A linha central do autor é como a crença no Positivismo (uma religião excêntrica nos dias atuais, mas que foi determinante para a Proclamação do República) afetou todo o trabalho de Rondon. Ele era um postivista fanático. Para eles, a sociedade evoluiria naturalmente das crenças animalistas, para as teológicas e finalmente para a positivista. Era uma crença de superioridade religiosa, e não racial. Ele acreditava que os índios poderiam ser levados de forma natural (num período de mais de 100 anos e várias gerações) à crença positivista, sem passar pela teológica. Para isso, era necessário protegê-los e permitir que eles estudassem e tivessem acesso à tecnologia.
Estudos brasileiros recentes tentam provar que Rondon foi nocivo a cultura indígena e que ele visava à destruição de sua cultura. O autor contra-argumenta que embora o Sistema de Proteção ao Índio tenha entrado em decadência na década de 1950, de 1900 a 1930, enquanto Rondon era seu dirigente, ele foi muito melhor do que qualquer outro sistema de proteção indígena no mundo. Além disso, a mentalidade vigente na época chegava até a pregar o extermínio de indígenas e a superioridade racial branca. Comparativamente ao que existia na época, o Positivismo não era tão ruim assim. Eu partilho dessa visão, se Rondon não existisse, ao invés de termos índios "aculturados" para os antropólogos estudarem, simplesmente não existiria nenhum índio.
O autor também demonstra que: 1) Rondon não tinha tanto poder e não foi tão bem sucedido assim e 2) a Comissão Rondon tinha objetivos contraditórios, levar a civilização à Floresta Amazônica e proteger as populações nativas; esses dois objetivos nunca foram conciliados. Para exemplificar a falta de poder da comissão, o autor descreve o extermínio de uma nação indígena, os efoé. Para exterminá-los, os fazendeiros puderam contratar jagunços e depois o Estado de Mato Grosso reembolsava-os. Rondon protestou contra isso no Governo Federal, mas este não pode fazer nada. Os governos estaduais eram totalmente independentes na República Velha. Além disso, Rondon era francamente contra a Igreja Católica. Isso rendeu vários inimigos para ele e seu projeto.