Sou fascinado com teologia sacramental do padre Taborda. Meu curso de teologia não seria o mesmo sem ele. Havia lido alguns trechos da obra durante o curso, que me fez comprá-la porque vi que era que eu deveria lê-la na íntegra. A quarentena me proporcionou essa oportunidade.
Ao colocar “A Igreja e seus ministros” como projeto de leitura a curto prazo, pensava no auxílio que a obra me daria na preparação pessoal das ordenações diaconal e presbiteral. Com minhas tendências racionalistas, estudar certos assuntos teológicos ilumina o meu crer. Meu pensamento estava certo, que leitura importante para repensar os próximos passos de minha caminhada.
Alguns pontos a serem ressaltados: a) o esforço de Taborda de construir sua teologia nos alicerces sólidos da Escritura e da Tradição - há um fio ininterrupto entre as origens de nossa fé e o hoje, que não pode ser ignorado, mas nunca esquecendo o lugar primordial das fontes;
b) na tradição católica, a compreensão sacerdotal do ministério ordenado deve ser relativizada já que Cristo é cume e fim do sacerdócio;
c) apesar do ministério ordenado já ter se aliado historicamente ao poder mundano, Taborda faz um belo esforço teórico para situar o verdadeiro sentido de poder no cristianismo: aniquilação em vista da coletividade (na construção do conceito, dialoga até com Hannah Arendt);
d) o esforço de voltar às fontes da fé sem esquecer o caminho traçado aqui nos faz buscar uma volta da compreensão teológica do ministério ordenado no primeiro milênio, mais comunitária e eclesiológica (inclusive o conceito atual de vocação precisa ser revisto);
e) por fim, ressalto a proposta de Taborda de nos deixar catequizar pelo rito. O rito da ordenação deve falar mais alto do que nossos achismos e vontades pessoais. Como toda a liturgia, as orações e ações deste sacramento refletem a fé da Igreja.
Esses e outros pontos fizeram-me pensar bastante na vida, na vocação, no ministério vindouro. Obrigado, Taborda, por essa oportunidade!