Talvez devesse ter lido Delirium também, antes de comentar o estilo do Carlos, mas confesso que não gosto de contos de terror, assassinatos em série e afins. Entretanto, venho acompanhando sua trajetória de leitor há tempo bastante para achar que ele está no bom caminho da escrita; ou seja, não deixou de ler e suas escolhas mostram não só diversidade como amadurecimento.
Provocações reflexivas & reflexões provocativas reúne textos bem humorados e ácidos, cuja intenção parece ter sugerido o título do livro: provocar polêmica, desafiar o leitor, ultrajar conceitos... Alguns assuntos não foram bem explorados; outros não me fizeram rir quando se pretendiam engraçados – talvez sair da superfície, fugir do lugar-comum trouxesse melhores resultados. Por outro lado, seu tom contemporâneo e meio subversivo mostra que sua ficção tem futuro. Boa sorte, Carlos!
Para entrar no clima do mês corrente, escolhi “Papai Noel” – página 24
Papai Noel, velho barrigudo
Não te vanglories por tão pouco
Pode ser incrível que bilhões de crianças, de muitas gerações
Acreditem em tua mágica existência
Em tuas renas e em teu saco cheio de presentes
Mas perto de alguns, Noel, tu és apenas amador – ainda
Falta maturidade
Estás longe de chegar aos pés
Dos maiores enganadores da humanidade
Ho ho ho, enganar crianças não é difícil
Quero ver é enganar bilhões de adultos, há há há
Como Cristo, o Jesus Cristo
Ele sim é o cara: Jesus é mito.