A rainha dos cárceres da Grécia -

    Osman Lins

    Melhoramentos
    1976
    220 páginas
    7h 20m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Osman Lins segue a trilha de inovações formais de Nove, novena (1966) e Avalovara (1973) nesta que foi a última obra de ficção do autor. Nele, "um obscuro professor secundário" de biologia tenta, dia após dia, interpretar o único romance escrito por sua falecida amante, Julia Marquezim Enone, chamado A Rainha dos Cárceres da Grécia. Durante a leitura, a voz do professor se mistura com a de sua musa, e ambas se dissolvem na trajetória da personagem-narradora criada por Julia, a delirante Maria de França, que empreende uma jornada kafkiana pelos labirintos do INPS em busca da aprovação de sua aposentadoria por invalidez. Ao desvendar as desventuras e delírios de Maria de França, o professor contamina a narrativa com suas lembranças. A leitura do livro dentro do livro torna-se uma forma de o professor entender as suas angústias e as de sua amada. Através da memória, as histórias e seus relatos transcendem o tempo, num grande exercício de experimentação da escrita.

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    Paulo Santoro25/04/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Anotação de 1998

    É claro que o fantasma de Borges assoprou a pena de Lins. Mas Osman Lins manuseou intelectualmente suas idéias brilhantes e construiu um romance absolutamente espetacular, seguramente mais revolucionário que o seu contemporâneo "Zero", sem as invencionices gráficas de Loyola. Ele conseguiu operar em diversos níveis da realidade, da citação literal de jornais da época com notícias verídicas às elucubrações verbais de Maria de França, personagem fictícia criada pela romancista Julia Enone, por sua vez personagem fictícia criada pela análise do professor, por sua vez personagem fictícia que, criada por Osman Lins, vem a identificar-se com Maria de França, num inspiradíssimo final em que rompem o livro que lemos as características marcantes descritas e explicadas pelo professor, que integrariam, na verdade, o romance "A rainha dos cárceres da Grécia", de Julia Enone. Romance total. Repleto de histórias e repleto de teorias sobre o fazer do romance, o que o irmana ao contemporâneo "A hora da estrela", sem, contudo, o seu lirismo: apesar da paixão ocasional, "A rainha dos cárceres da Grécia" é um edifício do intelecto, que finge estar jogando às claras quando na verdade está dando estranhas cartas marcadas. O mais curioso é que o analista apressado eu, digamos sente que o simples ato de alinhar frases sobre o volume vai resultando involuntariamente num espelhamento do ato do narrador do livro. Osman Lins, apenas com esta obra, está entre os principais autores de ficção de nosso século.

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