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    O doente Molière (Literatura ou Morte) - (Coleção Literatura ou Morte)

    Rubem Fonseca, Molière

    Companhia das Letras
    2000
    154 páginas
    5h 8m
    ISBN-10: 8571649995
    Português Brasileiro
    3.4
    211 avaliações
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    Molière, o grande autor universal de comédias satíricas que retrataram a face ridícula de seus contemporâneos, é o escritor-personagem de Rubem Fonseca. Molière morreu em 1673, algumas horas depois de representar "O doente imaginário", uma de suas peças mais conhecidas. Seu narrador, um marquês anônimo, amigo de longa data do comediante, chegou a alimentar certas veleidades literárias. Esse homem é a única testemunha da revelação feita por Molière momentos antes de morrer. Em vez de tentar salvá-lo, o marquês buscará um padre para administrar a extrema-unção. Depois, tentará descobrir o assassino. A narrativa de Rubem Fonseca revive o esplendor e as intrigas da corte de Luís XIV.

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    Fabio Shiva06/06/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Quem matou Molière? Uma história policial de muitas camadas

    Há um bom tempo que eu tinha muita curiosidade de ler esse livro de Rubem Fonseca, cuja proposta é tão inusitada: recontar a vida do grande dramaturgo francês Molière, tendo como ponto de partida a sua morte, que ocorreu praticamente no palco, enquanto ele encenava “O Doente Imaginário”, uma de suas peças mais famosas. Rubem Fonseca conta essa história pela perspectiva de um “Marquês Anônimo”, único personagem fictício da trama que, no papel de amigo de Molière, desconfia que sua morte não tenha ocorrido por causas naturais. Daí o amigo se transforma em narrador-detetive, e a biografia de Molière, com ênfase nas principais peças que ele escreveu, se transforma na fonte de pistas que esse detetive vai investigar a fim de desvendar o mistério. Ou seja, essa história é uma viagem daquelas, que nas mãos de um autor menos experiente e talentoso talvez virasse um pastiche confuso e desconexo. A novela “O Doente Molière”, entretanto, exibe as principais qualidades da prosa de Rubem Fonseca, autor de alguns dos melhores romances brasileiros das últimas décadas, como “Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos”, “A Grande Arte” e “Bufo & Spallanzani”, além de livros de contos que conseguem ser ainda melhores que os romances, como “Feliz Ano Novo”, “Lúcia McCartney” e “O Homem de Fevereiro ou Março”, só para citar os meus favoritos. A sensação que tive ao ler “O Doente Molière” foi quase lisérgica, ao perceber um “clima” inconfundível nas histórias de Rubem Fonseca sendo transposto para a Paris de Luís XIV, em pleno século dezessete! Para quem já conhece esse “climão do Rubão”, descrições são desnecessárias. E para quem não conhece ainda, acho que qualquer tentativa de descrição seja inútil, mas mesmo assim vou tentar: uma prosa seca e elegante, que mistura erudição, sexo e violência em doses iguais, em meio a uma trama onírica de desenlaces inesperados. Os heróis de Rubem Fonseca, galeria que tem no advogado Mandrake seu membro mais célebre e da qual o Marquês Anônimo é também um típico representante, são sujeitos “acossados” por uma hipersexualidade incessante, mas que a princípio estão sempre mais interessados em outros assuntos aparentemente banais, sejam eles cavalos, charutos ou as últimas fofocas da corte parisiense. É essa ambiguidade a respeito do sexo, ao meu ver, que torna esses machos alfa de Rubem Fonseca tão interessantes e nem um pouco óbvios. Voltando ao tema inusitado de “O Doente Molière”, durante toda a leitura fiquei intrigadíssimo para descobrir qual foi a motivação de Rubem Fonseca para escrever essa história. Só depois de terminada a leitura, ao pesquisar na Internet, foi que descobri que o livro faz parte de uma série da Companhia das Letras chamada “Literatura ou morte”, que teve como mote a obra ou a biografia de grandes nomes da literatura. Fazem parte da coleção, por exemplo: “Medo de Sade”, de Bernardo Carvalho, “Os leopardos de Kafka”, de Moacir Scliar e “Borges e os Orangotangos Eternos”, de Luis Fernando Veríssimo. Saber disso me fez admirar ainda mais a inventividade e o talento de Rubem Fonseca, que criou esse texto movido não por alguma estranha obsessão, mas sim pelo desafio interessantíssimo! https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2023/06/quem-matou-moliere-uma-historia.html

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    José Rubem Fonseca profile picture

    José Rubem Fonseca

    O escritor e roteirista cinematográfico brasileiro José Rubem Fonseca nasceu no dia 11 de Maio de 1925, na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Ele se graduou em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde ele passou a residir a partir dos oito anos. Antes de se devotar ao ofício literário, Rubem percorreu uma longa jornada na carreira policial, na qual ingressou ocupando o cargo de comissário, no 16º Distrito Policial, em São Cristóvão, ainda em terras cariocas, no dia 31 de dezembro de 1952. Ele permaneceu nesta profissão até o dia 06 de fevereiro de 1958, quando foi exonerado. Durante a maior parte de sua vivência policial ele trabalhou no gabinete, como relações públicas dessa instituição, estagiando por pouco tempo nas ruas. Um dos melhores estudantes da Escola de Polícia, ele se destacou profissionalmente por sua percepção apurada da psique humana, sua visão psicológica dos infortúnios do Homem. As experiências então vivenciadas pelo autor foram depois traduzidas por ele em sua obra. Neste momento, porém, ele ainda não revelava nenhuma inclinação literária. Em 1954, no mês de Julho, ele e mais nove policiais receberam a oportunidade de estudar nos EUA. Ele aproveitou este momento para também cursar Administração e Comunicação nas Universidades de Nova York e de Boston. De volta ao Brasil, atuou na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, ministrando aulas sobre seu campo de trabalho. Ao deixar a Polícia, o escritor ainda teve uma passagem pela Light, antes de se dedicar totalmente à literatura. O autor iniciou sua trajetória literária escrevendo contos, reunidos depois no livro Os Prisioneiros, lançado em 1963. A partir daí seu impulso criador não mais cessou. Ele publicou A Coleira do Cão, de 1965; Lúcia McCartney, de 1967; O Caso Morel, em 1973; Feliz Ano Novo – livro de 1975, censurado durante a Ditadura Militar; O Cobrador, de 1979; A Grande Arte – romance de 1983, adaptado para o cinema pelo próprio autor, dirigido por Walter Salles Jr.; Buffo & Spallanzani, de 1986; Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, em 1988; Agosto, de 1990 – convertido para as telas televisivas com grande sucesso; O Selvagem da Ópera, de 1994; O Buraco na Parede, de 1995; Diário de um Fescenino, em 2003; O Romance Morreu, de 2007, entre outros. Em seus livros despontam seres à margem da sociedade, assassinos, prostitutas, policiais, representados em um cenário povoado pela violência explícita e por uma alta voltagem sexual. Estes elementos são apresentados ao leitor através de uma linguagem austera, crua e sem circunlóquios. A ficção mesclada com fatos históricos também é uma característica da produção literária de Rubem Fonseca, como no retrato de Getúlio Vargas em Agosto, e a representação da trajetória existencial do compositor Carlos Gomes em O Selvagem da Ópera. Rubem Fonseca também escreveu críticas cinematográficas para a revista Veja, em 1967. Recebeu, ao longo de sua carreira literária, várias premiações importantes, entre elas o Prêmio Camões, o mais importante do idioma português. Ele foi igualmente consagrado por seus roteiros escritos para o cinema, recebendo o Coruja de Ouro por seu roteiro Relatório de um Homem Casado, de Flávio Tambelini; o Kikito de ouro, no Festival de Gramado, pelo longa-metragem Stelinha, dirigido por Miguel Faria; e o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, pelo roteiro de A Grande Arte, acima citado. Ele criou um personagem que se imortalizou nos meios literários – o advogado Mandrake, despido de valores morais, sempre cercado de mulheres, habituado a circular pelo ‘underground’ carioca. Este protagonista foi transportado para as telas da TV em uma série popular do canal HBO, vivido pelo ator Marcos Palmeira, em roteiro adaptado pelo filho de Rubem. Viúvo, pai de três filhos - Maria Beatriz, José Alberto e o diretor de cinema José Henrique Fonseca, o escritor era uma pessoa retraída e pouco se expunha diante da mídia. Sempre respeitado e admirado por seus amigos como uma pessoa modesta, amável e bem-humorada, faleceu no dia 15 de Abril do ano de 2020, aos 94 anos, decorrente de um infarto, em plena pandemia de Covid-19.

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    Juiz de Fora, Brasil

    José Rubem Fonseca