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    A Prometida (A Prometida #1) -

    Kiera Cass

    Seguinte
    2020
    344 páginas
    11h 28m
    ISBN-10: 8555341035
    Português Brasileiro
    2.9
    6275 avaliações
    Leram8813Lendo297Querem3929Relendo13Abandonos578Resenhas1071
    Favoritos3Desejados3929Avaliaram6275

    A autora da série best-seller A Seleção está de volta com um novo universo apaixonante! Quando o rei Jameson se declara para a Lady Hollis Brite, ela fica radiante. Afinal, a jovem cresceu no castelo de Keresken, competindo com as outras damas da nobreza pela atenção do rei, e agora finalmente poderá provar seu valor. Cheia de ideias e opiniões, logo Hollis percebe que, por mais que os sentimentos de Jameson sejam verdadeiros, estar ao seu lado a transformaria num simples enfeite. Tudo fica ainda mais confuso quando ela conhece Silas, um estrangeiro que parece enxergá-la — e aceitá-la — como realmente é. Só que seguir seu coração significaria decepcionar todos à sua volta… Hollis está diante de uma encruzilhada — qual caminho levará ao seu final feliz?

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    Queria Estar Lendo18/05/2020Resenhou um livro
    1 (Ruim)

    Resenha: A Prometida

    O mais recente lançamento da autora Kiera Cass - a mesma por trás da trilogia A Seleção - chegou aqui no Brasil através da Editora Seguinte, que cedeu este exemplar em cortesia. A Prometida é uma história sobre reinos e coroas e uma garota dividida entre dois amores. Ou deveria ser, pelo menos. Na trama, acompanhamos Hollis. Ela vive na corte real de Coroa desde pequena, neglicenciada por pais severos, mas cercada pelas frivolidades aristocráticas que aprendeu a amar. O rei é alvo de seu interesse - e parece que tal interesse começa a se mostrar recíproco com a chegada de uma festa em comemoração à coroa. Com essa festa, também, chegam refugiados de um reino rival, e entre esses refugiados um possível interesse amoroso bastante inesperado para Hollis. Dividida entre a ideia de romance criada com o rei e um possível nascido da simplicidade, Hollis precisa entender onde está realmente seu coração. Eu resolvi ler A Prometida pura e simplesmente por curiosidade. Quem acompanha o blog bem sabe do suplício que foi para mim terminar A Escolha - ainda que, até A Elite, eu curtisse bastante a trilogia. Apesar dos escorregões, admito que a história distópica da Kiera tem seu charme, personagens carismáticos e uma trama interessante de acompanhar. A Prometida prometeu várias coisas... Mas não cumpriu nada. Eu não gosto de apontar o dedo para um protagonista feminina e chamá-la de cabeça de vento, mas boy oh boy aqui eu vou ser obrigada a fazer isso porque a Hollis se encaixa nessa definição. Desde, sei lá, 50 tons de cinza que eu não me deparo com uma personagem principal tão insossa, descabeçada e propositalmente tapada. Não é parte de sua personalidade, é conveniente para a narrativa - porque quando precisa pensar e raciocinar para o bem da narrativa, ela faz isso que é uma beleza. Kiera perdeu uma oportunidade absurda de construir uma personagem humilde e ingênua, mas ADMIRÁVEL em sua ingenuidade - uma garota pura e inocente que cai de paraquedas nas questões mais grandiosas da corte e que tem medo do que está por vir (e na narrativa dá pra sentir que ela tentou fazer isso, mas eu só queria bater a cabeça na parede toda vez que a Hollis falava sobre alguma coisa porque ô personagem insuportável). Ou poderia ter ido pelo lado ambicioso e criado um protótipo de Cersei Lannister, alguém que anseia pelo poder e pela coroa e está disposta a jogar o jogo político para fazer parte do tabuleiro. Hollis é a típica garota rica que não desvia o olhar para desigualdades e problemas distantes dos seus - que inclue não saber com quem se casar. É só isso. Não tem nenhum conflito, nenhuma subtrama, nenhuma tramoia política, nada. Não tem pressão familiar, pressão da corte, pressão dela mesma buscando uma conquista maior. Ela só quer se casar com o rei porque desde que os sorrisos entre eles começaram, Hollis sente que é com ele que precisa estar. E então surge outro personagem masculino com OLHOS AZUIS ESTONTEANTES e ops, que rei? Claro, em se tratando de romance isso jamais seria um problema; minha relação complicada com essa história ficou na falta de personalidade da própria trama. Quer me vender um romance? Então que seja fofo ou arrebatador. Que seja uma história que divida meu coração igual deveria dividir o da mocinha. Que tenha conflitos e tensão, ações crescentes e decrescentes que me levem a algum lugar. Você está usando um TRIÂNGULO AMOROSO em pleno 2020 e resolve que todos os clichês de 2010 ainda são válidos. Ninguém mais aguenta isso! E pra ajudar esse é o tipo de triângulo que nem disfarça sobre quem é o favorito, sabe? A Hollis, como narradora, é extremamente óbvia em suas escolhas. A narrativa tenta passar a dúvida, mas falha terrivelmente em dar verossimilhança pra isso no instante em que o segundo interesse amoroso surge. E daí são 200 páginas de nada e mais nada. A ideia de plot é que você vai dar um objetivo pra sua protagonista e daí vai desenvolver a trama em volta disso. Eu achei, a princípio, que o objetivo dela fosse se tornar rainha - mas ai isso desapareceu com a chegada do ferreiro, e pensei "então o objetivo vai ser entender quem ela ama" mas isso também foi resolvido bem rapidamente. E aí eu olhei pro livro e pensei em como estava gastando neurônios e tempo de vida que jamais seriam recuperados. Ambos os relacionamentos foram um tédio absoluto. Eu esperava algum tipo de profundidade em um rei, mas Jameson é um Maxon remodelado e sem carisma. Seus elogios eram poéticos, seu riso doce e sua presença encantadora - pelo menos até Silas, o ferreiro, aparecer. A partir daí, pra deixar a trama ainda mais insuportável, a autora puxa a famosa e mencionada tática de estragar um interesse amoroso para deixar o outro mais atraente porque o livro já decidiu quem é o favorito. Eu chamo de covardia narrativa. Não consegue trabalhar um triângulo amoroso, vai lá e deixa uma das pontas desse triângulo babaca, egocêntrica, comentando coisas que até então não eram de seu feitio, tudo isso para que a mocinha abra os olhos para o seu "verdadeiro amor". E nem me deixe começar a falar do instalove ridículo que tem nesse livro. Verdadeiro amor é o escambau. O Silas é caricato ao extremo mas, de novo, falta aquele toque carismático e encantador que deveria te fazer se apaixonar por ele. Não tem UM MOMENTO entre ele e a Hollis que tenha me feito sorrir e pensar "ah, ok, isso foi fofo". É tudo tão FORÇADO e eu só queria arrancar meus cabelos porque não é possível vir da mesma pessoa que criou a America e o Maxon lá no primeiro livro (depois a gente finge que não aconteceu). Além disso... É desesperador o quanto não tem mais o que falar sobre essa história. São 340 páginas dessa trama aí; sim, é um romance, sim, eu entendo o apelo juvenil, mas nada impediria a Kiera de ter puxado algumas tramoias políticas e sociais para dentro da trama. As discussões toscas e ínfimas sobre machismo, misoginia, patriarcado que com certeza não ganham a profundidade que precisam. Aparecem em um diálogo entre as personagens femininas e puf, nunca mais se fala nisso. Não geram consequência, existem pura e simplesmente para cumprir tabela. Me dá alguma coisa em que me agarrar além da "dúvida" da Hollis se deve casar com o rei ou com o ferreiro. Você criou todo um sistema político medieval, deu nome a trocentos de reinos e reis e rainhas e dinastias, gastou páginas falando sobre as grandes rainhas de outrora e seus feitos PRA NADA. E, de novo, não dá pra falar "mas, Denise, é um romance!" porque ela não usa só os artifícios disso. Ela quer que seja mais, quer os conflitos políticos e sociais, mas o livro é preguiçoso e eles não ganham um pingo de desenvolvimento sequer. Tudo era chato e tedioso a ponto de eu me perguntar quanto mais da trama vazia conseguiria aguentar - só fui até o final pra ver qual era o tal do plot twist e... Sabe... Não. Não vem me dizer que aos 90% da história ela voltou a se importar com política porque eu NÃO ADMITO ISSO. No fim das contas, o grande e principal problema de A Prometida é que nada nem ninguém tem personalidade. E de diversidade também, porque me senti de volta a 2010 tanto por causa dos clichês quanto pela quantidade de gente branca cis e hétera por metro quadrado de história... Foram vários tiros para todos os lados que não acertaram em nenhum alvo. O romance é fraco, os personagens são fracos, não tem plot, não tem subtrama, não tem nada além de um triângulo amoroso que nunca foi realmente um triângulo, uma busca desenfreada por absolutamente nada e um fim que tentou colocar um plot twist ali pra dar motivo pra sequência, mas foi tão bem desenvolvido e coerente quanto o final da série Game of Thrones.

    306 curtidas

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