De volta à Daevabad com histórias curtas reunidas em uma coletânea, S.A. Chakraborty nos transporta ao universo de magia e política que roubou meu coração desde A Cidade de Bronze. Com O Rio de Prata, temos um jeitinho de matar a saudade de personagens através dos extras que não chegaram na trilogia.
Esta resenha não tem spoilers significativos da Trilogia de Daevabad. Pode ler sem medo!
O Rio de Prata é uma coletânea com vários contos, capítulos soltos e trechos alternativos que acabaram não chegando na versão final dos livros. A Cidade de Bronze, O Reino de Cobre e O Império de Ouro recebem versões estendidas ou visões alternativas do que conhecemos nos livros. E por isso é uma leitura tão essencial para quem se apaixonou por Daevabad!
As tramas exploradas aqui por S.A. Chakraborty alternam entre diferentes personagens da trilogia, com avisos de spoilers e de onde se passa cada história no início delas. Te dá uma margem do que está para ler e também te prepara para o que está para encontrar.
"Precisa endurecer o coração ou Daevabad vai esmagá-lo."
Eu me emocionei demais com esse retorno ao universo. A magia, a política, a riqueza de detalhes. É tudo tão vivo que te faz acreditar que Daevabad está escondida em algum lugar no deserto, guardando segredos e um mundo fantástico em seus muros de bronze.
É através da nostalgia e da saudade que a autora nos conduz por essas histórias. O Rio de Prata é muito como um presente para os fãs, nos levando de volta a um universo que ficou tão marcado em três livros maravilhosos.
Como todas as tramas que aparecem são, em sua maioria, recheadas de spoilers, eu vou tentar sintetizar o que senti com as minhas favoritas. Sem revelar demais, obviamente.
Com Manizheh, ela explora a falta de liberdade e os horrores de viver sob o comando de um tirano. Ao mesmo tempo em que também nos mostra um pouco mais do coração partido e da raiva que moveram a personagem a fazer tudo o que fez.
Os capítulos de Jamshid e Muntadhir exploram um pouco sobre a juventude dos dois. Quando se conheceram, como. O que os colocou um no caminho do outro e levou a desenvolver a relação que é tão intensa e importante para as jornadas que trilham na trilogia.
"Não deixe que os outros o façam sentir menor porque não conseguem estar à sua altura."
Nahri e Ali aparecem para roubar a cena, porque são tão queridos e tão carismáticos e meu deus como eu amo esses dois! Tudo a respeito deles. Achei muito legal, principalmente, o capítulo que mostra um pouco da Nahri na corte, lutando para ser quem é e tentando se agarrar a quem era.
Um prólogo alternativo para O Reino de Cobre começa num tom mais macabro e tenebroso, com foco na violência que gera mais violência, na guerra que está prestes a estourar. E foi o meu favorito, porque ô prólogo tenso.
Tem também histórias inéditas sobre a mãe de Ali, o irmão de Manizheh e alguns outros personagens que brilharam bastante nos três livros e tiveram mais momentos aqui. Dara, principalmente. Eu fiquei arrebatada e devastada pela história com ele, porque eis um dos personagens mais complexos e bem escritos dessa série.
"Você não compreende o tipo de violência que Daevabad testemunhou."
Daevabad, como eu já mencionei, é de uma riqueza de detalhes de encher os olhos. E mesmo curtinhas, cada pequena história que aparece aqui vem carregada neles. Da arquitetura à cultura e religião, das inspirações que a autora usou para compor o mundo, da questão com as raças e a guerra civil eterna entre eles. Da magia sutil à grandiosa. É tudo muito vivo e impressionante.
A edição da Morro Branco tá linda demais. Gostei muito da capa, com os detalhes metálicos que ficaram marcantes na trilogia toda. Os detalhes dentro do livro, a diagramação confortável. A tradução de Jorge Ritter e revisão e preparação impecáveis. Tá maravilhoso!
O Rio de Prata, em resumo, é uma grande ode a Daevabad e um jeitinho simples e rápido de matar a saudade - e também de ficar com mais saudade ainda. Quando terminei, estava chorando de soluçar porque é o tanto que eu amo essa história.