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    Nós, os do Makulusu -

    Luandino Vieira

    Caminho
    2004
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-10: 9722116169
    Português Brasileiro
    3.9
    38 avaliações
    Leram71Lendo10Querem107Relendo0Abandonos4Resenhas6
    Favoritos7Desejados107Avaliaram38

    Escrito em 1967 no campo de concentração do Tarrafal (crismado de "Campo de Trabalho de Chão Bom") em apenas uma semana — "de um só jacto", para usar as palavras do próprio autor —, Nós, os do Makulusu continua a ser a obra de José Luandino Vieira mais complexa no seu processo de construção de uma linguagem literária com base na linguagem popular de Luanda e das interferências entre as línguas portuguesa e quimbunda. A isso não será certamente alheio o facto de, a par do fluxo do passado — uma constante em todos os seus livros —, o futuro ser também chamado à narrativa, obviamente sob forma prospectiva. Uma narrativa cujo sujeito, interrogando-se até à última linha, é afinal o espelho de uma geração frente à necessidade histórica de uma guerra de libertação — individual e colectiva — e a que coube questionar o passado e partir à invenção do futuro. Terminando por uma interrogação face a esse futuro, o romance mantém-se, hoje, mais actual que no momento da escrita. A resposta à pergunta final continua em aberto.

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    Rafael Barufaldi picture
    Rafael Barufaldi18/08/2024Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Entendo muita coisa, mas não sei se isso

    Entendo a importância de Luandino Vieira para a luta pela independência pelo MPLA e também sua importância na construção da literatura angolana. Entendo algumas imagens bonitas e falas reflexivas que surgem no meio do texto como algo que não estávamos esperando. Entendo a intenção ao fazer uma narrativa fragmentada e desconexa que represente o trauma causado pela guerra anticolonialista. Entendo a inspiração do autor em Guimarães Rosa - que ele leu durante sua prisão no Tarrafal - traduzida em uma sintaxe prolixa e na tentativa de reprodução da fala popular. Mas não consigo entender como essa narrativa pode ser considerada boa. Passa do limite do propositadamente-confuso para atingir o patamar de incompreensível. Não que não possamos compreender as palavras, mas a todo parágrafo o leitor se perguntar o que está acontecendo e onde ele está é exaustivo e pouco produtivo. Eu me pergunto se essa narrativa seria considerada boa (ou se seria algum dia publicada) se as pessoas não soubessem que ela foi escrita por Luandino Vieira.

    11 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 38
    • 5 estrelas32%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas26%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas3%
    José Luandino Vieira profile picture

    José Luandino Vieira

    José Luandino Vieira, nascido José Vieira Mateus da Graça é um escritor angolano. Português de nascimento, passou a juventude em Luanda, onde concluiu os estudos secundários. Por combater nas forças do MPLA durante a Guerra Colonial, contribuindo para a criação da República Popular de Angola, adquiriu a cidadania angolana. Preso pela PIDE, pela primeira vez em 1959, acusado de ligações ao movimento independentista (Processo dos 50), acabaria condenado a catorze anos de prisão, em 1961. Antes disso a Sociedade Portuguesa de Autores, então presidida por Manuel da Fonseca, pretendera atribuir-lhe o Prémio Camilo Castelo Branco, pela seu livro "Luuanda". Essa acção fez com a PIDE/DGS levasse a cabo uma acção de desmantelamento da SPA. Luandino cumpriu a pena de prisão no Campo do Tarrafal, em Cabo Verde, regressando a Portugal em 1972, com residência vigiada em Lisboa. Em 1975 regressou a Angola onde ficou até 1992. Foi director da Televisão Popular de Angola, de 1975 a 1978, diretor do Departamento de Orientação Revolucionária do MPLA, até 1979 e diretor do Instituto Angolano de Cinema, de 1979 a 1984. Participou na fundação da União dos Escritores Angolanos, de que foi Secretário-Geral (1975-1980 e 1985-1992). Foi também Secretário-Geral Adjunto da Associação dos Escritores Afroasiáticos (1979-1984). Com o fiasco das primeiras eleições livres (em 1992) e o reinício da guerra civil, acabou radicado no Minho. Vive em isolamento na propriedade de um amigo, e passou a dedicar-se à agricultura. Em 2006 foi-lhe atribuído o Prémio Camões, o maior galardão literário para a língua portuguesa. Contudo, recusou o prémio alegando motivos íntimos e pessoais, segundo um comunicado de imprensa. Entrevistas posteriores, sobretudo ao Jornal de Letras, Artes & Ideias, esclareciam que o autor não aceitara o prémio por se considerar um escritor morto e, como tal, o Prémio deveria ser entregue a alguém que continuasse a produzir. Ainda assim publicou dois livros em 2006.

    27 Livros
    21 Seguidores
    Vila Nova de Ourém, Portugal

    José Luandino Vieira