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    Hoje está um dia morto -

    André de Leones

    Record
    2006
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-14: 978-8501076298
    Português Brasileiro
    3.7
    93 avaliações
    Leram133Lendo4Querem126Relendo0Abandonos5Resenhas7
    Favoritos7Desejados126Avaliaram93

    Em uma cidade pequena, o casal de adolescentes Jean e Fabiana tenta escapar de uma vida cheia de tédio e tristezas. A incerteza em relação ao futuro e o desprezo pelos pais e pelas pessoas que os cercam levam Jean a brincar de roleta-russa num dia que parece ter nascido morto. Romance vencedor do Prêmio SESC de literatura de 2005, Hoje está um dia morto, de André de Leones, trata de um tema comum na vida moderna: a falta de utopias, da qual decorre a ausência de perspectivas existenciais. Ao trazer à tona anseios comuns ao jovem contemporâneo, André conquistou o júri, formado pelos escritores Moacyr Scliar e Luiz Antonio de Assis Brasil. A premiação, em suas duas edições anteriores, revelou talentos como Marco Aurélio Cremaso, com Santo reis da luz divina — finalista do Jabuti 2005 —, e Eugênia Zerbini e seu As netas da Ema, adotado nas escolas paulistas. “Estamos perante uma obra valiosa no cenário das letras brasileiras, obra que consegue, sem negar a tradição multimilenária da Literatura, sem experimentalismos inócuos e já exasperantes, abrir novos caminhos para a compreensão da vida, do homem e da sociedade. Mesmo que sejam caminhos intransitivos”, declara Luiz Antonio de Assis Brasil. Nas dúvidas, aspirações e conflitos de Jean e Fabiana o leitor verá, de maneira muito autêntica, a juventude brasileira. “Hoje está um dia morto é, sob vários aspectos, uma obra surpreendente”, diz Moacyr Sclair. “O que temos aqui é uma narrativa ágil, numa linguagem atual e que frequentemente se traduz em diálogos vívidos e reveladores”, completa. André de Leones é formado em cinema e estudante de jornalismo. Hoje está um dia morto é seu primeiro romance.

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    Aione Simões14/06/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Vencedor do Prêmio SESC de literatura de 2005, Hoje Está Um Dia Morto é o romance de André de Leones publicado pela Editora Record há mais de uma década. Com uma narrativa ágil, o livro abarca o período de um dia na vida dos personagens em uma cidade do Centro-Oeste brasileiro. Quem conta a história é Daniel, narrador-autor que assume escrever o que aconteceu com os jovens Jean e Fabiana mesclando os fatos dos quais teve conhecimento à sua própria imaginação, uma vez que seria impossível a ele saber com detalhes o que se passou entre os protagonistas. Apesar da voz de Daniel ser presente na narrativa, quase nada sabemos dele, já que ele se afasta de um envolvimento naquilo narrado: a história não é sobre ele. Ainda assim, aquilo que o leitor tem acesso sobre Daniel e a companheira Alanis é suficiente para demonstrar as semelhanças entre a vida dos dois com a dos personagens narrados. "É que a tristeza de e para Jean é algo desgraçadamente físico, está sob suas unhas, em sua boca, na ponta da sua glande, ela a sua, ele a engole, ele a traz consigo e para si, É DELE, ele se alimenta dela e ela dele, e ele sabe muito bem quem vai acabar primeiro." posição 179 Hoje Está Um Dia Morto trata de vazios. A vida tediosa na cidade não permite grandes acontecimentos no dia-a-dia dos jovens, nem perspectivas de um futuro diferente. Os adolescentes, afastados inclusive de suas relações familiares, vivem mergulhados em angústias. Por isso, boa parte das cenas do romance retratam os encontros sexuais entre Jean e Fabiana, já que o sexo é basicamente tudo o que os conecta — até mesmo as conversas entre eles são precárias, demonstrando o pouco que há de comum entre os dois. O livro, também, é repleto de referências culturais, tanto musicais quanto literárias, já que é na arte que Jean e Fabiana encontram um mínimo de refúgio. A linguagem atual de André de Leones é tanto capaz de captar a jovialidade dos personagens quanto os insere em um universo maior. As diversas construções que mesclam o português com expressões em inglês lembram o leitor que, por mais afastada que seja a realidade vivida pelos personagens, ela é uma parte inserida em um todo mais amplo: Jean e Fabiana fazem parte do mesmo mundo que habito, mesmo que nossas realidades de vida sejam totalmente diferentes. "É uma verdade física, uma sensação esgazeada e já muito gasta de morte em vida, de uma pequena morte escondida travessamente num quarto vazios de suas almas. Mas Fabiana sabe que não é o caso de dizer alma, e não o diz nem para si mesma." posição 763 Ainda, a habilidade narrativa do autor proporciona uma imersão total na leitura, de maneira que há muita sensibilidade naquilo narrado. As angústias de Jean são palpáveis e a ideia do tédio constante surge desde o título. O “Hoje” garante uma presentificação que não se finda, uma vez que o advérbio criará referência temporal sempre no momento de elocução, fazendo com que “Hoje” possa ser qualquer momento no tempo. Ainda que ele se refira, na história, ao dia nela narrado, o que o título nos diz é que, naquelas condições, todos os dias são dias mortos. Hoje Está Um Dia Morto foi uma das melhores leituras que realizei nos últimos tempos. No pouco mais das duas horas que durou minha leitura, vivi sentimentos contraditórios, já que tanto me deleitei com a narrativa primorosa de André de Leones quanto me entristeci com os acontecimentos contados. Ao finalizar o livro, me deparei com aquela sensação de assombro próxima da de um êxtase, somente possível quando somos verdadeiramente impactados e modificados por aquilo que lemos.

    26 curtidas

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    Avaliações

    3.7 / 93
    • 5 estrelas34%
    • 4 estrelas19%
    • 3 estrelas31%
    • 2 estrelas13%
    • 1 estrelas2%
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    André de Leones

    Romancista e contista, é criado em Silvânia, pequena cidade do interior de Goiás, onde passa a infância e a adolescência e estuda num colégio católico. Leitor de quadrinhos, toma contato, nesses anos de formação, com a obra de Jorge Luis Borges (1899 - 1986) e Philip Roth (1933). Formado, trabalha como professor de química. A partir de um roteiro inacabado, escrito durante um curso de cinema realizado em Goiânia, prepara seu romance de estreia, inspirado pelas vivências em Silvânia. Por sugestão do escritor Aldair Aires (1942 - 2007), participa do Prêmio Sesc de Literatura (2005) e é premiado por Hoje o Dia Está Morto (2006). Desperta o interesse de editores e, a seguir, lança a coletânea de contos e uma novela, Paz na Terra entre os Monstros (2008). A convite da editora Companhia das Letras, participa do projeto Amores Expressos, pelo qual viaja a São Paulo, com a incumbência de redigir um livro sobre histórias de amor. Com base na experiência na capital paulista escreve o romance Como Desaparecer Completamente (2010), que acaba sendo publicado por outra editora. Depois de passar pelas cidades de Jerusalém e Brasília, muda-se definitivamente para São Paulo, em 2010. Um dos criadores da revista literária eletrônica Histórias Possíveis, também colabora em jornais e revistas, escrevendo críticas de cinema e resenhas.

    12 Livros
    9 Seguidores

    André de Leones