LoveStar

LoveStar Andri Snaer Magnason




Resenhas - LoveStar


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Tati 26/10/2020

LoveStar, o enigmático e obsessivo fundador das Corporações LoveStar, desvendou o segredo para transmitir informações em frequências emitidas por pássaros, finalmente libertando a humanidade de dispositivos e cabos, e permitindo que o consumismo, tecnologia e ciência tomem conta de todos os aspectos da vida diária.

A ideia do livro é bem interessante, mas não conseguiu ganhar o meu coração.
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Jayne L. Oliveira 18/06/2020

"Isso é muito Black Mirror!"
Publicado pela Editora Morro Branco, em 2018, "LoveStar" foi anunciado como "mais Black Mirror do que Black Mirror" e eles não estavam errados quando o descreveram assim.

LoveStar é um empresário enigmático e obsessivo (ele nunca desiste de uma ideia) que ganhou sua fortuna após libertar a humanidade de dispositivos e cabos: depois de decodificar o funcionamento da frequência das ondas usadas por pássaros durante a migração, tornou qualquer aparelho de comunicação desnecessário e sua empresa (chamada LoveStar) passou controlar todos os aspectos da vida humana, como amor e morte.

O serviço Remorsos, por exemplo, permite que as pessoas eliminem suas dúvidas sobre caminhos que não foram seguidos (sabe aquele "e se?" que a gente sempre tem em mente?), os mortos são enviados aos céus e explodidos em um grande espetáculo de luzes e o serviço inLove une casais perfeitos.

Indrid e Sigrid não foram calculados para ficarem juntos, mas têm certeza que a aprovação da empresa não passa de formalidade até que Sigrid é destinada a outra pessoa e, enquanto tenta reconquistar sua amada, Indrid acaba na rota dos planos de LoveStar: a empresa tenta expandir seus negócios ao mesmo tempo em que o empresário busca desvendar mais uma ideia: ele quer descobrir para onde vão todas as orações - afinal, já imaginou se as preces dos fiéis fossem respondidas? E se ele tivesse o controle delas?

A introdução do leitor no universo de "LoveStar" é excelente, é a antecipação do caos (tem coisa mais agradável e desesperadora para uma leitora de distopias?), mas ao invés de encontrar uma sociedade em pânico e em um mundo caótico, o que o leitor vê são pessoas mais felizes e conformadas com a vida que vivem, que não percebem (ou não ligam) para a dependência que criaram da tecnologia e das soluções de LoveStar.

Então por que esse livro permanece uma incógnita tão grande na minha estante se ele parece excelente e exatamente o tipo de coisa que eu correria para comprar, ler e espalhar por aí? Boa pergunta.

Pode ser porque “LoveStar” passa por vários aspectos do mundo em que vivemos: o consumo desenfreado, a perda completa de individualidade, o impacto e comportamento de influencers, o excesso de publicidade e informação, os algoritmos que controlam até com quem nos relacionamos ou a existência de megalomaníacos donos de empresas privadas e milionárias que controlam grande parte do desenvolvimento tecnológico atual. Quer um exemplo? Para mim, é impossível ouvir falar no Elon Musk e não pensar em toda destruição que acontece na narrativa de Andri Snaer Magnason

Apesar de tudo isso, não gosto de como o autor escolheu conduzir a história: há elementos de conto de fadas e várias referências às obras clássicas da ficção científica o que faz com que a linha narrativa do Indrid seja completamente bizarra e roube um espaço que eu preferia que fosse usado para desenvolver melhor as motivações e loucura do LoveStar.

Quanto mais o tempo passa, mais eu quero conseguir discutir os vários aspectos desse livro, e acho que isso mostra o quão atual e impactante ele é. Mas eu não consigo me decidir, sinto que é uma discussão que ainda não foi finalizada e talvez nem seja. Eu gosto muito de alguns pontos de "LoveStar" e quando lembro de outros, tenho vontade de chorar de tão ruins (ele é uma incógnita, lembra?).

site: https://www.instagram.com/livroseletricos/
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Izabel Wagner 04/06/2020

Favorito da Vida !!!
"O fascínio humano pelas possibilidades e promessas contidas no universo científico e tecnológico não pode, e nem deve ser categorizado como mero desafio ou maldição atual. Necessita ser percebido pelo caminho tortuoso e repleto de reviravoltas, percorrido desde os últimos suspiros do período que hoje conhecemos por Idade Média, quando homens ousaram voltar os olhos para todos e cada um dos elementos que compõem o mundo, buscando respostas para segredos que iam desde os mistérios da existência de minúsculos organismos até o movimento das estrelas.

Desde então consolidamos uma forma única e, por tantas e tantas vezes excludente, de pensar. Percebemos e desvendamos o mundo de forma lógica, racional e absurdamente cunhada no conhecimento matemático, físico, químico e biológico. A expansão dos limites do conhecido possibilitou descobertas incríveis que permitiram a cura e erradicação de doenças além do estabelecimento das leis que, acreditamos, regem uma parte do universo. Mas tudo isso também admitiu a maior exploração do universo natural, resultando no crescimento do poder destrutivo da humanidade.

Os quadros e catástrofes são mundialmente conhecidos. Criamos bombas atômicas, destruímos reservas inteiras, somos os principais responsáveis pela extinção das espécies de animais e plantas e, não seria surpresa alguma descobrir que todos aqueles sobreviventes se encontram confusos e perdidos em meio a tamanha manipulação e interferência humana. Mas somos curiosos, criativos e nosso olhar aguçado almeja pelo encontro com novas descobertas, novos conhecimentos que podem vir a transformar e reconfigurar toda a realidade como a conhecemos e, é por isso que mesmo em meio ao caos de nossa interferência, produzimos uma quantidade incomparável de aparatos, produtos e tecnologias capazes de manter o consumo e a ordem sócio econômica nos eixos.

Neste contexto, é completamente plausível que algum dia indivíduos abandonem seus aparelhos móveis para dependerem, única e exclusivamente, de pequenos computadores instalados nos centros nervosos de seus próprios corpos. Estes computadores, por sua vez, permitiriam que empresas analisassem sua personalidade, confeccionando propagandas que atendessem cada “necessidade”, o que, consequentemente, viria a elevar as taxas de venda. Da mesma forma, a base de dados coletados acerca das características de cada indivíduo, proporcionaria às escolas e universidades um método único e prévio de seleção de candidatos; possibilitaria que programas calculassem seu par perfeito com base em conceitos estritamente científicos; admitiria que empresas acessassem remotamente seu sistema, recolhendo dados sobre sua vida ou mesmo vindo a alugar seu corpo para campanhas publicitárias.

Se tudo o que foi dito não é assustador o bastante, imagine que uma única empresa tenha poder e controle sobre todos os elementos citados, sendo capaz de controlar quem você ama; aquilo que compra; quais serviços são mais indicados para cada pessoa; quando uma população deverá efetivar a próxima atualização de software, mantendo-se integrada ao sistema e hábil a acessar todos os elementos que compõem a sociedade. Quão assustador seria se esta mesma empresa realizasse testes genéticos, produzindo animais que nunca existiriam sem a cruel interferência científica, mas que você não pode se recusar a admirar ou mesmo comprar? Está é a LoveStar."

* Trecho da resenha previamente publicada no Estante Diagonal *

site: http://www.estantediagonal.com.br/2018/09/lovestar-andri-snaer-magnason.html
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Larissa.Carvalho 24/01/2020

Uma apresentação aos big brothers do século XXI
Tão longe de nossa realidade em alguns aspectos, mas assustadoramente perto em tantos outros, a sociedade criada em LoveStar é um bom exemplo de ditadura regida por "big brothers" muito atuais: grandes corporações, tecnologia, dinheiro e, pasmem, até mesmo a ciência! Os "cidadãos" desse mundo distópico - se é que podemos chamá-los assim - são continuamente controlados pelas verdades universais criadas por seus "regentes", às quais não podem ou simplesmente não querem renunciar. Escravos dessas certezas absolutas, todos (ou quase todos) parecem ter deixado de lado o fardo e o privilégio da liberdade em troca de uma felicidade fabricada.

Amor, morte e incertezas sobre o passado estão entre os "questionamentos" intrinsecamente humanos que já possuem respostas - e preços - em LoveStar. Quem detém capital, portanto, pode comprar a convicção necessária para ser feliz. Os que não possuem dinheiro, porém, podem pagar por serviços tornando-se propagandas ambulantes e vendendo sua influência em seu círculo social ou até mesmo o controle dos seus reflexos biológicos mais primitivos às empresas. Basicamente, tudo é permitido para aumentar o consumo.

Um toque à la Black Mirror é a grande "rede social" que permeia essa sociedade, à qual é praticamente mandatório associar-se para sobreviver, e pela qual é possível vigiar a qualquer um. Todos estão conectados, a todo o tempo, e possuem reputações baseadas em seu capital, suas conexões e no grupo-alvo ao qual fazem parte. Sim, as pessoas são segregadas por interesses pessoais, e isso influencia as propagandas, notícias e todo o resto com o qual terá contato (parece familiar, Google?). Dessa forma, ainda que conectadas, cada um vive uma realidade diferente.

Outro ponto importante, talvez pela formação de Andri Snaer Magnason, que é ambientalista, é sua abordagem sobre ciência. Embora suas digressões sobre evolução e manipulação genética sejam fantasiosas, a mensagem é bem realista: a ciência também possui seus senhores e, portanto, é parcial; não podemos esperar imparcialidade e muito menos verdades universais ou "bondade" dela.

Ainda que possua todos esses pontos curiosos, o livro deixa um pouco a desejar. A carga de informações é tão grande que é difícil analisar profundamente os pontos colocados pelo autor, ocasionalmente tornando a leitura rasa, em especial quando a narrativa está chegando ao fim. Além disso, o "romance" do livro, de Indridi e Sigrid, torna-se desinteressante muito antes do fim da história, e o seu final também não convence. Em suas últimas páginas, o livro parece somente um grande agregado de fatos desconexos, sem uma real conclusão ou uma conexão genuína das histórias que contou. Ele acaba sendo, portanto, tão megalomaníaco quanto o seu personagem principal, o que apaga um pouco seu brilho. Parece que além de LoveStar, Andri Snaer Magnason também deixou-se levar por uma (ou umas) ideia(s).
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Nath Correia @bibliotecadanath 23/08/2019

LoveStar l Andri Snaer Magnason l @editoramorrobranco l 331 páginas l 4’
"LoveStar e seus especialistas estavam numa missão para libertar as pessoas da opressão da liberdade."

O mundo mudou e o grande responsável por essas mudanças é LoveStar. Fundador das Corporações LoveStar, ele eliminou os fios e cabos necessários para transmitir informações, criou um sistema que identifica almas gêmeas, transformou a morte em algo glorioso e desejável e desenvolveu um programa que facilita a escolha do caminho certo a ser seguido. Um mundo perfeito aos olhos de seu criador.

Indridi e Sigrid vivem nesse mundo dito perfeito. Namorando já há alguns anos, eles veem seu mundo desmoronar quando Sigrid é calculada para sua verdadeira alma gêmea. Dispostos a provar que o amor que sentem um pelo outro é real, eles se verão forçados a extremos para continuarem juntos, inclusive desafiar LoveStar e tudo em que ele mais acredita.

Um fato é certo: “LoveStar” foi um dos livros mais diferentes e intrigantes que já tive o prazer de ler. Indo muito além da trama futurística que o livro oferece e do mundo tecnológico onde tudo funciona e onde cada pessoa tem o seu lugar, o autor traz uma visão de mundo muito próxima da realidade e levanta uma reflexão profunda sobre liberdade e sociedade de consumo.

Nessa trama, os personagens são elementos secundários e servem como uma âncora para sustentar as críticas presentes na história: crítica a manipulação das massas que não possuem senso crítico e são influenciadas em todas as suas decisões; crítica a falta de liberdade e em como as pessoas são levadas a acreditar que isso é normal e que caso tomassem decisões próprias acontecimentos catastróficos aconteceriam; crítica a falta do livre arbítrio em uma realidade onde até o amor era algo imposto; crítica ao consumismo desenfreado, onde a morte é transformada em algo desejável e em sinônimo de status.

LoveStar foi o personagem mais interessante do livro. Ele é inquestionavelmente um gênio, visionário e dono de uma mente capaz de imaginar e criar o impossível mas, por trás de tudo isso, existe um homem egocêntrico, com complexo de Deus e que foge da responsabilidade das terríveis consequências das suas realizações. Não vou negar que algumas passagens do livro beiram o absurdo e o final me pegou totalmente desprevenida e me deixou sem acreditar que terminaria daquela forma (mas terminou!). “LoveStar” é um livro único de várias formas: um tanto insano e muito intenso. É uma história que perturba, que choca e que deixa o leitor pensando nela por um bom tempo.

Instagram: @bibliotecadanath
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Diego Araujo 02/08/2019

“Em seus olhos brilhava a própria felicidade, reluzentes como a palavra LOVESTAR”
Tudo começa a partir de comportamentos estranhos de certos animais, como os pássaros que sempre iriam ao sul na véspera do inverno no hemisfério norte, e de repente elas seguem ainda mais ao norte. As pesquisas apontam a alguma interferência nas frequências emitidas e recebidas pelos animais como a causa, e isso leva a pessoas comuns atribuírem qualquer problema posterior como decorrente desta anomalia. Tais suposições absurdas levam a crer apenas a elementos sobrenaturais, aspectos ignorados pela ciência pelo simples motivos de serem inconcebíveis… Até o momento de determinados cientistas averiguarem essas especulações e comprovarem do sobrenatural na verdade ser real, é possível utilizar a frequência dos pássaros e revolucionar os meios de comunicação. A nova descoberta substitui todos os fios e cabos e possibilita a invenção de novas tecnologias com incríveis funcionalidades e absurdas transformações na vida de todas as pessoas.

O homem por trás de toda essa evolução assume o nome de LoveStar, cuja empresa é homônima e a mais potente do mundo graças às invenções bem como das estratégias de marketing da filial iStar. As invenções possibilitaram novas formas de trabalho, transformou a forma de lidar com a morte e possibilitou o cálculo certeiro do amor. Depois de tanto fazer pelo mundo, LoveStar faz a última viagem com uma semente em mãos, ciente de possuir menos de quatro horas de vida, tempo usado a refletir os acontecimentos importantes de sua vida.

Capítulos de LoveStar alternam com os da história de Indridi, um homem com a vida transtornada por conta das tecnologias produzidas pela empresa LoveStar. Vive a rotina apaixonada e louca com a namorada Sigrid até o momento de descobrirem que o cálculo do amor definiu Sigrid como a cara metade de outra pessoa. O cálculo infalível contradiz cada momento feliz do casal ainda crente de eles serem feitos um para o outro, porém a empresa encarregada pelo cálculo do amor — a LoveIN — insiste na Sigrid conhecer o verdadeiro amor da vida dela em prol do objetivo maior, o de estabelecer a paz na Terra através do amor.

“Pelo amor de Deus, comporte-se cientificamente!”

Os personagens e o enredo do livro são elementos secundários, responsáveis por sustentar o objetivo da história: o de mostrar as consequências na rotina e vida da humanidade a partir das invenções tecnológicas. O meio de desenvolvimento criado dessas tecnologias pouco tem a ver com a realidade, funcionam dentro das regras lógicas elaboradas pelo autor, essas quebradas na intenção de demonstrar um novo argumento da crítica ao progresso tecnológico. Toda especulação remete a reflexões propostas ao leitor, pois nos meios dos absurdos há a crítica quanto como grupos de pessoas desinformadas podem ser manipuladas, da obsessão de progredir na carreira comprometer a vida de gente próxima como a família, em como a apresentação de algo revolucionário pode mascarar o quanto este algo é na verdade perigoso.

Mesmo a intenção do enredo ter o foco menor, este perde a linha no meio do livro. Capítulos levam os personagens a nenhum ponto relevante, apenas oferece mais oportunidades de mostrar novas tecnologias criadas na mente criativa do autor, mas repete as críticas já ditas e assimiladas capítulos atrás. Pelo menos o enredo alinha à proposta original do livro ao final, oferece climas tensos acompanhadas ao ápice da criatividade maluca do autor nas extrapolações tecnológicas. O desfecho é bizarro de tão espetacular.

LoveStar consegue prender a atenção ao leitor às críticas sinceras por meio dos argumentos extraordinários a partir do mundo maluco criado ao longo dos capítulos. Exagera nas extrapolações e deixa o enredo de lado em prol da escrita agradavelmente perturbadora.

“Não pensamos pelas pessoas. Só fazemos o que elas querem.”

site: https://xpliterario.com.br/xp-leitura/lovestar/
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Camila - @darkbookslibrary 25/07/2019

As Corporações Lovestar surgem para revolucionar nosso estilo de vida. Adeus fios, adeus sofrimento afetivo, adeus podridão, adeus pessoas com defeitos de caráter. Tudo é passível de manipulação, todos são influenciados. Indridi namora Sigrid a cinco anos e sete meses, incrivelmente apaixonados o relacionamento deles desmorona quando Sigrid é ‘calculada’ como alma gêmea de outro homem. Ao perder seu verdadeiro amor Indrid então embarca em uma jornada onde a empresa mais influente do globo é sua maior inimiga.

Quando dizem que esse livro tem vibes de Black Mirror não é mentira. Mostrando um futuro em que as mídias sociais ganharam proporções inimagináveis e que os influencers estão em todos os lugares fazendo seu trabalho para divulgar absolutamente tudo e qualquer coisa, o livro tem um ‘q’ de terror.

Sim, o universo criado por Magnason é aterrorizante, as pessoas não tem pensamento crítico próprio, são influenciadas em todas as suas decisões, não apenas nas mais simples, mas em questões ambientais, emocionais e até mesmo existenciais. Se isso não é aterrorizante, não sei mais o que poderia ser.

Com experimentos científicos incríveis e cheio de ideias das mais variadas formas, Lovestar, apesar do nome, não é puramente uma história de amor, não da forma comum pelo menos. A história é contada por duas vertentes, basicamente, a do casal Singrid e Indridi, e do fundador da Lovestar, que atende pelo mesmo nome da sua empresa. Isso facilita que o leitor trace um paralelo entre a ideologia da empresa e a forma como ela de fato afeta o ciclo da vida das pessoas.

O fim é absolutamente chocante e inacreditável, em momento nenhum dá para prever o que vai acontecer nessa história.

Lovestar é exasperador, é perturbador, é meloso, é doido, é intenso, é inacreditável! Um livro que os fãs de scifi e de Black Mirror vão amar.


site: https://www.instagram.com/darkbookslibrary/
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etsilvio 06/04/2019

Um saco!
Nossa, o livro começa até interessante, depois é só queda, chatice... Foi o pior livro de 2019 até agora. Péssimo!
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Maiani - @minhavidaforadeorbita 21/03/2019

Vou organizar em tópicos, para não me perder em divagações, já que esse livro que me colocou para pensar e questionar parte das minhas atitudes.

Primeiro ponto a ser observado desde a primeira página do livro é sobre a nossa suscetibilidade ao marketing e consumismo. Nesse mundo sem fio criado pelo autor, esse fato se torna ainda mais assustador, pois as propagandas são extremamente personalizadas e com alto poder de convencimento.

Outro fator super interessante é como uma empresa pode dominar a nossa vida e nos tornar totalmente dependente dela. A LoveStar se tornou a "dona" do mundo, praticamente tudo de importante que acontece é movido por um dos braços da empresa; você morreu, a LoveDeath cuida disso; quer ter certeza das duas decisões? Ligue na Regreat; Seja confiante que a LoveStar já está procurando seu par perfeito.

Agora o que mais gostei foi como uma ideia pode transformar uma pessoa, deixar de ser uma coisa positiva para se transformar em problema para os outros. O próprio LoveStar escreveu um livro sobre ideias (dentro da trama) e fala sobre como uma ideia pode ser perigosa, como ela domina a pessoas, até que seja concluída.

Apesar de ser uma história com diversos aspectos positivos, a narrativa não é fluida e intuitiva. É preciso muita atenção para perceber as mudanças temporais e de pontos de vista; mas em contrapartida, as descrições desse universo são espetaculares, leria um livro a mais para conhecê-lo melhor. Outro aspecto negativo é que os personagens não são cativantes, e no meio do livro isso acaba atrapalhando o ritmo de leitura, já que você não está interessado neles.

Esse é um livro totalmente diferente, com muitas questões para serem pensadas, mas que não agradará à todos. Super recomendo para quem gosta de sair da zona de conforto, conhecer sociedades diferentes, mas bizarramente parecida com a nossa.
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Paloma | @ourbookself 18/01/2019

expectativas atingidas em parte
O fato de que eu acredito em almas gêmeas e AMO livros de ficção científica foi decisivo para construir toda uma expectativa nessa história maluca, expectativas que foram atingidas em parte.
Esse é um mundo que eu simplesmente não consigo explicar para vocês. Andri pegou todos os problemas que o consumismo atual causa no ambiente e nas pessoas e elevou tudo isso a décima potência, criando uma historia cheia de elementos incríveis.
Essa foi a parte das minhas expectivas que foram atendidas. O autor é ambientalista então muitos dos elementos abordados na construção dessa loucura fizeram o maior sentido para mim, criando assim uma grande crítica a nossa condição atual de viver.
A outra parte não atendida foi com relação as almas gêmeas. Indridi e Sigrid na verdade são tão protagonistas dessa história quanto as outras personagens que também estão ali. Acho que a sinopse peca um pouco ao citar essa questão com tanto louvor sendo que ela é apenas uma parte da história e não o todo.
Sinto que o mundo em si me conquistou mas a história dentro dele não alcançou todo o meu amor. Com certeza recomendo esse livro simplesmente por ser um dos mais doidos e bizarros que eu já li, retratando histórias interligadas por situações das mais originais e críticas importantíssimas.
Com certeza ficarei de olho nesse autor, pois sua criatividade é digna disso.
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Biblioteca Álvaro Guerra 17/01/2019

LoveStar, o enigmático e obsessivo fundador das Corporações LoveStar, desvendou o segredo para transmitir informações em frequências emitidas por pássaros, finalmente libertando a humanidade de dispositivos e cabos, e permitindo que o consumismo, tecnologia e ciência tomem conta de todos os aspectos da vida diária.

Livro disponível para empréstimo nas Bibliotecas Municipais de São Paulo. De graça!

site: http://bibliotecacircula.prefeitura.sp.gov.br/pesquisa/isbn/9788592795313
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Reinaldo (Estante X - @reeiih) 09/01/2019

Quando as ideias tornam o mundo pior..
Se tem uma palavra que define bem este livro é peculiar. Ou eu deveria dizer “perturbador”? E porque não as duas? Pois pode acreditar, ao mesmo tempo que o universo criado pelo autor nos fascina por sua inovação tecnológica e científica, também nos assusta e muito, com a proximidade do mundo atual. Não é a toa que falaram por aí que Lovestar “era muito Black Mirror”, pois a diferença entre a obscuridade da trama e dos episódios da série são bem sutis.

Magnason nos proporciona uma distopia diferente das convencionais, ao mesmo tempo que renova a ficção científica sem trabalhar a mesmice de naves espaciais, robôs e os clichês mais conhecidos. Assim como a série Black Mirror, na trama de Lovestar há críticas ácidas e enérgicas ao mundo consumista, 24 horas online, politicamente correto e sedento por poder. E o modo como ele faz isso é nos apresentar duas histórias paralelas. Na primeira, acompanhamos a obsessão do senhor Lovestar em descobrir sempre algo novo, nunca parar de criar. Ele gosta de deixar as ideias consumirem ele, para depois passar elas para outra pessoa e assim ser “possuído” por uma nova e mais ambiciosa. Já no outro extremo da narrativa, temos um casal lutando para ficar junto em favor do amor verdadeiro, enquanto o resto do mundo fica cada vez mais dependente da tecnologia pra tudo: nascer, aprender, se divertir, casar… e morrer!

“Uma ideia é um ditador. Sequestra o cérebro, põe sentimentos e memórias de lado, faz você ignorar amigos e relacionamentos e orienta você na direção de um único objetivo, o de lança-la no mundo.“

Lovestar é um personagem bem estranho. Ele aparenta ser mais recluso, quieto, mas com a mente fervilhando de ideias e possíveis criações. Seu império começou muito cedo, com uma pequena ideia, mas que aos poucos foi ganhando proporções e abrangendo o mundo todo. Em poucos anos, todo mundo conhecia o nome de Lovestar. Ele é quase um deus na terra, o novo Jobs, o novo Einstein. Suas criações estão por todo o lado: anúncios diretamente implantados na mente do usuário, sistema de pontos como créditos no lugar de dinheiro, acesso imediato a qualquer informação em qualquer lugar, e por aí vai. Passa mais tempo na empresa do que com sua esposa. Lovestar vive em função dos outros, não de si mesmo.

Já o casal Indridi e Sigridi da trama chama a atenção pela “desconexão” com o mundo em que vivem. É como se os dois fossem “alienígenas hippies” vivendo em planeta comandado pela alta tecnologia. Eles não fazem parte completamente do sistema, amam-se de verdade e descartam qualquer possibilidade de serem “calculados” para seus pares perfeitos. Diante desse cenário, podemos observar que já aqui o autor faz uma reflexão sobre a sociedade moderna: quando tudo pode ser decidido por números, algoritmos e dados digitais ou aplicativos de relacionamentos, ainda sobra espaço para algo tão ínfimo – mas arrebatador – como o amor verdadeiro? Podemos substituir nossas emoções por matemática pura em todos os sentidos?

“Amor, Deus, flores, pássaros, borboletas e abelhas. Tudo tem substância. O sobrenatural não existe. Sempre encontramos tudo o que procuramos. Em cada canto do mundo as pessoas, seja qual for o motivo, fazem orações. As preces devem ter um destino. Isso não é mais louco que o amor, é?”

Quando se gosta de ficção científica há muito tempo, alguns paralelos não passam despercebidos. A ideia de anúncios que “brotam” na mente do usuário, que são completamente direcionados ao perfil exato de consumidor não é uma novidade. Philip K. Dick já explorou essa ideia em alguns contos, como “Argumento de Venda”, onde anúncios de produtos são constantemente disparados aos usuários. Outras ideias de Magnason, por mais absurdas que possam parecer, já existem na atualidade, como aplicativos de relacionamento, sistemas de pontuação de créditos como moeda (porque não também mencionar as cripto moedas?). O que dizer então de empresas que – de forma omissa – monitoram cada passo dos usuários na rede para conhece-los cada vez melhor (Google? Facebook? Alguém mais?)? E o mais bacana de tudo isso, é que o autor já imaginava essas coisas lá em 2004, quando a internet ainda engatinhava no modo discado.

Achei bacana como o autor constrói as críticas ao mesmo tempo em que nos leva a conhecer os dois lados da moeda. Enquanto Lovestar é calmo e seguro, focado em encontrar uma ideia que nunca antes fora descoberta ou criada, também acompanhamos o casal Indridi e Sigridi vivendo cada vez mais pressionado, esgotado e forçado a se curvar perante o sistema. De um lado, tudo é paz e perfeição, do outro lado, é caos e desgraça. E as coisas vão ficando cada vez mais tensas conforme se encaminha para o final, pois o criador desse mundo altamente tecnológico aparentemente encontrou a última grande ideia do mundo. Porém, com todo o sistema sobrecarregado, quais as consequências dessa última inovação? Será que Lovestar criaria a primeira – e bem sucedida – utopia?

“As pessoas ficavam eternamente esmagadas no presente, pelo peso do futuro, por cima da pressão do passado, e as coisas não melhoravam nada. As escolhas se multiplicavam e o arrependimento aumentava em relação direta até que as pessoas não conseguiam mais se mover e se embaraçavam numa rede invisível.”

Por este motivo a trama do livro se mostra perturbadoramente atual. Escrita há 14 anos, onde a maioria das tecnologias atuais nem existia ainda, o autor já conseguia fazer uma grande síntese do mal que a tecnologia desenfreada poderia proporcionar. Alertava também para a crescente dependência que teríamos da conexão 24 horas na internet, nossa insassiável busca pelo ‘mundo ideal’ e pela acomodação que o consumismo nos proporcionaria. Na verdade, se observarmos bem, há algum tempo vários autores tem escrito histórias com esse background. Jogador Número Um, de Ernest Cline e recentemente adaptado para o cinema, bate na mesma tecla: um futuro onde o consumismo esgota os recursos naturais e o que sobra é viver um mundo ilusório proporcionado pela alta tecnologia, pois o mundo real se tornou feio e triste.

Sem dúvida foi uma das melhores leituras que fiz em 2018 e vale a indicação para todo mundo que ama ficção científica, distopia, ou mesmo procura por livros que discutem questões existenciais / tecnológicas. O receio que eu tinha em ler o livro e me deparar com um romance bobo se quebrou logo no começo quando comecei a perceber a “bizarrice” que era aquele mundo futurista. Já de início absorvemos o tom obscuro da história e junto com o Lovestar vamos caminhando para um final assustador – porém puramente crível. E, ao mesmo tempo em que tememos pelo futuro do mundo, também aprendemos com Indridi e Sigrid que é possível lutar contra o sistema, se manter íntegro, único e, principalmente, humano.

site: http://resenhandosonhos.com/lovestar-andri-snaer-magnason/
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Maria Fernanda 21/09/2018

QUANDO VOCÊ ACHAR QUE FINALMENTE TÁ ENTENDENDO ALGUMA COISA, VAI VER QUE NÃO TÁ ENTENDENDO NADA
Vamos começar dando uma geral sobre do que se trata esse livro DOIDO: LoveStar é uma empresa gigantesca que dominou o mercado mundial. Não sobrou nenhuma área da vida em sociedade que não seja controlada por alguma de suas subsidiárias. A inLove, por exemplo, calcula os pares perfeitos, enquanto, a LoveDeath, fica com as questões funerárias. Isso só para citar as duas principais.

E é claro que por trás dessa corporação megalomaníaca existe uma mente. Um idealizador. Aquele que teve a ideia. (Se bem que ele diria que foi ela que o teve...) LoveStar é também o nome dele. Pseudônimo, na verdade. E o enredo vai acompanhá-lo em seu futuro, passado e presente ? sim, porque a linearidade da história vai e volta, sobe e desce, pula e dá cambalhota ?, mostrando o que o move e o que o levou a começar tudo isso.

"As pessoas que têm ideias são as mais perigosas do mundo porque estão prontas para correr o risco. Elas só querem ver o que acontece; o pensamento delas não vai além disso." (p. 93)

Mas essa também é a história de um simples proletário, Indrid, que vivia a sua vidinha tranquilamente até vê-la completamente bagunçada quando a sua namorada, Sigrid, é calculada pela inLove para outra pessoa. Porque, quando você é calculado, veja bem, você não tem escolha. Se a inLove encontrou o seu par perfeito, por que não ir até ele? Claro que não seria porque existe todo um aparato burocrático e midiático só aguardando para assegurar que, sim, você vai. Não... Seria porque, por mais apaixonado que você esteja por outra pessoa, vai perceber que isso não é real. Só a inLove é.

Dito isso, vocês acham que já deu pra ter uma ideia geral sobre o que é LoveStar? Sim? Mais ou menos? E se eu disser que, contando tudo isso, mal deu pra arranhar a capa do livro, quanto mais chegar ao miolo?

Antes de mais nada, serei sincera ao dizer que eu não gostei do enredo em si, da história que ele conta. Pensem num negócio sem pé nem cabeça! Experienciei vários níveis de (não) entendimento, começando por "quê?", passando por "ahhh, tá", esbarrando em "WHAT THE ACTUAL FUCK?" e travando em "meu deus, o que é que tá acontecendo?" Ler LoveStar foi como sair andando por uma cidade desconhecida com zero 3G pra poder acessar o Google Maps, e, pra piorar, sem fazer a menor ideia de aonde eu queria chegar. É o melhor que eu posso fazer para tentar descrever essa leitura, e ainda assim vocês não vão conseguir entender.

E agora é o momento em que eu digo que, CONTUDO, curti bastante o livro. *BOOM*

Acontece que, pra mim, Andri Snaer Magnason criou uma obra em que o personagem principal é o conceito. Durante a leitura, me pareceu que o objetivo do autor é fazer com que a gente deixe a ação em segundo plano e preste atenção à ambientação, entenda o contexto que cerca LoveStar e Indrid (e todas as outras pessoas que aparecem em um momento ou outro) e reflita sobre como vários aspectos do que parece ser apenas um delírio futurista muito doido (e tão Black Mirror!) já podem ser encontrados com uma facilidade assustadora no nosso dia a dia: "pregoeiros", "hosts secretos", manipulação genética. O progresso pelo progresso. O avanço tecnológico simplesmente porque é possível avançar.

Mas, para onde estamos avançando?
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JCarlos 03/09/2018

Poético. Humorado. Distópico. LoveStar
Segundo livro lido desse islandês, e não houve decepção.
Magnason cria uma bela e humorada distopia, onde uma sociedade conhece o verdadeiro sentido da conectividade, ainda que desprendida de fios.
Embora seja comum nos dias atuais, o Wi-Fi, os aplicativos de relacionamento, as redes sociais e outros meios trazidos pela tecnologia, principalmente na era da grande rede, é bom lembrar que o livro foi escrito em 2002, portanto, meio que uma visão interessante do Magnason, pois prevê situações que hoje nos são bastante comum, ressalvadas as proporções.
LoveStar começa meio como uma poesia, isto é, você sente isso pelo tom da leitura. Em um avião, um homem atravessa o Atlantico, com uma semente em suas mãos. E o que ele não sabe é que estaria morto em quatro horas. Esse homem é LoveStar, fundador das Corporações LoveStar.
A trama toda se intercala entre os momentos finais de LoveStar e o amor entre Indridi e Sigrid, dois jovens amantes que lutam para ficarem juntos, em conflito contra um sistema que escolhe o par perfeito, por compatibilidade, tudo isso mesclando-se a uma Islândia distópica, onde não existem fios, onde os dados viajam através de pássaros e borboletas.
Achei uma leitura bastante original e curiosa, um tanto quanto diferente do que estou acostumado, mas, ainda assim, em compasso com o papel da boa literatura de ficção, que é trazer novas probabilidades e situações que fogem ao nosso cotidiano, fazendo-nos refletir nas consequências de cada ação.
Leiam.
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