"Prefiro o homem que confessa sua ignorância àquele que se faz de entendido e não consegue mais do que estragar tudo."
Esse livro reúne dois contos do Gogol.
Em O Capote, conhecemos Akaki Akakiévitch, um funcionário público quase invisível, que só é notado quando vira alvo de chacota. Quando seu capote novo é roubado e ele precisa de ajuda para recuperá-lo é ignorado pela justiça e humilhado pelas autoridades, interessadas apenas em status e poder. O elemento fantástico do final aparece como a única forma de justiça possível para alguém que dentro daquele sistema, não tem valor algum.
Em O Retrato, conhecemos Tchartkov, um pintor talentoso, mas pobre, que muda de vida ao adquirir um quadro antigo e estranho. O dinheiro que surge a partir disso faz com que ele se afaste da arte verdadeira e se aproxime do sucesso fácil e da aprovação da elite. O conto é dividido em duas partes, sendo a segunda a que aprofunda a origem do quadro e reforça o tom sobrenatural e sombrio da história.
Gostei muito das críticas presentes nas duas histórias, mas a escrita de Gogol não é das que mais me agradam, já que os parágrafos longos, quase sem pausa, deixaram a leitura cansativa. Ainda assim, as narrativas são boas o suficiente para que eu talvez me arrisque a ler algo mais do autor futuramente.