As Fronteiras do Neoextrativismo na América Latina (Alternativas) - Conflitos socioambientais, giro ecoterritorial e novas dependências

    Maristella Svampa

    Editora Elefante
    2019
    186 páginas
    6h 12m
    ISBN-13: 9788593115455
    Português Brasileiro

    Instigados pelo boom das commodities, governos progressistas que chegavam ao poder na América Latina no início do século XXI enxergaram na intensificação da exploração de bens naturais com vistas à exportação uma forma eficaz de enfrentar a crise econômica — e de enfim alcançar o sempre distante objetivo de desenvolvimento de suas respectivas nações. Como nos mostra a socióloga argentina Maristella Svampa neste livro, a consequente intensificação da espoliação da natureza demandada por esse modo de produção logo fez com que, em nome do “progresso” e do “desenvolvimento nacional”, esses mesmos governos não titubeassem em violar direitos humanos e em pôr em risco patrimônios ecológicos. Contudo, essa nova dinâmica das lutas socioambientais acabou servindo de caldo de cultura para uma nova matriz de resistência social cuja preocupação central é a defesa da terra e do território sustentada por valores ambientalistas, autonomistas, indígenas, comunitários e feministas.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover

    Similares (4)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (3)Ver mais
    Luis Paulo picture
    Luis Paulo06/08/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma grata surpresa em 2020!

    O extrativismo caracterizou, historicamente, a maneira pela qual os países latino americanos se inseriram na periferia do capitalismo global, como eternos provedores de commodities. Entre os anos 2000 e 2015, com o superciclo dessas commodities no mercado Internacional, os governos progressistas da AL enxergaram no neoextrativismo a fonte geradora de recursos para promoverem as reformas sociais de seus programas políticos e, com isso, promoverem o desenvolvimento e reduzirem a distância em relação aos países do norte do globo. Se, por um lado, o modelo neoextrativista gerou os superávits que possibilitaram a esses governos reduzir a pobreza por meio de programas sociais e melhorar a situação das camadas mais baixas pela valorização do salário e inserção ao mundo do consumo, por outro, ele manteve a AL na periferia do capitalismo, com a reprimarização das economias, ao mesmo tempo em que produziu um gigantesco passivo socioambiental. Basta olhar para o Brasil para confirmarmos o diagnóstico: altíssima concentração de terras e renda, violação aos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais, desindustrialização precoce, desmatamento da Amazônia e do Cerrado, assassinato de lideranças comunitárias e ativistas ambientais, crimes ambientais de Mariana e Brumadinho, etc. Evidentemente, com a gradativa redução dos preços das commodities após a crise de 2008, o que intensificou a exploração da natureza para compensar as perdas, a AL se afundou em uma grave crise econômica, social e ambiental. Neste contexto, surgiram vários movimentos político-ambientais que têm pautado a resistência ao modelo neoextrativista, como os ecoterritoriais, os indígenas e os ecofeministas. Esses movimentos são pautados em uma nova interpretação da nossa relação com a natureza, a partir de perspectivas como o bem viver, os direitos da natureza, a ética do cuidado, o decrescimento, o bem comum, entre outros. Eles propõem alternativas ao modelo de desenvolvimento hegemônico, de baixo pra cima, que passam pela valorização das economias locais e regionais, pela agroecologia, pela despatriarcalização, etc. É disso que trata este livro excelente, escrito pela socióloga argentina Maristella Svampa. Convido a todos à leitura, pela urgência da necessidade de buscarmos um novo modelo de desenvolvimento, que seja fundado na pauta socioambiental.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.5 / 27
    • 5 estrelas63%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas4%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%