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    Nos bastidores do Reino - A Vida Secreta na Igreja Universal do Reino de Deus

    Mário Justino

    Geração Editorial
    2002
    150 páginas
    5h 0m
    ISBN-11: 8586028061
    Português Brasileiro
    3.7
    76 avaliações
    Leram122Lendo5Querem74Relendo2Abandonos2Resenhas16
    Favoritos5Desejados74Avaliaram76

    Pela primeira vez, um ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus revela com enorme impacto os segredos e os podres da seita do bispo Edir Macedo, hoje espalhada por quase todo o mundo. A obra caiu como uma bomba sobre a organização de Macedo, que conseguiu na Justiça uma liminar impedindo provisoriamente a circulação do livro, que ficou apenas 22 dias nas livrarias, desde seu lançamento, em novembro de 1995. A editora lutou e conseguiu, na Justiça, a liberação da obra, em que o ex-pastor Mário Justino narra sua amarga experiência com religião, drogas e o submundo do crime, no Brasil e em Nova York. Um livro saudável, recomendado para jovens e que foi adotado como educação para a cidadania por vários professores.

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    Doney Corteletti Stinguel02/02/2019Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Lista de Livros: Nos bastidores do Reino, de Mário Justino

    “Na Igreja Universal do Reino de Deus, existe uma fórmula padrão para se fazer um culto. Sempre que alguém entrasse nos nossos templos, teria de ver a mesma coisa, não importando se estava em Belo Horizonte, Bogotá ou Buenos Aires. Os cultos eram feitos com gritos frenéticos dos apresentadores e a participação ativa da plateia. Esse espetáculo espiritual é dividido em duas partes e chega ao clímax quando são realizados os exorcismos. Nesse momento, pessoas aos gritos começam a rolar pelo chão e jogar para cima os bancos da igreja. Algumas chegam a entrar em luta corporal com os pastores e obreiros. Aos que vinham pela primeira vez, explicávamos que aquelas pessoas estavam possuídas por demônios e ensinávamos que eram esses espíritos malignos a fonte de mazelas como desemprego, problemas financeiros e amorosos. Dizíamos também que as doenças eram sinais físicos dessa possessão demoníaca e, uma vez que estes espíritos eram expulsos, as pessoas ficavam curadas de toda a sorte de enfermidades. Geralmente entrevistávamos os endemoniados e, para mostrar ao respeitável público que tínhamos poder sobre eles, fazíamos com que essas pessoas andassem de joelhos ao redor da igreja, ou batessem a cabeça nos nossos pés, ou latissem ou ainda que imitassem galinhas, porcos e outros animais. Isso dependia da imaginação de cada pastor. Depois dos exorcismos, enquanto o povo explodia em aplausos e gritos de júbilo, do alto do púlpito nós agradecíamos os louvores. Mesmo sabendo que aqueles “demônios” nada mais eram do que pessoas em busca de alguma atenção ou sofrendo de seríssimas crises emocionais, nossa atitude era indefectível. Mas era na segunda parte do culto que o pastor tinha de “provar a que veio”. O seu futuro como pastor dependia daquela hora e ele precisava ser cauteloso. Nem tão agressivo para não demonstrar ganância, nem tão passivo a ponto de deixar transparecer insegurança. Nenhuma outra passagem da Bíblia é tão exaltada e divulgada na Igreja Universal quanto o “Trazei todos os dízimos e ofertas”, de Malaquias (3:10). Pedir ofertas não era uma tarefa fácil, e bem-aventurado era o pastor que dominava a arte de fazer com que as pessoas abrissem seus bolsos ou assinassem cheques a fundo perdido. Esses pastores eram poucos. Eles eram os reis da lábia. Pelos seus esforços, recebiam tratamento diferenciado: ganhavam bons carros, bons salários, boas roupas e boas moradas. Eles eram o “crème de la crème da igreja”. Ou “notáveis”, como se autodefiniam. As mordomias eram uma recompensa pela habilidade. Basicamente, essa habilidade consistia em passar uma hora pedindo dinheiro, em valores decrescentes, e ainda fazer com que o saque parecesse uma singela parte do culto. Um singelo ritual em que os fiéis ajudam a manter o bom funcionamento da obra de Deus. Muitos pastores, por timidez diante do público ou por serem contra a total falta de transparência do roteiro do dinheiro, simplesmente não se esforçavam para levantar ofertas. Esses pastores formavam a ala conservadora da igreja e sempre eram mandados embora na primeira oportunidade. Bem-feito para eles: em vez de pedir altas ofertas e fazer macaquices no púlpito para entreter o povo, optavam por pregar tolices como salvação da alma ou tópicos que a ninguém importavam, como a segunda vinda de Cristo ou o dia do Juízo Final. Ladainhas.” * Mais do blog Lista de Livros em:

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    Mário Justino

    O autor, atualmente, aos 55: livre das doenças: a AIDS, as drogas e a Igreja Universal.

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    Mário Justino