Eu quero mais

Eu quero mais Tayana Alvez




Resenhas - Eu quero mais


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Amanda Honorato 17/09/2019

Que livro lindo! Precisamos de mais desses.
EU QUERO MAIS além de tudo é um livro de descoberta, de aceitação de quem eu sou e se posicionar diante disso. No início não entendemos muito bem a relação entre Lizzie e seu melhor amigo Joaquim. Essa estória é nos apresentada aos poucos. Também não percebemos de cara qual é a relação abusiva, até torcemos para ela no início. Quando a gente acha que a estória vai seguir um determinado rumo, a protagonista cai num ciclo vicioso, e nesses momentos dá muito raiva e pensamos: sério isso Lizzie? Bom ver um livro com uma protagonista negra, mesmo num país como o Brasil é difícil ver, é mais comum que tenha um padrão europeu ( mesmo que o brasileiro também tenha esse padrão, é minoria). Vale muito a pena a leitura.
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Andressa 09/08/2019

Maravilhoso!
Descobri EQM por acaso, vendo um vídeo de lançamentos, e o que me chamou atenção de início, foi o fato da protagonista ser negra. Acho muito importante essa representatividade, e tenho buscado isso em minhas leituras. Fiquei encantada com a escrita fluida da Tayana, a forma humana e sensível que ela desenvolveu os personagens. Durante a leitura, tive várias sensações, em alguns momentos, mesmo sem querer, julguei a Lizzie, e isso me trouxe reflexões, em outros momentos, sorri, me decepcionei e me surpreendi junto com ela, pois a forma que a história foi conduzida, me envolveu muito. Além disso, são abordados assuntos muito importantes, principalmente para o momento atual, como relação abusiva, racismo, preconceito velado, empoderamento feminino. A Lizzie passa por uma grande jornada de autoconhecimento, e certamente ela não passou sozinha, essa leitura, além de me encantar, me proporcionou refletir sobre várias coisas. Recomendo que todos leiam!
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Lais 05/08/2019

Eu Quero Mais
“Aos dezenove anos, Elizabeth sai do interior do RJ e vai para São Paulo concluir a faculdade. Na faculdade de jornalismo, ela conhece Breno, alguém que se torna uma boa companhia com o passar dos meses e a cada vez que ela sorri com as surpresas de São Paulo e seu mundo de possibilidades, Breno, sorri de volta como se quisesse apresentá-la cada pedacinho desse mundo.” (enredo do livro)

Um belo dia recebo uma mensagem da escritora Tayana Alvez propondo parceria, lendo a mensagem fiquei super sem saber quem era esta pessoa, nunca tinha ouvido falar dela no meio da literatura negra, mas como adoro conhecer escritoras novas topei a parceria e até então fico contente por ter aceito a proposta.

Tayana Alvez descobriu não faz muito tempo que é uma mulher negra, negra de pele clara, filha de um relacionamento inter-racial, algo muito parecido com a minha vivência, a diferença é que já tinha noção da minha negritude faz um bom tempo. Esse é um fato muito importante pra quem já está acostumada com a literatura negra saber antes de começar a leitura, você vai se deparar com uma história fantástica escrita por uma mulher negra de pele clara em processo de construção da sua negritude.

De início fiquei receosa com a leitura, fiquei pensando que se não gostasse do livro o que falaria na resenha rsrsr mas aconteceu o inverso, me surpreendi com a história, com o modo que a escritora conduz as leitoras apresentando cada personagem e como a sua escrita atravessa as nossas memórias revisitando vivências, só posso dizer que Eu Quero Mais foi pra mim um livro surpresa.

Elizabeth é uma jovem que decidi ir para São Paulo concluir sua graduação lá, uma jovem negra com ‘traços finos’, que mantinha um ‘’’ relacionamento’’’ com um rapaz branco e ao chegar em SP se encanta ou melhor é atraída por outro rapaz branco, não pretendo falar sobre relacionamentos inter-raciais até porque este não é o foco do livro, mas observar quem estamos amando se faz necessário para talvez começarmos a entender a grande problemática que é a solidão da mulher negra.

No entanto, faço um grande alerta sobre o fato da solidão da mulher negra não ser somente a relações afetivas amorosas, e aqui Tayana Alvez soube escrever brilhantemente, nós mulheres negras conhecemos a solidão em diversas áreas da nossa vida, desde muito cedo somos a garota sem amigas (os), sem opção de escolha, sem amores, aprendemos a nos virar sozinhas e a nunca depender de alguém.

“Tudo o que a Elizabeth de doze anos queria era uma amiga mulher, mas adivinha só, ninguém queria brincar com a menina pretinha” (trecho do livro)

Elizabeth é uma jovem de nível socioeconômico muito bom, isso já a coloca em um lugar onde a maioria será de pessoas brancas, e aqui lembro de uma provocação que sempre é feita quando questionamos sobre as redes de afeto que temos criado “quantos amigos pretos tem no seu rolê?”, na história Lizza acaba sendo a única menina negra no grupo de amigos, uma das poucas no curso de jornalismo, sempre aquela exceção a regra, sempre aquela minoria mesmo sendo a maioria da população, sempre aquela cota em espaços dominados pela branquitude.

Em um dos momentos não tão importantes pra história, mas especial pra mim foi quando na festa junina Lizza conversa com um dos formando que é um rapaz negro e ele relata que não interessa o quanto você tem na carteira ou na conta bancária, você sempre será uma pessoa negra em qualquer espaço que frequente, isso é muito impotente para compreendermos que a luta de classe é necessária, porem se não for feita de forma interseccional não trará soluções para a população negra, e quando nos referimos as mulheres negras ou falamos de uma luta interseccional que abranja Raça, Classe e Gênero ou não estaremos fazendo algo para e pelas as mulheres negras.

“Vou te falar só mais uma coisa e vê se não esquece: um branco privilegiado, é uma pessoa privilegiada, um negro privilegiado, ainda é um negro” (trecho do livro)

Lizza acaba passando por muitas, muitas e muitas coisas com o seu namorado Breno, essa parte vou deixar pra que você leia na própria história rsrsrs de como fica esse relacionamento, como Joaquim aparece nesse romance, como fica toda essa situação e o desfecho, realmente vou deixar para que vocês mesmos leiam rsrsrs

Por fim outo momento marcante foi quando na história resgataram a importância do brasão da família e ali Lizza pode reconhecer o legado das ancestrais e de como o caminhar e a luta delas oportuniza a nossa produção de identidade hoje. A cantora Gabz com Baco Exu do Blues cantam que “Nós somos os sonhos dos nossos ancestrais” acredito muito que somos a liberdade que pouco tempo atrás não era possível, somos a afirmação negra que ora teve que se esconder para conseguir sobreviver, somos tudo o que quisermos ser e isso Lizze conseguiu compreender por meio de suas vivências e de sua história familiar.

O livro Eu Quero Mais é vendido na Amazon e eu super recomendo 😘

site: https://leitoranegra.blogspot.com/
Tayana Alvez 08/08/2019minha estante
Maravilhooooosa!!!!




Géssica Ferreira 01/08/2019

Amor e ódio
No início o que mais me chamou atenção foi o fato da protagonista ser negra, além do fato de que já me vi nessa mesma situação: mudar de cidade para estudar. Entretanto não é um livro fácil, faz você querer chacoalhar a personagem várias vezes durante a história.

O livro aborda temas como racismo e relacionamento abusivo. Que muitas vezes faz seu estômago embrulhar de tanto ódio, por saber que esses casos são mais reais do que imaginamos. Talvez seja gatilho para quem já passou por situações semelhantes, e tive que interromper a leitura varias vezes para me recompor durante alguma passagem do livro.

Como a história é narrada pela Lizzie e tendo apenas o ponto de vista dela, vamos acompanhando toda a evolução, passando pela menina decidida até suas quedas e seus traumas consequentes do relacionamento abusivo. Por esse motivo, o início da percepção de que é um relacionamento abusivo é “sutil”, através de pequenos atos ou falas do outro personagem até ele se revelar claramente. Ver isso através do olhar da Lizzie foi doloroso, pois percebemos como essa manipulação afetiva altera completamente a percepção de realidade da vítima.

É uma personagem complicada. O relacionamento dela com o Joaquim era problemático, e foi um erro ter se envolvido com o Breno sem resolvê-lo. No início não gostava de nenhum dos dois. Há também a história dela com o irmão, onde penso que a personagem foi um pouco egoísta nesse caso.

Uma parte bonita do livro foi a construção da amizade com as meninas, Carol e Aline, senti que elas foram um porto seguro em um momento decisivo. Sem isso a Lizzie ficaria mais perdida ainda.

Enfim, é um livro que foi um mix de amor e ódio pelos personagens, mas que vale muito a pena a leitura. O final é lindo e nos dá um acalento no coração já tão angustiado durante a leitura.
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Gih 08/07/2019

LEIAM!!!!
EQM é que livro que você lê em uma sentada. Quando vê já leu o livro inteiro. Óbvio que todo livro tem seus pontos negativos também, porém isso não me fez deixar de dar 5 estradas para essa história linda. A Tay (autora) criou algo lindo onde consegue envolver temas como preconceito de uma forma que realmente ABRE os nossos olhos e nos faz aprender a pensar muito antes de falar qualquer coisa. Além disso tem um romance lindo envolvendo toda história. Queria dizer e deixar a dica: "não se iludam, e cuidado. Vocês podem ser enganados"
Deem uma chance para essa história porque eu juro que vocês irão se apaixonar de mais. Mais um livro que ganhou meu coração!!!
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Carol Ramos 30/06/2019

Um dos livros mais acolhedores que já li!
Sempre procuro livros com protagonistas negras, escrito por mulheres negras, porque sei que a chance de me ver em histórias assim é muito maior. Até EQM, eu me encontrava nas histórias da Chimamanda. Se alguém aqui já leu um dos livros, sabe que as lágrimas correm soltas e desavisadas, e você fica semanas para processar tudo que leu. E deixa eu te falar, com EQM não foi diferente!
Que surpresa maravilhosa uma autora brasileira, falando sobre uma universitária negra, retratando tanto do que passei durante os 5 anos de graduação.
É um livro maravilhoso, acolhedor, leitura obrigatória para quem quer se conectar um pouco mais com assuntos tão sensíveis e importantes.
Muito obrigada Tayana. Já estou no aguardo do próximo livro!!
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Gi 22/06/2019

O livro trata de diversas questões que infelizmente ainda no dia de hoje não são tratadas da maneira que deveria. Achei incrível a criação dos personagens e o quanto tive reação a cada ação deles. A Tayana esquentou meu coraçãozinho no início dessas férias ?
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Stéfani Borges 19/06/2019

Eu quero é mais que tá pouco!
Como é possível amar, odiar e amar a protagonista da história? Esse livro é a melhor relação de amor e ódio que eu já vivi, já disse mas vou repetir: Tay, você é genial garota! Obrigado por destruir meu coração e colar os caquinhos tão bem no final desse livro.

O que dizer sobre a história da Lizzie?
Bem, como mulher branca (e magra) - esse seria o padrão de beleza da nossa sociedade? - eu não tenho culhões de me pronunciar à respeito da importância real desse livro acerca do racismo, mas, enquanto mulher eu posso dizer que Eu quero mais me ajudou muito a me olhar com mais respeito, com mais amor próprio, com mais vontade sobre mim mesma e sobre as minhas escolhas. Eu tenho tentado parar de medir a minha vida com a régua alheia, assim como a Lizzie aprendeu com o histórico de mulheres negras e fortes da família dela. A Lizzie aprendeu que não precisava ser como os outros esperavam que ela fosse, que tudo bem errar, que tudo bem fazer as próprias escolhas e que tá tudo bem. Ela queria mais e foi à luta (melhor trocar essa expressão por 'e foi atrás', afinal, a vida não é uma guerra #eqm).

'Eu quero mais' abriu meus olhos para um problema que eu não soube identificar e do qual eu também fui vítima (também tive um Breno na vida), sou grata à história da Lizzie por me mostrar que é possível sim se recompor depois de tudo e que posso até ser uma versão melhorada de mim no fim das contas.

Não teve como não 'pegar' ódiozinho de alguns personages né? Fabiano... um que belo monte de merd*. Breno... se trata né querido? Paulo... que desnecessário você, né meu filho? (mas ainda fiquei com vontade de pegá-lo no colo e dizer que tudo bem amar as pessoas, a gente só tem que tomar cuidado pra não ferir outras - não xinguem o Paulo meus amores, ele é a melhor relação de amor e ódio que tive nesse livro).

Ainda bem que me apaixonei por tantos outros: Aline (queria uma amiga dessas), pela Tia Camila (divaaaa), Seu Sávio (sapiência é apelido pra esse deuso desconstruído), Carol (em um relacionamento aberto com ela rsrs) e Joca (ahhhhhh vida, como eu pude ser tão inocente de achar que você era um cara perfeito, quando no fim das contas eu percebo que você é só um cara normal, educado, amoroso, companheiro... como eu amo você!)

Como eu disse pra Tay, eu esperava um primeiro livro bem cliché, um romance previsível, que fosse capaz de me fazer chorar umas vezes e no fim ficaria tudo bem. Mas não, a Tay tinha que puxar meu tapetinho e falar "hoje não" (bem Arya Stark).

Não me considero boa em escrever resenhas, às vezes vejo algo que não era pra ver no livro e fico cega pra outras que eu deveria ter visto. Mas espero que eu tenha compartilhado um pouquinho da minha experiência com 'Eu quero mais' e que ela seja proveitosa para você, futuro leitor.


Ah! E Tay, Eu quero mais, viu? Vai escrever garota!
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Anne S 14/06/2019

Uma história super necessária!
Um livro simplesmente surpreendente com uma história muito bem construída e com personagens que sabem quem são e o que são! A autora soube usar muito bem o conhecimento que tem e da para perceber que foi realizado uma pesquisa para saber o que e como escrever sabe! Uma história que traz muitos tabus que são mega necessários serem mostrados e discutidos principalmente na nossa sociedade atual e com os jovens que com certeza iram e devem ler sabe! Para saber mais sobre acessa o meu IG literário: @annesilva18
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Camila Melo (A Bookaholic Girl) 14/06/2019

Eu quero muito mais livros com protagonistas negras
Representatividade importa sim
De uns tempos para cá eu tenho procurado livros, filmes e séries que trouxessem personagens negros no protagonismo. Pode ser besteira, mas depois que você se vê cada vez mais reconhecido como uma pessoa não branca e sente orgulho de seus traços, fica impossível ignorar a falta de personagens que lhe representam. Eu fico extremamente feliz em ver que há autores negros, e principalmente autoras negras brasileiras, que têm desenvolvido histórias a partir de suas experiências, e contribuindo dessa forma para uma literatura mais igualitária. Conversando com a Tay durante a leitura, e tratando especificamente da questão da representatividade, a autora me disse que trazer uma protagonista negra era ao mesmo tempo tratar das questões de gênero e raça, esta última principalmente por ser algo indissociável.

Isso significa que até os dias atuais, falar sobre a experiência do negro na sociedade é também tratar do racismo. Elizabeth sai de Campos de Goytagazes, região do interior do Rio de Janeiro para São paulo, com o intuito de cursar jornalismo em uma das melhores universidades do país. Além de sair da zona de conforto para encarar uma nova fase de sua vida, Elizabeth precisa lidar com o racismo nas pequenas obervações no campus da faculdade:

Não precisei de mais do que duas semanas de aulas para perceber que a quantidade de negros por turma é pequena e algumas aulas não contam com nenhuma pessoa negra além de mim. Não dá para dizer que isso não é intimidador, mas prefiro olhar pelo lado do desafio. Talvez eu seja mesmo a única negra aqui, agora, mas eu se eu não estivesse aqui, se não tentasse conseguir esse espaço, outras pessoas poderiam achar que esse lugar não é para elas. Já senti isso em relação a muitas outras coisas, e não é um sentimento legal.

Ao desenvolver a personagem de Elizabeth a autora também discute outras questões referentes à mulher negra, principalmente em relação aos seus traços o que bate de frente com o ideal de beleza desejado que muitas vezes não considera a mulher negra, com cabelos crespos como padrão:

Estou cansada de achar que foi uma grande sorte nascer com esses olhos e o nariz da mamãe, já escutei tantas vezes “Que sorte que veio com esse olho”, “Nossa, você é tão linda, seu olho é incrível”, “Levanta a mão e agradece pelo seu nariz ser fininho”. Não gosto disso (…) E eu não gosto de ser objetificada pelo meu “corpaço”, não gosto de ouvir que eu tenho “a cor do pecado”, odeio que as únicas coisas que chamem atenção em mim positivamente sejam meus olhos claros e meu nariz fino, ou seja, meus traços de branca.

Simultaneamente há também uma visão um tanto estereotipada do corpo negro, como o sociólogo Stuart Hall destaca em seu ensaio The spectacle of the other ao trabalhar as questões das representações dos negros em campanhas publicitárias. Ele menciona tanto a visão sobre o corpo forte dos atletas, até as animalizações, como também a sexualização dos genitais masculinos.

As pessoas já olham para mim e dizem “Ai sua cor/seu cabelo são lindos, eu acho um dos tons de pele mais bonitos e expressivos”, como se estivessem admirando ou um animal no quadro do Louvre ou um animal no zoológico e não ser um humano normal.

No curso de jornalismo Elizabeth também precisa aprender a lidar com as grandes diferenças que encontrará na sua profissão, já que a realidade não é muito promissora. Além da falta de profissionais negros em número de igualdade ao de pessoas brancas, muitos enfrentam ataques racistas pela internet, um meio que acaba por empoderar esse tipo de atitude, como no caso da jornalista Maria Julia Coutinho:

Existia uma barreira em ser telejornalista negro no Brasil, e se você não fosse a Glória Maria, certamente não tinha o direito de estar em destaque ali. Não que Glória não sofresse ataques, não é isso, mas pelo tempo que ela tinha de carreira, era fácil ouvir, “Mas tem a Glória Maria” (…) Como se o problema pudesse ser resolvido como uma única pessoa quando, na verdade, outras jornalistas negras como Joyce Ribeiro estavam recebendo críticas ao seu trabalho através da internet. Estaria tudo bem se as críticas fossem construtivas, afinal, ninguém nasce perfeito. Está tudo bem criticar o trabalho das pessoas, mas em momento nenhum consegui encarar “Esta negra chata, vesga, gaguejando na bancada do jornal é deprimente, fora Joyce Sebastiana crioula, volta para o tronco”, como uma crítica construtiva.
Desenvolvimento da trama
Como eu mencionei anteriormente a história de Elizabeth nesse nova jornada acaba por trazer demais aspectos na trama. Somos inseridos na aventura de um novo começo, a cidade de São Paulo como cenário, um lugar completamente novo, com novas interações, o início da vida adulta longe da família, do lugar de refúgio e porto seguro, as aspirações profissionais e acadêmicas. Tudo isso envolto de diversas referências a filmes, séries e músicas, aliás, esse é um dos pontos centrais da trama, visto que em cada capítulo há referência a uma canção, formando uma trilha sonora com músicas de Legião Urbana e Los Hermanos, e mais alguns outros.

Eu quero mais não se limita apenas à questão de raça e gênero, mas também em relação aos relacionamentos com a família, novas amizades e relacionamentos amorosos. Ao mesmo tempo em que a escrita da Tayana Alvez é envolvente e fluída, por conta dos acontecimentos me vi obrigada a fazer algumas pausas para respirar bem fundo.

A autora trabalha de uma maneira que me tirou da minha zona de conforto e me fez questionar meus princípios como verdade única e absoluta. Isso porque eu fiquei muito intrigada com a relação entre Elizabeth, Breno e Joaquim, nunca me vi nas situações retratadas e por isso senti muita dificuldade em entender as atitudes da protagonista, chegando mesmo a ter uma certa irritação pelo seu modo de agir, o que foi acentuado pela narrativa ser majoritariamente sob a perspectiva dessa mulher. Mas conforme a leitura foi progredindo eu fui entendendo que pelo fato de eu não ter vivenciado experiências semelhantes eu não teria condições de julgar Elizabeth. É bem aquela coisa, só quem passa por uma determinada situação sabe bem o que está sentindo, e quem está de fora consegue ter apenas uma visão superficial.

Sem me aprofundar em detalhes na intenção de evitar spoilers, a questão é que entre Joaquim e Breno há situações extremamente complexas. Um deles é o melhor amigo de Elizabeth desde sempre e seu primeiro amor, mas que devido a diversos fatores acabaram se separando e mantendo uma amizade muito próxima, como se o relacionamento amoroso não tivesse de fato esclarecido, devido à forte atração e sentimento que sente um pelo outro. Por outro lado, há também o nascer de uma novo relacionamento, alguém que se mostra amigo, cúmplice, mas que com o passar do tempo se mostra tóxico, minando a personalidade de Elizabeth.



Construção de personagens
Até determinado ponto a gente acha a relação da Elizabeth com seu novo namorado muito normal, isso porque além de termos a perspectiva dela, a construção dos personagens colaboram para nos colocar em dúvida. A autora constrói seus personagens não de maneira rasa ou estereotipada, isso significa que, nós como seres humanos temos diversas camadas, não somos 100% “bonzinhos” ou 100% “vilões” o que nos deixa questionando as atitudes de todos os personagens.

Até certo ponto consideramos o novo namorado um amor, afinal ele é romântico, amigo, cuida e se preocupa com ela. Por isso, achei extremamente importante a inserção de diálogos entre Elizabeth e suas amigas Carol e Aline, porque no momento em que elas discutiam algo saíamos da visão da protagonista para entender melhor o tipo de relacionamento e não achar normal ou naturalizar atitudes completamente abusivas. E ainda, ao mudar o foco narrativo nos últimos capítulos podemos compreender melhor as consequências de um relacionamento abusivo na vítima, suas mudanças de humor e desenvolvimento de alguns sinais de tensão por qualquer situação, levando a choros compulsivos até então sem nenhuma justificativa.

Alguns personagens me deixaram tão intrigada que eu queria conhecer mais deles, especificamente a Aline e o Paulo, colega de quarto e irmão de Elizabeth, respectivamente. Suas histórias me deixaram ansiosa para conhecê-los mais a fundo, conhecer seus passados para tentar compreendê-los melhor, quem sabe a autora se convença a criar mais conteúdo desses dois, eu ficaria extremamente grata. E sim, isso é uma indireta mesmo! Hahaha

(((Resenha completa no blog))

site: https://abookaholicgirl.wordpress.com/2019/06/14/resenha-eu-quero-mais-de-tayana-alvez/
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Ale 13/06/2019

Eu Quero Mais no blog Estante da Ale
Para fazer faculdade, Elizabeth se muda para SP e encontra um novo mundo, cheio de novidades e possibilidades. Mas será que para aproveitá-las, é necessário deixar o melhor amigo Joca para trás? Nessa nova vida, Lizzie conhece Breno, um rapaz atraente e apaixonado que a ajudará nessa fase de adaptação.

O que eu mais gostei da obra foi sua naturalidade e honestidade. Um livro que pra alguns pode ser considerado romance, mas para outros é sobre conscientização e auto-conhecimento. A história aborda temas atuais e relevantes, as discussões dos personagens fazem parte de nosso dia a dia, como por exemplo: racismo, machismo, feminismo, emponderamento da mulher e relacionamentos abusivos. Todos esses temas nos são apresentados de maneira crua, com total transparência e sinceridade.

E a própria protagonista Lizzie é a maior responsável pelos tapas na cara que o livro te dá. Confesso que eu não concordei com muitas atitudes da personagem e por isso não dou 5 estrelinhas a obra. Acho que suas atitudes com Breno x Joca não foram certas e me deixaram diversas vezes com raiva pela sua falta de posicionamento e também por ela não falar a verdade para ambos desde o início. Prezo muito a sinceridade e de certa forma, foi injusto com os dois garotos, ela querer tê-los à disposição sem colocar em consideração o que sentiriam ao descobrir um do outro. Se um deles se tornou abusivo ou não, isso não vem ao caso, já que de começo ninguém sabia o que o relacionamento iria se tornar e vou usar aquela famosa frase: um erro não justifica o outro. Porém, tirando esses fatos, é inegável que Lizzie traz voz a meninas que são menosprezadas pela cor ou até mesmo por simplesmente serem garotas. Ela aprende a se impor e ainda dá uma aula sobre a sociedade e seus preconceitos.

A evolução da história acontece de maneira gradual. Vemos os meses, anos se passando e os personagens amadurecendo não apenas de maneira pessoal como também nos relacionamentos. Lizzie vai se descobrindo e tomando posições que definem quem ela é e quem ela quer ser.

E se for para ser completamente sincera, a leitura não foi fácil. Em muitos momentos, eu queria chacoalhar a Lizzie para ela ver no que estava metida. Eu não conseguia gostar de nenhum dos garotos simplesmente por conseguir enxergar o quão mal aquela situação fazia a nossa protagonista. Há muita indecisão, muita humilhação e ciúme. Não pense que você se sentirá confortável, é uma história para incomodar e esteja ciente disso ao começá-la.

"Eu Quero Mais" é uma obra que merece atenção não apenas por nos apresentar um enredo envolvente, como também por nos fazer um serviço social importante.

site: https://estante-da-ale.blogspot.com/2019/06/livro-eu-quero-mais.html
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Faces EM Livros 12/06/2019

📚 Uma leitura que nos obriga a valorizar a felicidade, sem pensar muito no futuro. Um romance que nos exige uma resposta para os afetos, sem adiar os sonhos. Lizzie sabe que tudo dependerá de suas escolhas.

Elizabeth saiu do seu ninho, e foi para São Paulo em busca dos seus sonhos, principalmente, independência. Como aluna de jornalismo ela tomou grandes decisões, e coube a ela lidar com as consequências. Entre o passado e presente, Lizzie conta o quanto sofreu racismo por ser uma mulher negra, como também enfatiza a força que as mulheres de sua família tem.
Ao sair de casa, Lizzie deixa as lembranças do seu primeiro amor: o Joaquim; e se mantém aberta para o novo. A dúvida fincada é: o passado molda o presente, e determina o futuro?

⠀ ❝O efeito da música nas pessoas é curioso e inebriante. Músicas são capazes de fazer coisas que simples frases soltas não são.❞

⠀ 📖EQM foi uma leitura que me deixou com um nó na garganta diversas vezes, e eu não criei expectativa alguma sobre o livro. Me deixei levar pela narrativa fluída, pela escrita avassaladora da Tay- que é rica em detalhes miméticos sobre a vida de uma mulher negra e o racismo vivido por ela. Sem dúvidas foi uma protagonista que me deixou com sérias dúvidas sobre as escolhas que venho fazendo, e o quanto elas podem nos definir.

⠀ 📖A Bru escreveu o prefácio desse livro maravilhoso, e já nos alerta para o misto de emoções que iremos sentir. A raiva pelo que Lizzie passa, os momentos de tensão por querer estar na pele dela ao mesmo tempo que estamos, e compartilhamos a dor dela ao se manter em um cativeiro emocional! E só mais a frente entrar em um processo catártico para um autoconhecimento.

⠀ 📖É um livro que diverge opiniões. O romance é o pano de fundo da trama, pois a narrativa é sustentada pela representatividade de uma mulher negra. EQM reafirma que o poder da literatura nacional, que deve ser valorizada. Essa capa sensacional foi feita pela Lola Salgado e dança conforme as notas entoadas pela nossa protagonista.

site: https://www.instagram.com/p/ByoM75XjZ25/
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Luana Moraes 12/06/2019

Será que o amor vai vencer no final?
Enquanto eu lia eu quero mais pensei em duas coisas: Tayana conseguiu me fazer não gostar dos seus dois mocinhos, segundo, quero uma história para a avó da personagem para ontem. Agora que desabafei vamos falar sobre a história.

O primeiro romance de Tayana Alvez é um verdadeiro soco no estômago dos leitores, a autora constrói um enredo que te leva a uma jornada de autoconhecimento, amizade e amor que vão te fazer rever conceitos pré concebidos.

Não se engane, eu quero mais não é um romance sobre três pessoas que se apaixonam e a vida dá um jeito de separar os amantes. É muito mais doloroso que isso. É aquela história em que o amor dos personagens acaba por se tornar um pano de fundo para coisas maiores e mais importantes.

É engraçado, eu li EQM algumas vezes antes da publicação, critiquei as escolhas da personagem, critiquei algumas decisões que outros personagens tomaram, mas Tayana esse momento é seu.

A jornada de autoconhecimento da Elizabeth, merece alguns parágrafos apenas dela. A autora conseguiu me fazer ficar com raiva e irritada, eu julguei a personagem e xinguei mais vezes do que posso mencionar e ainda manter uma classificação livre nesta resenha. Mas, Elizabeth cresce muito a cada capítulo, ela desconstrói conceitos e verdades que eu tomava como absolutas.

Elizabeth é a única aluna negra no curso de jornalismo. Ela saiu de uma cidade pequena, em que possui um futuro como certo. Ela quebrou paradigmas para chegar a universidade e mais alguns para se manter lá. Ao longo da história você será confrontado com uma realidade dolorosa vivenciada no dia a dia da mulher negra.

Um dos pontos mais altos deste romance é à atenção que Tayana deu ao passado da personagem, como ele pesa nas decisões e influencia de todas as formas na vida da personagem.

Elizabeth é uma mulher corajosa, determinada e que ao longo da trama será muitas vezes incompreendida pelo leitor, ela foi por mim. Não vivencio a realidade da personagem na pele, mas depois de EQM, passei a olhar para todas as minhas amigas que passam pelas mesmas adversidades da personagem.

Tay, conseguiu amarrar todas as pontas do enredo, eu sei disso, pois vi sua dedicação a cada revisão. A cada vez que eu disse está ruim, refaz, você tá louca e outras coisas. O enredo foi corrigido, revisado, arrumado e se transformou em algo que acredito que nem ela esperava.

É prazeroso (vai te dar raiva também, se você for sanguíneo como eu) acompanhar a vida de Joaquim, Breno e Elizabeth. Você vai se sentir amigo(a) de Aline e Carol, vai se apaixonar pelos mocinhos (se seu coração não for uma pedra como o meu), vai contar até perder a voz com a Elizabeth e vai voltar para casa com o coração aquecido. Não estou puxando o saco, mas se estivesse ainda séria merecido.

Eu quero mais vai abordar preconceito, racismo, relacionamento abusivo entre outros. O romance vai falar sobre aceitação, porque é tão difícil a gente se aceitar. E no final, você vai descobrir que esse livro não é apenas mais uma história comum. É MAIS!

Espero que assim como eu, Eu Quero Mais fique gravado em sua memória de alguma forma.

Será que o amor vai vencer no final?
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Miry 06/06/2019

Senti de tudo um pouco
Eu não sei dizer tudo o que senti lendo essa história. Amei, senti raiva, é uma história que passou por altos e baixos. Mas que no final ela acalenta o coração.

O final pode não agradar a todos, mas achei bastante real. Aprendi muito acompanhando a vida de Elizabeth.

E agradeço a autora pela chance de viver tamanha intensidade lendo a sua história.
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