Prologue de um drame non écrit - Cinq visions (Prolog nenapisane drame)

    Ivo Vojnović

    Mercure de France
    1929
    88 páginas
    2h 56m
    ISBN-10: B0000DQGGD

    Prologue d'un drame non écrit , cinq visions.

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    E.15/05/2020Resenhou um livro
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    Prólogo de um drama não escrito - Teatro Croata

    Resolvi resenhar esse livro como pretexto para falar sobre o processo criativo na escrita, que é também o tema do livro. Como o título indica, esse livro conta a história de um escritor que está escrevendo uma peça de teatro. Além disso, a obra procurar descrever o processo criativo do escritor. Tal processo é de uma natureza quase esquizofrênica, e foi isso que me atraiu na obra. Não pelo tema da loucura em si (apesar de gostar do assunto), mas pelo fato de que o processo de escrita, quando executado com intensidade, pode levar a neuroses, alucinações etc, em tratando-se de obras de ficção. Esse efeito acontece devido à imersão profunda do autor na alma do personagem e no ambiente em que ele vive, o que é muitas vezes um exercício extremamente doloroso e cansativo emocionalmente. Essa forma de escrever, focada no psicológico, é muito forte na literatura russa, onde o desespero, a aflição são quase palpáveis, principalmente em Dostoiévski. Em Tolstói temos um efeito semelhante, porém Tolstói encaminhou seu espírito em direção à piedade, em vez da aflição, como o fez Dostoiévski. Nesse quesito, a literatura anglófona está isenta dessas questões, uma vez que ela foca principalmente em enredos criativos e não necessariamente em personagens profundos. Isso é uma observação pessoal, porém também presente em um dos livros de José de Alencar. Podemos distinguir três níveis de penetração de um escritor em uma história: de enredo, de mente e de espírito. Na literatura anglófona temos o foco no enredo e na mente (razão). Na literatura russa temos um foco no espírito, além do enredo e mente. Essa é uma das razões pelas quais a literatura é tão intensa psicologicamente, enquanto a anglófona é muito mais criativa em enredos. Voltando ao livro, o seu mérito é apresentar o processo criativo sob essa ótica das alucinações, as quais não são tão incomuns como se pensa. Escrever é desbravar, é entrar na "toca do coelho" sem saber o que irá encontrar. Logo, esse processo de imersão pode ser perigoso. Tal ótica é muito pouco abordada na literatura, mas já citada por Fernando Pessoa, quando ele diz (paráfrase): que o poetá é um fingidor, que finge até a dor que de fato sente. Apesar de o livro como um todo não ser uma obra-prima a ser lida pela maioria das pessoas, ele apresenta esse tema, tão pouco abordado, de uma forma até mesmo realista, eu diria. Se você tem o costume de escrever ficção, esse livro lhe pode ser interessante, uma vez que ele aborda essa questão da sanidade mental no processo criativo da escrita, a qual é, ao meu ver, muito importante para quem escreve. Nota 7/10

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