trajetória percorrida?.



Enquanto Rouaud guia os seus leitores, aparentemente, por uma história no estilo narrativo de A Canção do Sangue e O Nome do Vento, como uma contação do passado pelo próprio personagem (Dun-Cadal, no caso), a fim de cruzar os fatos com o presente, o autor também é capaz de entregar um livro extremamente poético, cheio de significados, de reflexões, que tingem de sentimentalismo as páginas, ao mesmo tempo em que entrelaça leitor e personagens.

O Livro e a Espada é um romance de literatura fantástica inicial invejável. Trata-se de uma história, sobretudo, a respeito de identidade, sobre quem nós éramos, quem nós somos e quem nós seremos, embora verse igualmente sobre lealdade e memória. Rouaud consegue desenvolver uma obra capaz de interligar uma escrita bela e cheia de significados, esboçados principalmente em seus diálogos, a personagens cativantes que contracenam em um mundo em que a magia vive no Sopro. O Livro e a Espada é sobre até onde somos capazes de ir para resgatar o que agora se encontra estilhaçado em nossa alma.
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Atitude Literária 26/03/2018

Incrível... Uma história de muitas reviravoltas e reflexões.
INCRÍVEL!, não preciso dizer mais nada, apenas leiam.

Brincadeira, minha resenha não será apenas essa frase. O LIVRO E A ESPADA, me surpreendeu de diversas maneiras e tenho certeza que terei dificuldades em alinhar meus pensamentos e compor esta resenha como de fato o livro merece, mas irei dar o meu melhor.

Crises políticas, ambição, inveja, vingança, fé, poder, traição. Uma revolta que ameaça derrubar o Império e instaurar uma nova República. Um verdadeiro duelo entre a emoção e a razão, honra e dever, lealdade e sede de vingança. Um jogo onde não se sabe quem são os aliados ou inimigos disfarçados. Um livro que contém o destino da humanidade e uma espada mágica, tão poderosa como nenhuma outra jamais será. Um grito pela liberdade, a necessidade de justiça e o rondar de uma ameaça sombria. Tudo isso reunido em um enredo de tirar o fôlego, arrepiante, por diversas vezes angustiante e emocionante.

“Nunca, vou ser um simples murmúrio... Para você, eu serei um grito.”

Dun-Cadal Daermon já viveu seus dias de glória. Aquele homem que hoje é encontrado ao fundo de uma taberna alcoolizado, cabisbaixo e amargurado em nada lembra o grande General e Cavaleiro que um dia já foi. Amado por poucos, odiado por muitos, tem certeza que alcançou o seu fim e está apenas aguardando o findar dos dias, ou pelo menos assim pensava, até que uma bela jovem, com o olhar atrevido e muito determinada o desafia a reviver suas lembranças e encarar tudo que vêm lutando para esconder. E é assim que nos deparamos com um homem honrado, fiel ao juramento que um dia fez, leal ao Império que serve. Dono de uma personalidade forte, muita coragem e compaixão, um homem que não abaixa a cabeça, que batalha pelo que acredita, que segue sua fé e que não luta apenas com uma espada, mas com seu coração também. Que inesperadamente se viu entre a vida e a morte, sendo cuidado por um jovem misterioso a quem amigavelmente chamou de Rã, que se tornou seu pupilo, protegido, a quem ensinou tudo que sabia e com quem inconscientemente aprendeu muito. Mestre e aprendiz, duas figuras que juntas crescem, ganham fama, despertam medo, animosidade e ciúme.

“— É... O Senhor veio para cá esperar a morte. Só não percebeu que já está morto. Por mais que tente esconder a identidade para não macular sua antiga imagem, não adianta. Quando o mundo souber no que se transformou Dun-Cadal Daermon... a única lágrima derramada não vai ser de tristeza, mas de pena.”

Enquanto que Dun-Cadal logo de cara te cativa e se torna marcante ao ponto de sentirmos na pele suas alegrias e tristezas, Rã por uma longa parte da leitura se revela conflituoso, controverso e complicado, entretanto ele é o responsável pelos maiores acontecimentos e mais importantes na trama. É um personagem com uma bagagem gigante, com muito para contar, revelar e impor. Notável, determinado e muito forte. Seria ele justo ou egoísta, servindo as suas próprias vontades? Terá maturidade o suficiente para lidar com todo o peso que carrega sobre os ombros? A sabedoria e a decisão certa costumam cobrar um preço bem caro.

“(...) — Não há nenhuma honra em matar, menino. Nenhuma. Pouco importa como você dá o golpe. Não há glória nenhuma em tirar uma vida.”

Uau... Que livro, que enredo, que narrativa, que surpresa maravilhosa. O LIVRO E A ESPADA é uma leitura intensa, que mexe com nossas emoções, cheio de reviravoltas e acontecimentos de roubar o fôlego. Gostaria de poder GRITAR aqui, de sair detalhando cada acontecimento e como me senti ao ler, mas preciso ter cuidado com os spoilers. A narrativa do autor é impecável, ela cresce a cada capítulo, vai cativando, atiçando nossa curiosidade aos pouquinhos. Ele tece sua teia e nos enreda sem que nos demos conta, tudo é meticuloso, minimamente pensado e calculado, mesclando passado e presente de uma maneira muito sutil, muitas vezes sentia como se a recordação/memória estivesse me chamando, como se eu tivesse vivido aqui e foi uma experiência surreal.

“Toda ferida acaba se fechando. Ficam as cicatrizes para nos lembrar de sua existência. E, embora a dor se torne menos intensa, nunca deixa de ser profunda.”

Outro ponto que amei na trama é que o autor brinca com os leitores, mudando a cada capítulo o caminho de seus personagens, deixando apenas a incerteza e o medo do que poderia vir a acontecer. E ele foi mais além, ao trazer a promessa de um romance... vou deixar nas entrelinhas, foi algo realmente importante na história, mas que não tirou o foco da guerra que estava acontecendo. Os personagens foram muito bem construídos, a carga emocional que carregavam, o apelo de cada um diante da história contada, os sentimentos, tudo é muito vivo, cru, visceral. E os cenários... incrível, consegui visualizar cada um.

“Quanto mais tinha a sensação de estar voltando à vida, mais a vida lhe era insuportável.”

O LIVRO E A ESPADA apesar de ter sido criado em um mundo fictício, é repleto de referencias realista, e isso me passou a impressão de critica/apelo/reflexão sobre a sociedade e a busca incansável pelo poder, pela necessidade de se ter em mãos o destino de uma nação, o controle do futuro. Sobre se corromper, colocar o poder acima de seus valores e ideias, não respeitar seu juramente, sua própria honra, se vender. Sobre a fé, crenças diferentes, mas que acabam servindo ao mesmo propósito. Não sei se estou me fazendo entender... É que terminamos a leitura, mas continuamos pensando e comparando ela com o hoje. É de fato uma história muito marcante, talvez eu até tenha derramado algumas lágrimas... talvez.

Confesso que no início da leitura fiquei meio perdida, com dificuldade em me localizar dentro da trama e até compreender o que de fato estava acontecendo, mas com o passar das páginas isso mudou completamente. E à medida que me envolvia com os personagens, que compreendia o seu valor dentro do contexto da história, fiquei viciada e ansiando ler mais e mais. E o final... Ele só nos deixa loucos, desejando conhecer o futuro daqueles personagens e como tudo será dali pra frente.

Enfim, leiam a obra. Deem uma chance para o gênero – fantasia -, se permita conhecer esse mundo e seus mistérios, o lado bonito, mas principalmente o lado negro do ser humano. Dosado na medida perfeita, você irá viver uma experiência completa, com emoções mil e que irá te tirar da zona de conforto.

site: http://www.atitudeliteraria.com.br/2018/03/resenha-o-livro-e-espada-antoine-rouaud.html
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Jeff.Rodrigues 24/03/2018

Resenha publicada no Leitor Compulsivo.com.br
O Império está ameaçado por revoltas. Os defensores da República se multiplicam não só nos domínios longínquos, mas também na sala ao lado. A luta pelo poder nunca é honesta, tampouco justa. A ambição move os atos de nobres e militares. O povo é um joguete nas mãos de quem melhor sabe jogar. A vingança move objetivos de vida e dificilmente é aplacada pelo correr dos anos. Acima de tudo isso, a honra e a lealdade cismam em persistir. Por mais que tudo ao redor ameace esfarelar, ainda há homens que valorizam sua honra, seu nome e os ideais que um dia juraram defender. A combinação de todos esses elementos não só resume, como faz de O Livro e a Espada um dos melhores lançamentos do ano.

Quando a sede pelo poder começa a falar mais alto e um Império não atende mais aos anseios de quem o sustenta, poucos são aqueles que persistem até o fim. Talvez somente uma pessoa: Dun-Cadal Daermon. O general é um personagem inesquecível e que encarna os principais valores já perdidos ou não tão mais valorizados assim. Já velho e entregue à bebida, ele vai nos conduzir pelos caminhos de sua memória para reconstituir os últimos passos do Império, um reino fictício, mas com boas doses de inspiração na realidade. Alternando passado e presente, em mudanças sutis que acontecem entre um parágrafo e outro, o que exige atenção dos leitores, a narrativa que acompanhamos é vigorosa, poderosa, fascinante. Os capítulos versam sobre a formação de homens, cavaleiros, nobres e também sobre a podridão de seus atos. Lealdade e traição convivem lado a lado e num vai-e-vem de reviravoltas, as emoções e surpresas nos tiram o fôlego a cada virada de página.

Em um segundo momento, a figura do pupilo, o protegido Rã e os conflitos de sua formação. Protagonista das principais reviravoltas e dos momentos mais decisivos do livro, Rã é um personagem que tem muito a contar e com ele mergulhamos nas profundezas da formação humana, nos recônditos mais particulares e que não é dado a ninguém conhecer. Sua figura pode soar controversa, seus atos podem soar errados ou extremamente justos, mas ele consegue nos conquistar e dele esperamos o futuro, a partir do próximo livro da série.

Para além de tudo isso, Antoine Rouaud construiu um romance de cavalaria com pitadas de suspense e fantasia para fã nenhum colocar defeito. As batalhas, treinamentos, guerras, complôs, dragões e assassinos misteriosos… Tudo está ali e nada é gratuito. O enredo se desenrola e vai nos fisgando a cada novo acontecimento, ou melhor, reviravolta. Elas são muitas e servem para atiçar o fôlego. O Livro e a Espada não tem momentos arrastados. Há sempre algo sendo tramado na página seguinte e isso nos leva adiante até um desfecho correto. Não falta nada e não há excessos.

O Império está ameaçado. A República está à espreita. Batalhas se desenham no horizonte. O Livro e a Espada vai te conduzir por esses caminhos. Há muito aprendizado nestas páginas. Deixe-se levar por elas…

site: http://leitorcompulsivo.com.br/2018/03/19/resenha-o-livro-e-a-espada-antoine-rouaud/
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Kari 18/03/2018

>>>PRIMEIRA FRASE DO LIVRO
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Jessé 16/03/2018

Ficha Técnica


O Livro e a Espada

Autor: Antonie Rouaud

Ano de Lançamento: 2018

Nº de Páginas: 400





É, Antoine Rouaud sabia o que estava fazendo, pois criou uma história fantástica. O Livro e a Espada nos apresenta Dun-Cadal, um dos maiores generais do Império, mas que hoje não é nada além de um bêbado. Viola, historiadora, encontra o velho Dun, com um único objetivo: extrair dele informações sobre Eraed, a lendária Espada do Imperador, que muitos acreditam ser mágica. Entretanto, Viola acaba ganhando um pouco mais que informações sobre Eraed: bêbado, Dun-Cadal decide contar seu passado de glória à moça.

Dun-Cadal foi um grande general, temido por muitos, e deu sua vida pelo Império. Vitórias atrás de vitórias, ele buscava mais uma, mas tudo acabou dando errado, e ele quase foi morto. Um garoto salvou-lhe a vida, e só queria uma coisa em troca: queria que Dun-Cadal o treinasse. Seu desejo era tornar-se o maior cavaleiro que esse mundo já viu. O general pergunta seu nome e, ao dizer que não tem mais um nome, Dun passa a chamá-lo de Rã, já que o garoto tem tanta afeição por esses animaizinhos.



O desenvolvimento da história é simplesmente fantástico. Por mais que haja alguns momentos "cabeça-dura", o general e o garoto se dão muito bem e, como prometido, Rã está dando tudo de si, provando a Dun-Cadal que estava falando sério quando disse que queria se tornar o melhor cavaleiro do mundo.



No presente, enquanto Viola houve a história do antigo general, um antigo assassino está à solta, matando os antigos companheiros do general. A história é dividida em duas partes e, pouco antes do fim da primeira parte, há um gigantesco plot twist.



Particularmente, me senti mais atraído pela primeira parte. Não que a segunda metade do livro seja ruim, mas saber toda a história de Dun-Cadal, até aquele ponto, foi mais interessante do que veio a seguir. Afirmando novamente, não foi uma segunda parte ruim, apenas menos impactante que a primeira, mas igualmente cheia de reviravoltas.



Num tom quase poético, Antoine Rouaud nos entrega uma obra fantástica, completa de reviravoltas e movida à vingança. A cada descoberta, fica difícil não virar a página para saber as consequências daquele ato. A leitura é fluida e, como dito acima, a narração alterna entre passado e presente. Tomando cuidado para não se perder, pode ter certeza de que esse é um livro que vale muito a pena ler.



Algumas guerras são travadas com espadas; outras, com armas. Há um livro que possui o destino dos homens e, do outro lado, uma espada que, segundo a lenda, é indestrutível.



Nota: 4 canecas (4/5)







site: www.dicasdojess.com
Bruna 16/03/2018minha estante
Resenha maravilhosa ?




Acervo do Leitor 01/03/2018

O Livro e a Espada de Antoine Rouaud | Resenha | Acervo do Leitor
Império sob ameaça, o alvorecer de uma república fragmentada, e construída sob bases sombrias. Um general – que outrora figurava entre os grandes – em decadência, um pupilo atormentado pelo seu passado e em busca de reencontrar seu espaço, e um assassino à solta que faz de sua lâmina, sangrar o sangue dos justos. E se tudo isso não bastasse, há um amor que jurou resistir as maiores tragédias, há um livro que alimenta o destino dos homens e uma espada lendária capaz de destruir o indestrutível. Se você precisa de mais motivos para ler este livro, talvez você não goste do gênero de Fantasia.

“Lançado ao fogo, não queima…
Passado ao fio da lâmina, não raga.
É feito do murmúrio dos deuses e nada, jamais, irá destruí-lo”

O Livro e a Espada é uma verdadeira montanha russa de emoções, o autor francês Antoine Rouaud está à todo momento mudando o rumo e o destino dos personagens. O livro possui em suas páginas, uma soberba construção de sentimentos conflitantes. Nossa garganta ficará seca em certos momentos, nosso coração tenso à expectativa de uma batalha e nossos olhos marejados com uma história que vai muito além do comum. Dun-Cadal Daermon é daqueles personagens que ficará marcado em nossa memória. Sua coragem e compaixão é inspiradora. Rã, seu pupilo, possui diversas camadas, que vão nos sendo apresentadas gradativamente ao longo da leitura. As diversas tramas e reviravoltas valem todo o apreço que este livro me ganhou.

Dun-Cadal é um general enviado pelo imperador para conter uma revolta que cresce a cada dia. Após uma difícil batalha, o cavaleiro se vê aos cuidados de um garoto calado que possui o sonho de ser somente, o maior cavaleiro do mundo. Juntos eles vão aprendendo juntos, o valor da honra, coragem, disciplina, determinação, vingança e do amor. O Livro e a Espada se passa em um mundo fictício, mas que traz muitas referências do nosso. O fantástico está inserido em uma habilidade que poucos detém, chamada Sopro, que quando usada pode destruir até mesmo quem o usa. Há algumas criaturas, mas que são inseridas muito mais como plano de fundo e que pouco agregam à trama como um todo. O livro é muito mais sobre a obscuridade humana e a queda de seus valores.

“Chega um dia em nossa vida, o cruzamento daquilo que fomos com aquilo que somos e aquilo que seremos. Nesse momento, ao término de tudo, é que decidimos qual será o nosso fim. Com orgulho ou vergonha da trajetória percorrida.”

A obra possui uma certa oscilação lá pela sua metade após uma grande revelação. Confesso que a primeira metade me ganhou pouco mais que a segunda, não que isso seja um demérito, mas fica um sentimento de que o autor poderia encorpar as primeiras 200 páginas, e finalizá-lo com um plot-twist arrebatador. A segunda parte reserva os momentos mais tensos e emocionantes, mas a simplicidade de sua primeira metade me encantou. O livro faz bastante alternância entre o passado e o presente, e precisamos estar atentos para não nos perdermos durante a leitura. Leitura esta que é incrivelmente fluída. A escrita do autor é fantástica!

“Em minha mão esquerda, o Livro, em minha mão direita a Espada, e a meus pés, o mundo…”

SENTENÇA
O Livro e a Espada é surpreendentemente incrível! Um dos melhores lançamentos do gênero e que – por ora – não está causando o impacto que merece. Quando pensamos no livro mesmo após tê-lo finalizado, é porque ele realmente acalentou nosso coração e imaginação. Faça um favor a si mesmo: corra para a livraria mais próxima e compre esta pérola. E sim, teremos continuação!

site: http://acervodoleitor.com.br/o-livro-e-a-espada-resenha/
Anne - @literatura.estrangeira 12/03/2018minha estante
Que resenha incrível!




Carolina Durães 28/02/2018

Primeiro livro de uma saga extraordinária, "O Livro e A Espada" é uma obra dividida em duas partes. Narrado em terceira pessoa, a primeira parte se passa na idade portuária de Massália durante o período da República. É lá que a jovem Viola, uma historiadora no Grão Colégio de Émeris está à procura de um idoso bêbado que fica contando histórias sobre o tempo do Império, dentre elas a história sobre a Espada do Imperador Eraed.

O homem que ela está procurando é Dun-Cal, que na época do Império era o general mais temido de todos por sua sagacidade, determinação, coragem e por não ter medo do que falar o que pensa. Diferentemente dos demais generais, Dun-Cal não veio de uma família proeminente, nem era um homem abastado. Sua origem humilde não agradou os demais generais, mas como Dun-Cal tornou-se um dos favoritos da Vossa Majestade Imperial Asham Ivani Reyes. Infelizmente, agora ele é um velho amargo, bêbado e cheio de ressentimentos ao ver que seus antigos colegas deixaram de lado sua honra para migrarem para cargos importantes na República.

Na primeira parte do livro teremos a história de Dun-Cal, no presente e suas memórias do passado. Começaremos pela Batalha de Salinas, o pontapé inicial da queda do Império. O que deveria ser um simples caso de opiniões divergentes, tornou-se uma batalha longa, sangrenta e definitiva graças ao ego do general local: Étienne Azdeki. Azdeki é o tipo de homem que vive do prestígio da família, da antiga fama e dos feitos de seus antepassados. Etilista, cabeça dura e metido a sabichão é um dos maiores desafetos de Dun-Cal, que não aguenta sua ineficiência. Quando Dun-Cal e outros generais como Négus são convocados para remediar a situação, a revolta já se encontra fora do controle e se torna uma verdadeira guerra.

O leitor acompanha todos os acontecimentos da Batalha de Salinas, inclusive o período de quase morte do protagonista e sua lenta recuperação. O protagonista é guiado por sua honra e pela promessa que fez em defender o Império e acredita piamente nos líderes e no governante e soberano da nação. Durante os anos que sucederam a Batalha de Salinas, Duncan acaba se afeiçoando ao Rã, o garoto que o salvou. Ele o treina, o ensina e o coloca embaixo de suas asas, mas os estratagemas políticos que ocorrem por trás dos bastidores causam uma grande reviravolta.

"-Por você. Por você e por mim. Que ironia... Eu sempre soube dar a morte... - saiu do cômodo e, fechando a porta ao passar, concluiu com voz rouca: - ... mas nunca soube dar a vida..." (p. 117)

Na segunda parte do livro temos o lado oposto dessa batalha. Desde o começo da história temos um nome do incitador da revolta. Aqui temos o que realmente aconteceu e quem são os culpados pela revolta, mas também vemos a saga de um sobrevivente que precisou renegar tudo e todos para sobreviver. 

É nesse momento que conhecemos em detalhes a história de alguns refugiados de Salinas, como Esyld Orbey, a filha do ferreiro, que inicialmente foi vista como inimigo até ser apadrinhada por alguém importante, ou a história do Duque de Page, um antigo general visto como degenerado, mas que conseguiu chegar na posição atual sendo extremamente observador. Temos também a história de Aladzio, um inventor muito inteligente que é importante para alguém poderoso, ou a Ordem de Fangol, a Ordem responsável pela escrita. 

Temos inúmeros elementos fantásticos nessa série, como dragões e habilidades únicas como O Sopro, habilidade que poucas pessoas possuem, mas que é simplesmente alucinante. O autor mesclou esses elementos com um pano de fundo político, onde observamos inúmeras manipulações, traições e reviravoltas causadas por homens gananciosos, que almejam o poder e a fama.

"- Um símbolo que você teve o cuidado de não deixar em Émeris. Não surpreende que um homem que passou a vida servindo e dando tudo de si a um Império queira levar consigo um pedaço dele... antes que tudo arda em chamas." (p. 186)

"O Livro e a Espada" é uma história de vingança e redenção, honra e política. Com muito sangue, suor e lágrimas, os personagens vão sobrevivendo as situações mais impensáveis e a perdas inconsoláveis. Para os fãs de longas jornadas, com heróis que passam por inúmeras turbulências e precisam "renascer" para alcançar seu destino, essa série é leitura obrigatória. O título do livro encaixa-se perfeitamente com o enredo, pois explica dois elementos que sustentam o local. A capa é simplesmente incrível pois combina com o enredo, é impactante e chama a atenção.

"-Eles são os deuses. Não estão brincando conosco. Transformam nossa vida em narrativas, em histórias, em sagas. Para que a humanidade alcance seu ápice. Eles conhecem o início e o fim dos tempos. Temos que agradecer-lhes por terem nos dado a vida e um destino cujo sentido a eles pertence." (p. 160)

site: http://viajenaleitura.com.br/
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