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    As mulheres contam -

    D. H. Lawrence

    Carambaia
    2020
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788569002727
    Português Brasileiro
    3.8
    24 avaliações
    Leram32Lendo1Querem52Relendo0Abandonos0Resenhas4
    Favoritos0Desejados52Avaliaram24

    Poucos escritores penetraram tão fundo na alma feminina quanto D.H. Lawrence (1885-1930). Com uma franqueza tida como escandalosa em seu tempo, foi Lawrence o primeiro grande autor a abordar o desejo sexual das mulheres e sua realização – muitas vezes desafiando o domínio masculino – em romances fundamentais do modernismo inglês como O arco-íris, Mulheres apaixonadas e O amante de Lady Chatterley. Voltando-se para a não menos importante produção de contos, a CARAMBAIA lança a antologia As mulheres contam, com sete textos escritos entre 1910 e 1927, organizados e traduzidos pela primeira vez no Brasil por Patrícia Freitas, autora também do posfácio. Em todos os contos, é central a presença das personagens femininas – inquietas, complexas e quase sempre insubmissas. Dois deles costumam frequentar as antologias de melhores histórias curtas em língua inglesa do século XX: “Odor de crisântemos” e “Você me tocou”. O primeiro trata da tomada de consciência de uma mulher sobre o lugar de sua afeição no mundo medíocre em que vive, e o segundo descreve o jogo de dominação entre duas irmãs, seu pai e o irmão adotivo. Embora o lugar de Lawrence no cânone literário esteja mais do que assegurado, sua vida e obra nunca foram consenso, em parte pelas ambiguidades expressas por ele próprio. Sua obra prima, o romance O amante de Lady Chatterley, foi condenada por feministas dos anos 1970, pela dominância conferida à virilidade. Nos contos de As mulheres contam, no entanto, Lawrence soa como um pioneiro da luta pelos direitos da mulher, sobretudo ao próprio corpo e à vontade individual. Uma das poucas certezas sobre as ideias do autor, porque ele a afirmou repetidamente, é que considerava a repressão sexual a principal inimiga da civilização europeia. É exatamente nessa perspectiva que estes contos estão agora reunidos. A história que abre o volume, “Bilhetes, por favor”, narra a vingança de um grupo de funcionárias de uma ferrovia contra um colega metido a conquistador. “O batizado” fala do estigma da gravidez anterior ao casamento. “Nada disso” trata dos reveses sofridos por uma mulher independente. “Fanny e Annie” trata da covardia de um homem que engravidou uma mulher. E “Festa do Ganso” enfoca o envolvimento amoroso entre diferentes classes sociais. A maioria das histórias se passa nas Midlands, região de minas de carvão na Inglaterra onde trabalhava o pai do escritor e que será cenário da maior parte das obras de Lawrence. David Herbert Lawrence integrou um grupo de autores modernistas que, entre o início do século XX e a eclosão da Segunda Guerra Mundial, provocou um abalo nas convenções literárias de língua inglesa, ao lado de nomes como Virginia Woolf, James Joyce, Katherine Mansfield e Aldous Huxley. Diferentemente do experimentalismo de Joyce, porém, Lawrence se valeu das técnicas ficcionais do século XIX para introduzir novos assuntos e atualizações linguísticas, num amálgama que, embora se atenha aos recortes cotidianos, insere silenciosamente na narrativa questões sociais, políticas e psicológicas. Lawrence nasceu na cidade mineira de Eastwood, quarto filho de um mineiro semianalfabeto e de uma aristocrata que se tornou operária. Aos 16 anos, contraiu uma pneumonia que fragilizou sua saúde para sempre, impedindo-o de trabalhar nas minas, o que o levou a engajar-se numa carreira literária. Aos 23, formou-se professor pela Universidade de Nottingham. No mesmo ano, seus poemas foram publicados na célebre English Review. Três anos depois veio a público o primeiro romance, O pavão branco. Em 1912, começou a relação, que duraria até sua morte, com Frieda Weekley. Ela era casada e por isso a vida em comum com Lawrence começou com uma fuga para a Alemanha e depois para a Itália, onde o escritor completou o romance Filhos e amantes (1913), que aborda, de forma semiautobiográfica, a paixão de Lawrence pela mãe. Durante a Primeira Guerra Mundial, o casal foi perseguido por suposta simpatia pela Alemanha – em parte pelo pacifismo do escritor, em parte pela ascendência da esposa – e expulso do condado onde morava por suspeita de espionagem. O projeto seguinte se desdobrou em dois romances com as mesmas personagens centrais, O arco-íris (1915), banido durante três anos sob acusação de obscenidade, e Mulheres apaixonadas (1920). Com o fim da guerra, Lawrence e a esposa partiram para a Itália e passaram os anos seguintes viajando pelo mundo, sem voltar para a Inglaterra. A estadia no México inspirou um romance ambicioso, considerado por muitos sua obra-prima, A serpente emplumada (1926). O último romance de Lawrence, O amante de Lady Chatterley, sobre a atração de uma aristocrata por um guarda-caças, saiu em edição privada em 1928 e só foi liberado para publicação regular em 1960 na Inglaterra, mediante processo judicial. Lawrence morreu de tuberculose em Vence, na França. Em sua curta vida, o escritor produziu ainda livros de viagem, ensaios sobre literatura e outros assuntos e peças de teatro. No projeto gráfico de As mulheres contam, de Tereza Bettinardi, foi adotada uma tipografia que remete à usada nos cartazes do movimento sufragista inglês (luta das mulheres por direito a voto, alcançado em 1918), contemporâneo aos contos de Lawrence.

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    meriam lazaro27/04/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    AS MULHERES CONTAM

    Em AS MULHERES CONTAM, lemos sete contos de #dhlawrence com destaque para personagens femininas que revelam: seus sonhos e humilhações, revolta silenciosa e aceitação, submissão ao estabelecido depois de um tempo de liberdade, relações silenciosas de corpos e ausências na luta pelo sustento, etc. Lemos sobre a classe trabalhadora, ambientado na Inglaterra no período de mineração de carvão, o que remete ao próprio ambiente onde o escritor nasceu e o ofício de minerador exercido por seu pai: "Meu pai foi um minerador e só um minerador. Entrou em uma mina aos 13 anos e fez isso até quase os 70. Conseguia com muita dificuldade escrever poucas palavras em uma carta". Da mãe, de religião protestante, Lawrence recebeu o estímulo da leitura dos clássicos da literatura e da arte em geral, como uma forma de ascensão social para o menino estudioso, que aos 12 anos ganhou uma bolsa na Nottingam School. Dados biográficos encontrados no Posfacio. Aprecio muito a arte ficcional com abordagem do cotidiano de classes, suas residências comuns, famílias instáveis, o deslocamento opressivo em bondes e trens para o trabalho em fábricas, minas, as vestimentas insuficientes para proteção contra o clima inóspito. A escrita é bonita, bonita. Contos empolgantes, com desfechos inusitados. Excelente opção de leitura curta. Destaques: . . "Então, com a paz profundamente imersa em seu coração, cuidou de arrumar a cozinha. Sabia que se submetia à vida, sua senhora imediata. Mas da morte, seu senhor último, encolhia-se de medo e vergonha." . . "Havia voltado para casa de vez! Seu coração quase parou enquanto se arrastava na subida daquela hedionda e interminável colina ao lado do sujeito carregado. Que decadência! Que decadência! Ela não podia aguentar, com sua vivaz alegria de costume. Conhecia tudo tão bem. É fácil suportar o insólito, não a familiaridade fatal de um passado velho e adormecido!" . . #asmulherescontam #patriciafreitas (tradutora) #editoraCarambaia 2020

    7 curtidas

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    • 4 estrelas33%
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    David Herbert Lawrence

    David Herbert Lawrence ou D. H. Lawrence (Nottingham, 11 de Setembro de 1885 — Vence, 2 de Março de 1930) foi um controverso e prolífico escritor inglês, conhecido pelos seus romances, poemas e livros de viagens. Lawrence pertence à escola modernista. A sua obra aborda temas considerados controversos no início do século XX, como a sexualidade e as relações humanas por vezes com características destrutivas e estende-se a praticamente todos os géneros literários, tendo publicado novelas, contos, poemas, peças de teatro, livros de viagens, traduções, livros sobre arte, crítica literária e cartas pessoais. Em conjunto, a obra expõe uma alargada reflexão sobre os efeitos desumanizantes da modernidade e da industrialização. Os temas que Lawrence abordou tornaram a obra importantíssima para a compreensão de uma época influenciada por Freud e por Nietzsche. "O Amante de Lady Chatterley" foi proibido na época e passou a circular clandestinamente. "O Arco Íris" foi considerado obsceno. E "Mulheres Apaixonadas" foi recusado pelos editores de Londres, só foi publicado cinco anos depois em Nova Iorque. Além de escritor, Lawrence também era pintor e produziu muitas obras expressionistas.

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    David Herbert Lawrence