Não sei bem o que dizer de um livro que tem uma via ética tão crítica. A Ilha do Dr. Moreau traz a história de um médico-cientista que ao fazer experimentos em animais cria o embrião de uma nova civilização. Pendrick é o observador que insere o leitor nessa ilha de quimeras, tomando para si o papel de juri, mas não de executor. O sofrimento físico de cobaias sempre foi um dos tópicos mais controversos da pesquisa - mas e se além disso, estivessemos criando um sofrimento psíquico e moral? É o que diria o ser que entende não ser fera e nem humano. A dualidade dos instintos e da mente estão presentes nos pequenos cenários observados, como funções ritualísticas, a aceitação de ofícios, a rejeição do corpo. O horror de Pendrick ao relatar tais coisas pode ser sentido em como ele se perde em algumas descrições que Wells fez questão de intercalar com momentos de surto. É uma leitura pesada apesar de breve. Recomendo principalmente aos primeiranistas de qualquer área por ser esse o tipo de questionamento que estão sendo ensinados em tal momento.










