Quem tem medo de Virginia Woolf? -

    Edward Albee

    Grua Livros
    2020
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9788561578794
    Português Brasileiro

    Martha, 52, filha do reitor de uma universidade, na Nova Inglaterra, nos Estados Unidos, é casada com um professor do departamento de história, George, seis anos mais novo do que ela. Na volta de uma festa da casa do pai de Martha, já madrugada, eles recebem o jovem professor de biologia Nick e sua esposa Honey. A noite avança e bebe-se muito. Em Quem tem medo de Virginia Woolf?, Edward Albee propõe, sob a forma de um ritual selvagem de expurgo, iluminar os caminhos sinuosos das paixões e desilusões que constroem um relacionamento. Neste texto dilacerante, George e Martha expõem a seus convidados tensões psicológicas que forjaram sua união e vida concretas, num percurso demoníaco de desagravos, covardias e perversidades no qual a realidade e verdade revelam-se, por fim, feitas de um material diverso do consagrado pela moral e pela tradição. Encenada pela primeira vez em 1962, Quem tem medo de Virginia Woolf? causou polêmica e tornou-se um clássico instantâneo da dramaturgia norte-americana. Vencedora do Pulitzer de Melhor Drama em 1963 na votação do júri, teve seu prêmio cassado antes da outorga pela própria organização do prêmio, que temeu concedê-lo a uma obra tão controversa. Levado ao cinema em 1966, colocou lado a lado Richard Burton e Elizabeth Taylor, um dos casais mais icônicos e trágicos da história de Hollywood, em uma produção que dominou os prêmios de melhor atuação do Oscar do ano seguinte.

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    jota 1125/07/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    ÓTIMO: texto de Edward Albee é tão bom que consegue colocar o leitor literalmente em cena

    Lido entre 14 e 23 de julho de 2023. O titulo da peça tem a ver com a cantiga infantil “Quem tem medo do lobo mau, lobo mau, lobo mau...” Como sabemos, lobo em inglês é wolf, daí a menção ao Woolf da escritora inglesa; todos os personagens têm nível intelectual acima da média, digamos, então se permitem a brincadeira. Durante o desenrolar dos três atos várias vezes eles cantam a cantiga trocando wolf para Virginia Woolf para reagir a algo numa determinada situação. Funciona como um comentário, para simplificar a coisa. Claro que seria melhor ver a peça teatral (1962) ou o filme homônimo nela baseado (que é de 1966). Mesmo assim, apenas a leitura do texto de Edward Albee (1928-2016) é capaz de deixar o leitor eletrizado, tamanha a carga dramática que o autor colocou em cena. São quatro personagens apenas, dois casais - George e Marta, ambos de meia-idade e seus visitantes, bem mais jovens, Nick e Honey (Benzinho) - reunidos na casa dos primeiros numa madrugada de muita bebedeira e destilação de amor e ódio. Todos eles têm formação universitária – o pai de Marta é reitor da universidade onde George chefia o departamento de História; Nick acaba de ser contratado para o departamento de Biologia da mesma - e padrão econômico elevado. A conversa pode descambar de uma assunto altamente intelectual para as prostitutas do Rio de Janeiro, conforme George. Nada os impede de proferir inúmeras baixarias e até mesmo partir para a violência física quando as palavras já não são suficientes para ferir o outro. George e Marta ao mesmo tempo se amam e se odeiam, não podem viver um sem o outro: eles se completam. Nick e Honey acabam envolvidos na relação explosiva dos dois, o texto teatral pega fogo e quem pode ver a peça ou o filme certamente teve uma experiência de espectador como poucos. Quem não, pode ler o livro e quase terá a mesma coisa. Penso que sim.

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