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    São Paulo nos Primeiros Anos 1554-1601 - São Paulo no século XVI

    Afonso d´E. Taunay

    Paz e Terra
    2003
    464 páginas
    15h 28m
    ISBN-11: 8521905858_
    Português Brasileiro
    4.2
    5 avaliações
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    Este livro narra a vida precária e difícil que levaram os primeiros moradores da vila estabelecida no planalto, baseando-se no que ficou registrado nas Atas da Câmara Municipal. Da dificuldade de conservar o muro de taipa que protegia a vila à existência de corrente e cadeado a principal forma de comércio à dificuldade em se obter uma caixa com cadeado para guardar os papéis oficiais da Câmara, surge um quadro contundente da aventura enfrentada pelos primeiros colonizadores a se estabelecer no sertão do Brasil.

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    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa picture
    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa18/03/2010Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Jogo de espelhos

    Mesmo para os não paulistanos, as duas obras do historiador Afonso de Taunay (filho do Visconde de Taunay, escritor e cronista do Império) reeditadas no terceiro volume da "Coleção São Paulo" pela primeira vez desde sua publicação original na década de 20, oferecem uma perspectiva única da vida nas primeiras décadas do domínio lusitano. Nessa época, a vila de São Paulo do Campo de Piratininga não era a mais importante da Terra de Santa Cruz, ou mesmo da Capitania de São Vicente. Entretanto, só essa primeira incursão portuguesa no interior pôde preservar documentos do século XVI. Os arquivos mais antigos das primeiras povoações do litoral – São Vicente, Santos, Olinda, Salvador e Rio – foram destruídos pelas traças ou saqueados por piratas. Para os dez por cento de brasileiros para os quais nomes como Barueri, Guarulhos, Pinheiros, Mogi, Santo André ou São Miguel soam familiares, o livro pode ser também uma fonte de revelações inesperadas sobre o passado de seus bairros e municípios. Para isso, porém, deve estar preparado para enfrentar alguns percalços. Taunay escreveu estas obras às vésperas da Semana de Arte Moderna, mas entrincheirado no mundo estilístico e conceitual de um século XIX que, no Brasil, ainda se não se decidia a morrer. Para o leitor do terceiro milênio, paulistano ou não, pode ser quase tão difícil de penetrar quanto o período quinhentista que procura nos descrever. O abismo entre a Avenida Paulista de hoje e a das mansões dos barões do café freqüentadas pelo historiador não é muito menor do que o que se abre entre estas e a densa mata do Caaguaçu que ocupava o mesmo lugar no século XVI. Se para o paladar do historiador dos anos 20, o estilo e a ortografia toscos dos escrivães do século XVI caíam penosos e indigestos, o leitor moderno sente da mesma forma ante seu preciosismo afetado. E fica tão chocado com o etnocentrismo do autor quando este com a rudeza dos paulistanos quinhentistas. Taunay não hesita em exaltar, sem ironia, à “redenção das raças inferiores” pela “raça superior” ou em lamentar o “extermínio dos tipos inferiores da humanidade”, mas não lhe é possível citar atas municipais referentes a escândalos públicos (provavelmente esclarecedoras e divertidas), porque seu estilo não é “propriamente o da Biblioteca das Mães de Família”. Esse estranhamento ao quadrado recorda ao leitor que este é tanto um livro de história quanto um documento histórico. Dedicada a Washington Luís no auge da prosperidade cafeeira, preludia sua obra mais importante, a épica "História Geral das Bandeiras Paulistas", que fundou o mito do bandeirante como herói civilizador dos sertões e tornou-se a pedra fundamental do ufanismo paulista. Misto de ensaio sociológico e crônica de costumes, "São Paulo nos Primeiros Anos" inovou em relação a uma tradição para a qual só os feitos heróicos eram dignos do historiador e até antecipa algo do interesse pós-moderno pelo quotidiano e pela vida privada. Mas trata, principalmente de demonstrar “o espírito de independência, a oposição à prepotência, do povo de São Paulo, desde as primeiras décadas quinhentistas”. Sem deixar, é verdade, de mencionar detalhes menos edificantes, como a impunidade dos criminosos por falta de meios para prendê-los, as dificuldades da Câmara com empreiteiros ineptos ou desonestos e a escassez de consciência cívica. Um dos primeiros paulistanos derrubou o muro que protegia a vila dos ataques tamoios porque obrigava sua mulher a fazer uma caminhada muito grande para chegar à sua horta. A segunda parte, "São Paulo no Século XVI", é uma narrativa tão envolvente quanto maniqueísta dos primeiros conflitos entre jesuítas, colonos e nativos. A dinâmica social, política e antropológica dessa história rica e dramática mereceria ser revisitada por um historiador menos comprometido com a apologia da catequese e da civilização branca.

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    Afonso d'Escragnolle Taunay

    Segundo ocupante da Cadeira 1, eleito em 7 de novembro de 1929, na sucessão de Luís Murat e recebido em 6 de maio de 1930 pelo Acadêmico Roquette-Pinto. Recebeu os Acadêmicos Oliveira Viana e Rodolfo Garcia. Afonso d'Escragnolle Taunay, professor, historiador, tradutor, lexicógrafo, nasceu em Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis, Santa Catarina, em 11 de julho de 1876, e faleceu, em São Paulo, em 20 de março de 1958. Era filho de Alfredo d'Escragnolle Taunay, patrono da Cadeira 13, e Cristina Teixeira Leite Taunay, visconde e viscondessa de Taunay. Cursou a Escola Politécnica do Rio de Janeiro, onde se formou em Engenharia Civil em 1900. Foi professor substituto da Escola Politécnica de São Paulo (1904) e professor catedrático na mesma Escola (1910). Exerceu inúmeros cargos: diretor do Museu Paulista a partir de 1917; diretor dos Museus do Estado de São Paulo desde 1923; encarregado do Governo Federal para reorganizar, em comissão, a Biblioteca e o Arquivo do Ministério das Relações Exteriores (1930); professor na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade de São Paulo (1934-1937). Em dezembro de 1945 foi aposentado por decreto especial em que foi distinguido com o título de Servidor Emérito do Estado de São Paulo. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Instituto Histórico de São Paulo, da Academia Paulista de Letras, da Academia Portuguesa de História e sócio correspondente de Institutos Históricos estaduais. Dedicando-se aos estudos historiográficos, Afonso Taunay especializou-se como o grande mestre do bandeirismo paulista, do período colonial brasileiro e da literatura, da ciência e da arte no Brasil,tendo também escrito uma monumental “História do Café”. Foi também um lexicógrafo de reconhecido mérito, especializado sobretudo na terminologia científica. Sua vasta cultura permitiu-lhe preparar reedições comentadas de autores históricos.

    8 Livros
    5 Seguidores
    Santa Catarina, Brasil

    Afonso d'Escragnolle Taunay