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    Oblomov -

    Ivan Gontcharóv

    GERMINAL
    2001
    552 páginas
    18h 24m
    ISBN-11: 8586439142_
    Português Brasileiro
    4.5
    329 avaliações
    Leram468Lendo67Querem1860Relendo3Abandonos19Resenhas34
    Favoritos6Desejados1860Avaliaram329

    Responsável pela criação do termo oblomovismo, Ivan Alexandrovitch Gontcharov caracteriza neste livro a lentidão de costumes dos senhores patriarcais em contato com o sistema de servidão, designando a apatia e a trágica negligência com que viam os nobres proprietários de terra a situação da Rússia no momento que antecedeu a revolução de 1917.

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    Resenhas (34)Ver mais
    milu duarte picture
    milu duarte26/04/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Eu li este livro quando, em virtude de um AVC, que apesar de não ter me deixado seqüelas, me deixou completamente deprimida, estava com síndrome de "poste":com medo da vida e, por que não, da morte, ficava o tempo todo parada, sem fazer nada e sem querer fazer nada, o que é pior. Ficava o dia todo recostada no sofá, lendo e pensando o que seria da minha vida dali pra frente. Foi quando me deparei, em um site, com um livro que me chamou a atenção, pelo simples fato de ser seu autor um russo. Comprei. Sua leitura foi um choque; me vi refletida no personagem, o que colaborou para que eu saísse daquela situação. Dali para a frente lutei contra a minha "oblamovismo" inconsciente e sai daquele estado letárgico-deprimente. Claro que o livro não é milagroso, mas ele faz a gente refletir nesta preguiça depressiva, doentia; sei lá, ele serve de espelho e, ao me ver meio que refletida neste espelho, acordei para a vida. Curiosamente, dias depois, uma amiga me enviou um e-mail com o seguinte link: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/2008/08/14/ult4477u919.jhtm Neste link existe um artigo onde está relatado justamente o que eu pensava então: as obras de arte "são nosso espelho e, portanto, uma ferramenta para o auto-conhecimento"; por isso, livros têm sido utilizados no tratamento de várias doenças físicas e emocionais e, entre vários citados, está lá o Oblomov! Mas quem escreveu este livro digno de um Dostoievski? Ivan Gontcharov foi o autor de Oblomov, escrito em 1847 e é uma pena que a edição brasileira, feita pela editora Germinal, seja tão precária, cheia de erros de ortografia, de falta de revisão e até mesmo erros de tradução. A editora nem coloca a fonte da tradução, que a meu ver deve ser francesa, já que palavras em russo terminadas em n são transliteradas com final em ne, como é o caso de barin (cavalheiro, nobre), transliterada para barine. Mas isto seria mera questão de frescura de minha parte se a revisão do texto não fosse péssima. No entanto, nada disto conseguiu tirar a excelência desta obra de Gontcharov. Ivan Alexandrovitch Gontcharov escreveu poucos livros, mas significativos. Nascido às margens do Volga, filho de família de proprietários de terra(classe que ele satiriza no romance) no início do século XIX, especificamente em 1812, na cidade de Simbirsk (hoje Ylianovski). Ivan teve como primeira profissão o ofício de funcionário público, aliás, como retratam poucos escritos a seu respeito, foi um pacato funcionário público, inicialmente em sua terra natal e posteriormente em São Petersburgo, para onde se mudou. Logo em seguida à sua chegada a S. Petersburgo, dedicou-se à atividade literária e nos vinte anos registrados desse exercício, escreveu apenas três romances: "Uma história trivial", "A Queda" e "Oblamov" (lê-se "Ablómav", palavra que em russo, junto com os neologismos "oblomovchina" e "oblomovismo", tem o significado de preguiçoso, apático, lento, passivo, vontade fraca e até de medíocre e é, neste romance, o nome de seu personagem principal. O autor usou uma tática muito utilizada por Gógol: adotar para seus personagens nomes que descrevam seu caráter: assim, Gogol em "Almas Mortas" criou o personagem "Sobakievitch", nome derivado de cachorro, demonstrando, assim, o caráter grosseiro e canino de tal personagem. Criou, ainda, a Korobotchka, uma mulher bitolada e estúpida, nome que significa caixinha, bem adequado a uma tal personagem. Oblomov é um aristocrata decadente, inicialmente funcionário público (como o autor), cheio de indolência, de "oblomovchina"! Um deprimido. Deixou a vida no funcionalismo, ao contrário do autor que foi funcionário por toda sua vida. Dentro de sua inércia, o deprimido Oblomov fica mofando em seu quarto, onde não recebe quase ninguém, à excessão de poucos e raros amigos. Vive fazendo planos que jamais se realizarão. Com maestria, Gontcharov faz com que seu personagem caracterize a lentidão de costumes dos proprietários de terra da Rússia, no período imediatamente anterior à Revolução de Outubro, onde ainda predominava o trágico sistema de servidão. Oblomov se questiona "até que ponto a vida vale a pena?", "até que ponto a ambição tem sentido", "o que é viver bem".Estas perguntas são ainda bem atuais... Na sua deprimente apatia, ele se recusa a viver a sua própria história, até que um amigo alemão entra em cena, exercendo sobre ele uma influência forte. Entra em cena, também, a figura de Olga, que veio inserir a paixão no universo de Oblomov. E este universo que chega a ser de paixão e apatia, de depressão, de lentidão, misto de vontade de rir e de chorar, faz a suntuosidade da obra de Goncharav, que recomendo a todos os amantes da boa literatura. Ah, e - para quem gostar do livro, fica a dica: ele já foi para as telonas do cinema, sendo fácil encontrá-lo na internet, tendo até no Youtube.

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    Avaliações

    4.5 / 329
    • 5 estrelas52%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas9%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas0%
    Ivan Alexandrovich Gontcharóv profile picture

    Ivan Alexandrovich Gontcharóv

    Escritor que nasceu em Simbirsk (atualmente Ulyanovsk). Seu pai era um abastado comerciante de grãos. Após graduar-se na Universidade de Moscou em 1834, Gontcharóv serviu por trinta anos como funcionário público de baixa patente. Em 1847 foi publicado seu primeiro romance, Obyknovennaia Istoriia (História Comum), que retrata os conflitos entre o excessivo romantismo de um nobre jovem russo, recém chegado em São Petersburgo vindo das províncias, e a emergente classe comercial da capital imperial com seu sóbrio pragmatismo. Foi seguido por Ivan Savvich Podzhabrin (1848), um esboço psico-naturalista. Entre 1852 e 1855 Goncharov viajou para a Inglaterra, África, Japão, e de volta para a Rússia através da Sibéria como secretário do Almirante Yevfimy Putyatin. Suas anotações, uma crônica da viagem, "A Fragata Palas", foi publicado em 1858. Seu romançe de maior sucesso, "Oblomóv", foi publicado o ano seguinte, no qual a personagem principal foi comparado ao Hamlet de Shakespeare que responde "Não!" à questão "Ser ou não ser?". Fyodor Dostoyevsky, entre outros, considerava Gontcharóv um grande e notável autor. Sendo um conservador moderado no coração, Gontcharóv cumprimentou as reformas de 1861, abraçou a bem divulgada a ideia de que "o próprio governo chegou agora para liderar o progresso", e encontrou-se em oposição aos democratas. No verão de 1862 ele se tornou editor do Severnaya potchta newaspaper, e também funcionário do ministério do Interior. Foi descoberto mais tarde que no início dos anos 1840 Gontcharóv estava trabalhando em uma novela chamada "As pessoas adultas", mas os manuscritos foram perdidos. Em 1867, Gontcharóv aposentou-se de seu posto como censor do governo e, em seguida, publicou seu último romance - Obryv (O Precipício, 1869), que é a história de uma rivalidade romântica entre três homens e prevê uma condenação ao niilismo em defesa dos valores religiosos e morais da velha Rússia. Gontcharóv também escreveu contos, críticas, artigos (incluindo um famoso ensaio de 1871 sobre Griboyedov, "Горе от ума" - As Desgraças de Wit), e algumas memórias que só foram publicados postumamente, em 1919. Ele passou o resto de seus dias solitário devido a críticas negativas a alguns de seus trabalhos. Gontcharóv nunca se casou e morreu em St. Petersburg, em 1891.

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    Ivan Alexandrovich Gontcharóv